"Começamos a conversar e tudo vai muito bem, no mais delicado momento, aparece a jovem Minna que entra, atraindo a atenção de todos. Era uma pequena dos meios artísticos, modelo, amante de pintores, interessada em literatura, boa menina para quem todas as portas estavam abertas. Eu também a conhecia e uma noite nos tornaríamos bons amigos, embora sem passar dos limites. Em suma, ela entrou e atirou-se nos meus braços - tinha bebido um pouco -, beijando-me nas faces e tratando-me por tu." (Trecho extraído do livro Inferno de August Strindberg)
Intimidade
Ora essa
Que insanidade
Agora já era
Intimidade
Desejo
Realidade é diferente
Ela chega
tinha bebido um pouco
me afeta só ao aproximar
me beija a face
face enrubrece
coração acelera
Somos só nós dois
Me chama por tu
E tenho todos os pensamentos libidinosos
sujo que sou
Saturday, January 16, 2010
Wednesday, January 06, 2010
Mas que coisa
Mas que coisa! Esse lance de amor, de pensar milhões de vezes por dia na mesma pessoa, com tanta gente nesse mundo!
Mas que coisa! Esse lance de compromisso, de achar que alguém é sua propriedade, com tanta gente nesse mundo!
Mas que coisa! Ter que ter um filho só porque ainda não teve, com tanta gente nesse mundo!
Mas que coisa! Ter tão poucos amigos, tão poucos confidentes, com tanta gente nesse mundo!
Mas que coisa! Esse lance de compromisso, de achar que alguém é sua propriedade, com tanta gente nesse mundo!
Mas que coisa! Ter que ter um filho só porque ainda não teve, com tanta gente nesse mundo!
Mas que coisa! Ter tão poucos amigos, tão poucos confidentes, com tanta gente nesse mundo!
Sunday, December 27, 2009
Aprendendo com os erros (à duras penas e com prejuízos reais)
Imagina: largar tudo e ir de mochilão para a Europa? Já pensou? Mas a dor realmente nos faz ter vontade imensa de fugir dela. E nossos aforismos e estupidez? Palavras que não deveriam ser ditas nunca, gestos que jamais deveriam ser feitos? Mas depois do leite derramado não se deve chorar. Pedir desculpas parece falso. Você se encontra fora de lugar. É como se não houvesse forma de voltar a situação anterior. E não há mesmo! Ficou a mágoa, dos dois lados, ficou a dor, ficou a própria resistência de voltar atrás.
Algumas vezes, por algumas pessoas raras na minha vida, cheguei a perdoar pra valer e pedir mesmo perdão. Na verdade foi por uma só pessoa que fiz isso, e não me arrependi.
Mas parece que a gente sente um certo medo da rejeição ou de ouvir duras palavras. Aquilo gera fingimento, inimizade, falsidade sobretudo.
Aí que vejo que existe em tudo isso um círculo vicioso, toda hora caimos na própria armadilha. Sim, nós armamos contra nós mesmos. E assim nos sabotamos. Íamos bem, éramos íntegras e nos desmorona tudo de uma vez, nos deixando sem chão.
(Para minha amiga C. que me fez cia nessa noite um tanto insone, espero, de coração que encontre o BOM caminho, seja o mochilão ou algum outro e que seja feliz. Sim, aprendemos muito com nosso erros)
"Pouco adiantou
Acender cigarro
Falar palavrão
Perder a razão
Eu quis ser eu mesma
Eu quis ser alguém
Mas sou como os outros
Que não são ninguém
Acho que eu fico
Mesmo diferente
Quando falo tudo
o que penso realmente
Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
E uso as palavras de um perdedor
As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei
As brigas que perdi
Estas sim
eu nunca esqueci
eu nunca esqueci"
Pato Fu
Algumas vezes, por algumas pessoas raras na minha vida, cheguei a perdoar pra valer e pedir mesmo perdão. Na verdade foi por uma só pessoa que fiz isso, e não me arrependi.
Mas parece que a gente sente um certo medo da rejeição ou de ouvir duras palavras. Aquilo gera fingimento, inimizade, falsidade sobretudo.
Aí que vejo que existe em tudo isso um círculo vicioso, toda hora caimos na própria armadilha. Sim, nós armamos contra nós mesmos. E assim nos sabotamos. Íamos bem, éramos íntegras e nos desmorona tudo de uma vez, nos deixando sem chão.
(Para minha amiga C. que me fez cia nessa noite um tanto insone, espero, de coração que encontre o BOM caminho, seja o mochilão ou algum outro e que seja feliz. Sim, aprendemos muito com nosso erros)
"Pouco adiantou
Acender cigarro
Falar palavrão
Perder a razão
Eu quis ser eu mesma
Eu quis ser alguém
Mas sou como os outros
Que não são ninguém
Acho que eu fico
Mesmo diferente
Quando falo tudo
o que penso realmente
Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
E uso as palavras de um perdedor
As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei
As brigas que perdi
Estas sim
eu nunca esqueci
eu nunca esqueci"
Pato Fu
Saturday, December 19, 2009
Férias!
Férias... cama e lençol fresco. Barulho de alguém varrendo a rua misturado com alguns carros passando e passarinhos cantando.
Férias... vento fresco que bate lentamente em meu rosto, pensamentos de um ano novo produtivo e feliz, varrer as coisas do ano que está passando para fora de casa, limpar, purificar o ambiente.
Férias... mas sempre um pouco de piano, presentes para amigos mais próximos, simpatia, sorrisos, planos para fazer mais amigos em 2010, para fazer mais arte, viajar.
Férias, pintar as unhas de amarelo e ir para a piscina sem medo de ser feliz, porque a vida é feita de trabalho, mas também de descanso. De produção, mas também do ócio.
Férias!
Férias... vento fresco que bate lentamente em meu rosto, pensamentos de um ano novo produtivo e feliz, varrer as coisas do ano que está passando para fora de casa, limpar, purificar o ambiente.
Férias... mas sempre um pouco de piano, presentes para amigos mais próximos, simpatia, sorrisos, planos para fazer mais amigos em 2010, para fazer mais arte, viajar.
Férias, pintar as unhas de amarelo e ir para a piscina sem medo de ser feliz, porque a vida é feita de trabalho, mas também de descanso. De produção, mas também do ócio.
Férias!
Sunday, November 22, 2009
Livrando de culpas
A vontade de falar tudo que lhe vinha a cabeça era tanta, tanta, mas ninguém quis ouvir. Ela queria gritar porque, pela primeira vez na vida, sentia-se livre daquele fardo que carregou tanto tempo. Pra alguns ela queria dizer que esquecessem o que ela fez ou disse no passado, que agora era outro tempo, que ela tinha mudado. Ninguém novamente quis ouvir. Já não acreditavam mais? Ou ela é que não tinha que dar satisfação a ninguém? Quanta mentira vivida, quanto tempo perdido, pricipalmente com pessoas que não lhe interessavam mais.
Ela resolveu então abrir os braços para o novo, de costas para o velho, e encontrou lá a alegria e o vibrar de cores e sons. Foi seguindo para sempre sem olhar pra trás. E assim foi, sem se culpar, vivendo cada dia de uma vez, sempre tentando manter o bom humor. E hoje, se a tristeza vem, ela chora, mas não quer provar para ninguém que a dor dela é verdadeira ou maior que a de ninguém.
Ela resolveu então abrir os braços para o novo, de costas para o velho, e encontrou lá a alegria e o vibrar de cores e sons. Foi seguindo para sempre sem olhar pra trás. E assim foi, sem se culpar, vivendo cada dia de uma vez, sempre tentando manter o bom humor. E hoje, se a tristeza vem, ela chora, mas não quer provar para ninguém que a dor dela é verdadeira ou maior que a de ninguém.
Saturday, November 21, 2009
Agora no quarto ela chora
Nunca imaginei sentir assim
Triste com essa notícia
Ele a deixou
E eu que sonhei tanto pra isso acontecer
Agora já não queria mais
Porém não valeria nada eu querer
Pois ele já não me quer mais
"O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
e quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu"
Nunca imaginei sentir assim
Triste com essa notícia
Ele a deixou
E eu que sonhei tanto pra isso acontecer
Agora já não queria mais
Porém não valeria nada eu querer
Pois ele já não me quer mais
"O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
e quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu"
Lágrimas Negras
Ah meu amor
Se eu pudesse entender
as palavras que diz
os olhares que dá
Entender sem ter que ler
sem ter que pedir tradução
Se eu soubesse, amor
Mas não sei
Não sei do seu sofrer
Não passei por isso
E você diz ser real
Eu sei que é real
Mas não sei a dor de viver
de nascer e ser como é você
("Na frente do cortejo O meu beijo Forte como aço Meu abraço São poços de petróleo A luz negra dos seus olhos Lágrimas negras saem, caem, doem Por entre flores e estrelas Você usa uma delas como brinco Pendurado na orelha Astronauta da saudade Com a boca toda vermelha Lágrimas negras saem, caem, doem São como pedras de moinho que moem Roem, moem E você baby Vai, vem, vai E você, baby Vem, vai, vem Belezas são coisas acesas por dentro Tristezas são belezas apagadas Pelo sofrimento Lágrimas negras saem, caem, doem")
Se eu pudesse entender
as palavras que diz
os olhares que dá
Entender sem ter que ler
sem ter que pedir tradução
Se eu soubesse, amor
Mas não sei
Não sei do seu sofrer
Não passei por isso
E você diz ser real
Eu sei que é real
Mas não sei a dor de viver
de nascer e ser como é você
("Na frente do cortejo O meu beijo Forte como aço Meu abraço São poços de petróleo A luz negra dos seus olhos Lágrimas negras saem, caem, doem Por entre flores e estrelas Você usa uma delas como brinco Pendurado na orelha Astronauta da saudade Com a boca toda vermelha Lágrimas negras saem, caem, doem São como pedras de moinho que moem Roem, moem E você baby Vai, vem, vai E você, baby Vem, vai, vem Belezas são coisas acesas por dentro Tristezas são belezas apagadas Pelo sofrimento Lágrimas negras saem, caem, doem")
Tuesday, October 27, 2009
Eu Te Sigo
Eu te sigo, sempre, nunca deixei de te seguir. E corro, e olho. Tremo quando te vejo ou quando percebo que há ainda um restinho de mim em você. Sufoco. Me sufoco. Te acho ridículo, te odeio. Mas continuo indo atrás, sem você saber. Eu quero notícias, quero saber que você está vivo, quero seu rastro. Lembrar muitas vezes é ruim, mas pra mim não, lembrar pra mim é apenas ver que não houve erro, que tudo aconteceu como tinha que ser. E eu lembro, e me corroo, e às vezes dói, às vezes não. Altos e baixos, procurando sempre por você, meu único e eterno paradeiro.
Monday, October 26, 2009
Paixão x Felicidade
Ela se apaixona e vai cega em direção àquilo que ela considera a sua felicidade. Mas essa felicidade nunca chega, sempre está no caminho. Sonhando em meio aos destroços que sua vida se tornou. Talvez não veja que a maior culpada disso tudo seja ela mesma ou talvez saiba, mas prefira culpar o outro. Ela chora muito, ela chora sempre, sempre infeliz procurando a felicidade perdida. E onde ela está? No seu futuro promissor, nas coisas grandes que irão se realizar, porque deus quis, nem é por lutar, pensar positivo já ajuda. Ela tem muita vontade e ideias novas, sempre querendo melhorar, mas não age. Por que nós, humanos, temos essa mania de viver no sonho e não buscar no agora as coisas que nos fazem bem? Por que temos que viver com esse pensamento no futuro melhor que nunca chega? Por que não voltamos às coisas simples da vida que nos torna mais felizes? Será que nós buscamos a infelicidade?
Talvez a resposta disso tudo seja que a paixão nos cega, nos faz ver as coisas de maneira deturpada, e deixamos de amar, passamos a ter posse ou a querer possuir. Passamos a culpar o outro pelas nossas frustrações porque deixamos de nos conhecer. Deixamos de saber o que é melhor para nós, o que é essencial, e buscamos lixos e luxos.
Talvez a resposta disso tudo seja que a paixão nos cega, nos faz ver as coisas de maneira deturpada, e deixamos de amar, passamos a ter posse ou a querer possuir. Passamos a culpar o outro pelas nossas frustrações porque deixamos de nos conhecer. Deixamos de saber o que é melhor para nós, o que é essencial, e buscamos lixos e luxos.
Monday, October 19, 2009
Um dia offline é muito
Que mundo vivemos tão diferente do que tínhamos há poucos anos atrás... Sei que isso que digo é, de certa forma, algo que todo mundo tá cansado de ouvir. Porém ontem eu passei o dia todo sem me conectar à internet, era um domingo, dia de descanso, entretanto achei muito estranho e vi que um dia offline é muito tempo e sinto que poderia estar me atualizando de alguma forma. Paranóia? Pode ser que sim.
Sempre gostei de escrever e minhas noites de adolescência seriam menos solitárias caso eu tivesse toda essa estrutura para utilizar. Na época me lembro de perder o sono e passar a noite escrevendo, lendo cartas, lendo livros, vendo fotos.
Claro que ainda os leio e os lerei sempre, mas hoje tenho livros no meu computador (e também impressos), e-mails de amigos queridíssimos, contatos comerciais, fotos, letras de músicas e a impressão de não ter mais tempo para tudo que quero fazer.
Sempre gostei de criar: letras de música, poesias, textos e artesanatos. Porém escolhi estudar administração, ao invés de letras, design, belas artes. Não sei porque, mas todos diziam que tudo isso não daria dinheiro: caí. Agora vivo entre duas profissões uma para me dar o sustento e outra para me dar o prazer. Um dia eu junto os dois numa só ocupação. Mas por enquanto vou curtindo e agradecida de ter tudo que tenho.
Sempre gostei de escrever e minhas noites de adolescência seriam menos solitárias caso eu tivesse toda essa estrutura para utilizar. Na época me lembro de perder o sono e passar a noite escrevendo, lendo cartas, lendo livros, vendo fotos.
Claro que ainda os leio e os lerei sempre, mas hoje tenho livros no meu computador (e também impressos), e-mails de amigos queridíssimos, contatos comerciais, fotos, letras de músicas e a impressão de não ter mais tempo para tudo que quero fazer.
Sempre gostei de criar: letras de música, poesias, textos e artesanatos. Porém escolhi estudar administração, ao invés de letras, design, belas artes. Não sei porque, mas todos diziam que tudo isso não daria dinheiro: caí. Agora vivo entre duas profissões uma para me dar o sustento e outra para me dar o prazer. Um dia eu junto os dois numa só ocupação. Mas por enquanto vou curtindo e agradecida de ter tudo que tenho.
Monday, October 12, 2009
O Vazio
Era eu, outrora, muito preocupada e interessada no conteúdo. No conteúdo das pessoas, no conteúdo dos livros, no conteúdo das letras de música, no conteúdo das conversas... Procurava sempre preencher-me. O que de bom aquilo era pra mim? Depois fui ver, que, quando se trata de existir, o conteúdo é sempre o mesmo. Existe ou não existe... Ponto. Passei a desconsiderar alguns conceitos que tinha sobre a futilidade, apesar de achar que a vida é, de certa forma, fútil. Queria conhecer pessoas que transgredissem regras sociais, que fossem modernas e que tivessem mente aberta, mas, na verdade, é apenas uma forma de eu não ter que conviver com as pessoas normais, as pessoas que existem, carne e osso, pessoas comuns, filhos de Ogum, Oxum ou sei lá o que. Era uma maneira de fugir. E o mais interessante é que ao me inserir em certo grupo, eu descobria que não era bem aquilo que eu procurava e sim uma coisa muito melhor. Um caminho novo, nunca antes navegado, um caminho único, o meu caminho. Mas nada, nada me preenchia nessa busca constante da felicidade e do existir, por isso mesmo acho que já estou, na verdade, em excesso preenchida e agora, o meu papel é esvaziar-me, esvaziar-me, esvaziar-me até eu deixar de ser.
Monday, October 05, 2009
Elvis
Ele me segurava forte, me abraçava e era tão bonito que minhas pupílas se dilatavam e minha face enrubrecia. Ele sabia disso, ele gostava de provar para si mesmo que era o sonho de várias mulheres. Era meu amigo. Infelizmente a vida tem suas contingências e aquele ano foi um ano duro para nós dois.
Ouvíamos a mesma música várias vezes ao dia. Não tínhamos muito o que fazer, é bem verdade, nosso trabalho era esperar. E nisso fumávamos um cigarro, ríamos, passávamos frio de braços dados e fomos criando uma intimidade que só verdadeiros amigos tem. Posso vê-lo só daqui a 200 anos, mesmo assim sei que será como se o tivesse encontrado ontem. Ele me fez enxergar muita coisa bonita. Me fez enxergar que eu sou bonita.
Acho que nunca me esquecerei de seu sorriso, do carinho que tinha por mim, tanto que tenho saudade dele até hoje. Tento contato, porém ele sumiu, está como eu, trabalhando muito e de verdade, não como era naquele tempo... Tempos estranhos, eu diria, terminei metendo os pés pelas mãos, tanta coisa aconteceu... Até que tentei tirar Elvis das minhas fantasias, dos sonhos de saber como seria lhe dar um beijo, o coração dele tinha dona, mesmo que ela não quisesse, era dela.
Foi então que resolvi cortar isso e ter algo real, com outro homem, pois o real estava batendo a porta e eu não podia mais esperar. E amei, de forma tão inesperada que já nem sei o que foi aquilo que senti. E quase morri quando ele me deixou. Parecia que eu ia afundar no colchão da minha cama até chegar no chão, até me sufocar em meio aos lençóis, travesseiros e edredons. Senti a dor de quem perde alguém muito especial, mas hoje o que foi aquilo que vivi?
Pra mim ficou Elvis. Elvis e seus cabelos lisos, sorriso largo, abraço quente. Elvis e sua melancolia, angustia, baixa auto-estima. Elvis e sua paixão mal-resolvida, sua galinhagem, sua mania de ser um macho alpha. Elvis e eu. Para sempre.
Ouvíamos a mesma música várias vezes ao dia. Não tínhamos muito o que fazer, é bem verdade, nosso trabalho era esperar. E nisso fumávamos um cigarro, ríamos, passávamos frio de braços dados e fomos criando uma intimidade que só verdadeiros amigos tem. Posso vê-lo só daqui a 200 anos, mesmo assim sei que será como se o tivesse encontrado ontem. Ele me fez enxergar muita coisa bonita. Me fez enxergar que eu sou bonita.
Acho que nunca me esquecerei de seu sorriso, do carinho que tinha por mim, tanto que tenho saudade dele até hoje. Tento contato, porém ele sumiu, está como eu, trabalhando muito e de verdade, não como era naquele tempo... Tempos estranhos, eu diria, terminei metendo os pés pelas mãos, tanta coisa aconteceu... Até que tentei tirar Elvis das minhas fantasias, dos sonhos de saber como seria lhe dar um beijo, o coração dele tinha dona, mesmo que ela não quisesse, era dela.
Foi então que resolvi cortar isso e ter algo real, com outro homem, pois o real estava batendo a porta e eu não podia mais esperar. E amei, de forma tão inesperada que já nem sei o que foi aquilo que senti. E quase morri quando ele me deixou. Parecia que eu ia afundar no colchão da minha cama até chegar no chão, até me sufocar em meio aos lençóis, travesseiros e edredons. Senti a dor de quem perde alguém muito especial, mas hoje o que foi aquilo que vivi?
Pra mim ficou Elvis. Elvis e seus cabelos lisos, sorriso largo, abraço quente. Elvis e sua melancolia, angustia, baixa auto-estima. Elvis e sua paixão mal-resolvida, sua galinhagem, sua mania de ser um macho alpha. Elvis e eu. Para sempre.
Wednesday, September 30, 2009
Ainda bem!
Ainda bem! Ainda bem que eu fui embora e te perdi pela distância... Ainda bem que agora estou salva aqui. E eu não te perdi pra ninguém. Eu te perdi, porque na verdade eu nunca tive. Ainda bem que aqui eu não ouço sua voz e não te vejo todos os dias, ainda bem...
E pensar que eu até acreditei que tinha achado um oásis no deserto, naquele dia que nos conhecemos melhor. Nunca sei se os homens que conheci serviram para me fortalecer ou para me desiludir de vez. E agora vejo você encontrar a "mulher da sua vida" e AINDA BEM que estou bem longe, que assim sinto a dor bem fraquinha no peito. E nem acredito nisso, não acredito mesmo, não há ninguém feito pra ninguém... Nada é eterno, e isso é mesmo o que me consola.
Eu sei, eu não sirvo pra isso, eu faço minhas loucuras, eu me jogo, eu não meço limites, eu sou uma artista e artistas nem existem, representam o tempo todo, e nem sei se essa dor que estou sentindo é mesmo minha. Tenho cansado de representar certas coisas e quero partir para outras, e já é chegada a hora. E ainda bem que já vou me embora.
E pensar que eu até acreditei que tinha achado um oásis no deserto, naquele dia que nos conhecemos melhor. Nunca sei se os homens que conheci serviram para me fortalecer ou para me desiludir de vez. E agora vejo você encontrar a "mulher da sua vida" e AINDA BEM que estou bem longe, que assim sinto a dor bem fraquinha no peito. E nem acredito nisso, não acredito mesmo, não há ninguém feito pra ninguém... Nada é eterno, e isso é mesmo o que me consola.
Eu sei, eu não sirvo pra isso, eu faço minhas loucuras, eu me jogo, eu não meço limites, eu sou uma artista e artistas nem existem, representam o tempo todo, e nem sei se essa dor que estou sentindo é mesmo minha. Tenho cansado de representar certas coisas e quero partir para outras, e já é chegada a hora. E ainda bem que já vou me embora.
Saturday, September 26, 2009
De coração para coração
"Mais uma vez bom dia! Com todo respeito, hoje você está muito bonita! As mulheres ficam muito bem quando estão vestidas de branco. Demostra um aspecto agradável...
Mas, escrevi estas palavras, não apenas para lhe elogiar e sim para lhe agradecer mais uma vez pelo consolo qe você me deu naquele dia em que não fui forte o suficiente para conter as minhas lágrimas. No momento em que você pegou nas minhas costas eu senti uma imensa segurança... foi como a mãe fazendo carinho no filho...
O que me ocorre nada mais é do que uma doença psicológica conhecida como depressão. Mas já estou tendo acompanhamento de um profissional e logo estarei livre disso. Hoje estou muito feliz, pois dês de terça-feira eu não tive nenhuma crise. Estou lendo uma revista, e na matéria encontei uma frase de um cientista britânico que diz o seguinte:
"Se acreditarmos que podemos vender, nós venceremos. A confiança é um pré-requisito para a vitória".
Tolice da minha parte, de acreditar que eu nunca seria vítima de doença psicológica... mas agora eu sei que isso é possível e que eu sou um ser humano qualquer, com sentimentos como qualquer outra pessoa.
Nessas horas é que nós percebemos quem são os nossos verdadeiros amigos. Se você quiser ler a fraso do cientista britânico, pode vir à minha máquina. Ela está em cima do meu CPU. Mais uma vez obrigado pela atenção que você me deu! E tenha certeza absoluta de que sou muito grato a isso. Obrigado!"
Fazendo faxina nos documentos da empresa achei essa carta, sem data, sem assinatura e sem destinatário, me apropriei dela, achei fantástica e resolvi colocar no blog. Transcrevi exatamente da forma que o remetente escreveu para não perder a essência. Achei muito linda, gosto de cartas, acho românticas e parece que você está ali, totalmente vulnerável, dizendo "esse estranho aí sou eu".
Mas, escrevi estas palavras, não apenas para lhe elogiar e sim para lhe agradecer mais uma vez pelo consolo qe você me deu naquele dia em que não fui forte o suficiente para conter as minhas lágrimas. No momento em que você pegou nas minhas costas eu senti uma imensa segurança... foi como a mãe fazendo carinho no filho...
O que me ocorre nada mais é do que uma doença psicológica conhecida como depressão. Mas já estou tendo acompanhamento de um profissional e logo estarei livre disso. Hoje estou muito feliz, pois dês de terça-feira eu não tive nenhuma crise. Estou lendo uma revista, e na matéria encontei uma frase de um cientista britânico que diz o seguinte:
"Se acreditarmos que podemos vender, nós venceremos. A confiança é um pré-requisito para a vitória".
Tolice da minha parte, de acreditar que eu nunca seria vítima de doença psicológica... mas agora eu sei que isso é possível e que eu sou um ser humano qualquer, com sentimentos como qualquer outra pessoa.
Nessas horas é que nós percebemos quem são os nossos verdadeiros amigos. Se você quiser ler a fraso do cientista britânico, pode vir à minha máquina. Ela está em cima do meu CPU. Mais uma vez obrigado pela atenção que você me deu! E tenha certeza absoluta de que sou muito grato a isso. Obrigado!"
Fazendo faxina nos documentos da empresa achei essa carta, sem data, sem assinatura e sem destinatário, me apropriei dela, achei fantástica e resolvi colocar no blog. Transcrevi exatamente da forma que o remetente escreveu para não perder a essência. Achei muito linda, gosto de cartas, acho românticas e parece que você está ali, totalmente vulnerável, dizendo "esse estranho aí sou eu".
Sangria Desatada
"Sangria desatada", lembro do meu pai usar essa expressão quando nós, ainda pequenas, sofríamos um pequeno acidente ou qualquer coisa de ruim nos ocorria, porque estávamos ansiosas ou correndo ou brincando. Enfim, sei que me lembrei hoje dessa expressão e, como não escrevo aqui há um tempo, pensei, "por que não fazer um post sobre isso?"
Hoje mesmo, eu, na sangria desatada de puxar a gaveta, acabei quebrando minha unha, que estava ficando linda. Agora sou mais uma mulher sem classe de unhas curtas e vermelhas.
O que você entende sobre "sangria desatada"? Pra mim, sangria desatada é desesperar-se e sair fazendo coisas sem pensar nas consequências, só para fazer logo ou para ficar livre. Meu pai é quase um sábio, as pessoas do interior parecem mais sábias, "perdem" mais tempo lendo livros que não são os da moda, vivem mais devagar, comem frutas, comem devagar, curtem o domingo com tranquilidade. Nós, das grandes cidades, vivemos nessa sangria desatada, corremos pra lá e pra cá e sentimos solidão quando ficamos algumas horas sozinhos.
Ontem li algo no blog da HStern sobre a mulher atual. Diziam que ela cobra muito de si mesma. Uma perfeição inalcansável, não aceita errar, não aceita esquecer, ou seja, vive numa sangria desatada para conseguir seu lugar ao sol, ao lado, ou talvez até à frente do homem, não é?
E o que dizer de alguns donos de empresa que estão sempre ao telefone, reclamando de algum funcionário, sendo grosseiro com as pessoas das quais ele depende? E o que dizer da dona de casa que muitas vezes vive correndo atrás dos filhos novos e vive descabelada, desarrumada e gorda? E o que dizer de nós que vivemos procurando a fama e o reconhecimento no munda da internet? E o que dizer de quem fuma um cigarro atrás do outro?
Estamos sim, numa sangria desatada!
Hoje mesmo, eu, na sangria desatada de puxar a gaveta, acabei quebrando minha unha, que estava ficando linda. Agora sou mais uma mulher sem classe de unhas curtas e vermelhas.
O que você entende sobre "sangria desatada"? Pra mim, sangria desatada é desesperar-se e sair fazendo coisas sem pensar nas consequências, só para fazer logo ou para ficar livre. Meu pai é quase um sábio, as pessoas do interior parecem mais sábias, "perdem" mais tempo lendo livros que não são os da moda, vivem mais devagar, comem frutas, comem devagar, curtem o domingo com tranquilidade. Nós, das grandes cidades, vivemos nessa sangria desatada, corremos pra lá e pra cá e sentimos solidão quando ficamos algumas horas sozinhos.
Ontem li algo no blog da HStern sobre a mulher atual. Diziam que ela cobra muito de si mesma. Uma perfeição inalcansável, não aceita errar, não aceita esquecer, ou seja, vive numa sangria desatada para conseguir seu lugar ao sol, ao lado, ou talvez até à frente do homem, não é?
E o que dizer de alguns donos de empresa que estão sempre ao telefone, reclamando de algum funcionário, sendo grosseiro com as pessoas das quais ele depende? E o que dizer da dona de casa que muitas vezes vive correndo atrás dos filhos novos e vive descabelada, desarrumada e gorda? E o que dizer de nós que vivemos procurando a fama e o reconhecimento no munda da internet? E o que dizer de quem fuma um cigarro atrás do outro?
Estamos sim, numa sangria desatada!
Wednesday, September 09, 2009
Porque era ela, porque era eu...
Ela, motivo de alguns textos meus, viveu intensamente em minha vida há algum tempo atrás, e não faz tanto tempo assim... Hoje é uma data especial. Naquele ano foi comemorada como uma grande data para nós, ríamos, desejei-lhe muitas felicidades. Mas a vida é tonta e nos iludiu, e realmente não foi um ano feliz.
Tenho mágoas sim, mas na verdade tenho mais é saudade. Saudade de quem ela era antes de eu realmente a conhecer. Amiga, doce, bela, engraçada... Tínhamos momentos de muita sintonia, ríamos das mesmas coisas, nos divertiamos tomando café, almoçando. Ai... já não sei mais, agora já acho que sinto realmente mais mágoas que saudade...
Tenho mágoas sim, mas na verdade tenho mais é saudade. Saudade de quem ela era antes de eu realmente a conhecer. Amiga, doce, bela, engraçada... Tínhamos momentos de muita sintonia, ríamos das mesmas coisas, nos divertiamos tomando café, almoçando. Ai... já não sei mais, agora já acho que sinto realmente mais mágoas que saudade...
Tuesday, July 07, 2009
Plínio Marcos Escracha
Bom, como eu disse no post anterior, resolvi ler O Abajur Lilás e Oração para um pé-de-chinelo de Plínio Marcos. Então fiz uma minipesquisa na internet e tudo que achei, gostei. Biografia do autor:
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_674.html
Eu gosto de pessoas polêmicas, que dizem pra gente se sacudir, que o mundo não é cor-de-rosa, que existem milhões de pessoas por aí e que, na maioria das vezes, são vítimas de um sistema e nada podem fazer pra mudar a situação. E no site www.pliniomarcos.com.br eu achei sitações dele que falam sobre isso:
"Não faço teatro para o povo. Faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só por isso faço teatro."
"O povão só berra da geral sem nunca influir nos resultados."
"Minhas peças são atuais porque o país não evolui."
Essa frase em particular me causou um certo êxtase, pois é realmente o que se sente ao ler as peças, são peças dos anos 60, porém atuais como nunca! A miséria, o sentimento de não ter em quem confiar nesse mundo, a forma como o marginal é visto como um nada absoluto, um ser que não deveria existir. Nunca se preocupam em curar o mal ou tentar não criar o mal. Preocupam sim, em manter-se no poder, e para isso, não importam as vidas que vão se perder no meio do caminho. E quantas já perdemos? E quantas perderemos?
Como todo bom dramaturgo, artista, jornalista, cidadão, Plínio Marcos foi perseguido pela censura e, claro, sabotado pela mídia, mas não desistiu:
“Ai, eu me organizei pro pior. E o pior veio. Muito pior do que eu imaginava: na base do maldito ninguém-me-procura. Mas, eu era mais eu. Editava meus livros, na base do crédito naturalmente. E saia vendendo. E ia tocando a catraia contra a maré.”
E quem nunca se sentiu assim, digamos, sabotado, por tentar abrir os olhos das pessoas, por tentar mostrar que esse caminho do poder não é o caminho certo?
Vou falar um pouco sobre as duas peças, o que eu senti ao ler. Mas vou deixar a história um pouco de lado, pois prefiro que vocês mesmo leiam.
O Abajur Lilás: http://www.pliniomarcos.com/dados/abajur.htm
O que eu senti lendo O Abajur Lilás foi uma mistura de angústia, um sentir-se a parte desse mundo marginal e a hipótese de que se eu fosse uma prostituta, como seria minha vida... Ao mesmo tempo que você acha que está longe desse mundo, na verdade isso é ilusório. Imaginei a angústia da mãe prostituta que entrou naquele mundo, antes era só ela, engravidou e agora não tem como sair daquilo, ou não sabe como sair, não conhece outra realidade. Lembrei de quando eu participava de um grupo de voluntários da igreja que davam sopa na rua nas sexta-feiras à noite em BH. Uma vez eu carreguei uma criança com cerca de 1 ano, era um menina. Ela se agarrava a mim e tinha um choro sentido, um choro de "não me abandone", e isso foi uma das coisas que me fez desistir de trabalhar com aquilo, é muito pro meu coração. Essa criança ficava na rua com estranhos enquanto a mãe se prostituía. Um senhor, que cuidava dela naquela noite, me disse que sabe-se lá o que outros faziam com ela. Que a mãe deixava com qualquer um porque precisava trabalhar. Tive uma vontade enorme de levar aquela criança pra minha casa e nunca mais a deixar abandonada na rua, meu coração doeu, aquele foi um dia triste pra mim. Abandonei o projeto não pela dor que me causou, mas sim porque acho que é uma medida paleativa e não uma solução para o problema. Atualmente quero voltar a trabalhar com isso, mas de uma forma que eu realmente vá ajudar o próximo.
Lendo a peça, senti também a fraqueza da carne, como somos fracos sobre tortura e como só os fortes conseguem passar por uma tortura sem denunciar ninguém, ou então só se for um amor muito forte e verdadeiro, onde você prefira morrer torturado a denunciar o outro.
Oração para um pé-de-chinelo: http://www.overmundo.com.br/overblog/oracao-pro-pe-de-chinelo
Achei interessante o título, porque de alguma forma liga esta peça à primeira (só vai entender quem ler). São peças bem parecidas, mas com desfechos diferentens.
As duas peças passam uma sensação de não ter o que fazer, não ter como escapar, como se a vida fosse só deixar o curso seguir, com tudo praticamente premeditado, dia após dia. A falta de confiança no outro, estar sozinho no mundo, não confiar em ninguém, não ter amigos.
É muito interessante também como ele faz uma linguagem marginal, os palavrões, a forma de falar malandra. "Que merda! Que merda! Que merda!" ou "Eu não matei meu pai a soco!"
Gostei muito de ler essas peças e recomendo aos amantes da arte. Embora eu acredite e tenha amizades verdadeiras, em quem confiar e a quem amar.
Bom, sem mais por enquanto. Próximo livro: Ai de ti Copacabana - Rubem Braga
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_674.html
Eu gosto de pessoas polêmicas, que dizem pra gente se sacudir, que o mundo não é cor-de-rosa, que existem milhões de pessoas por aí e que, na maioria das vezes, são vítimas de um sistema e nada podem fazer pra mudar a situação. E no site www.pliniomarcos.com.br eu achei sitações dele que falam sobre isso:
"Não faço teatro para o povo. Faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só por isso faço teatro."
"O povão só berra da geral sem nunca influir nos resultados."
"Minhas peças são atuais porque o país não evolui."
Essa frase em particular me causou um certo êxtase, pois é realmente o que se sente ao ler as peças, são peças dos anos 60, porém atuais como nunca! A miséria, o sentimento de não ter em quem confiar nesse mundo, a forma como o marginal é visto como um nada absoluto, um ser que não deveria existir. Nunca se preocupam em curar o mal ou tentar não criar o mal. Preocupam sim, em manter-se no poder, e para isso, não importam as vidas que vão se perder no meio do caminho. E quantas já perdemos? E quantas perderemos?
Como todo bom dramaturgo, artista, jornalista, cidadão, Plínio Marcos foi perseguido pela censura e, claro, sabotado pela mídia, mas não desistiu:
“Ai, eu me organizei pro pior. E o pior veio. Muito pior do que eu imaginava: na base do maldito ninguém-me-procura. Mas, eu era mais eu. Editava meus livros, na base do crédito naturalmente. E saia vendendo. E ia tocando a catraia contra a maré.”
E quem nunca se sentiu assim, digamos, sabotado, por tentar abrir os olhos das pessoas, por tentar mostrar que esse caminho do poder não é o caminho certo?
Vou falar um pouco sobre as duas peças, o que eu senti ao ler. Mas vou deixar a história um pouco de lado, pois prefiro que vocês mesmo leiam.
O Abajur Lilás: http://www.pliniomarcos.com/dados/abajur.htm
O que eu senti lendo O Abajur Lilás foi uma mistura de angústia, um sentir-se a parte desse mundo marginal e a hipótese de que se eu fosse uma prostituta, como seria minha vida... Ao mesmo tempo que você acha que está longe desse mundo, na verdade isso é ilusório. Imaginei a angústia da mãe prostituta que entrou naquele mundo, antes era só ela, engravidou e agora não tem como sair daquilo, ou não sabe como sair, não conhece outra realidade. Lembrei de quando eu participava de um grupo de voluntários da igreja que davam sopa na rua nas sexta-feiras à noite em BH. Uma vez eu carreguei uma criança com cerca de 1 ano, era um menina. Ela se agarrava a mim e tinha um choro sentido, um choro de "não me abandone", e isso foi uma das coisas que me fez desistir de trabalhar com aquilo, é muito pro meu coração. Essa criança ficava na rua com estranhos enquanto a mãe se prostituía. Um senhor, que cuidava dela naquela noite, me disse que sabe-se lá o que outros faziam com ela. Que a mãe deixava com qualquer um porque precisava trabalhar. Tive uma vontade enorme de levar aquela criança pra minha casa e nunca mais a deixar abandonada na rua, meu coração doeu, aquele foi um dia triste pra mim. Abandonei o projeto não pela dor que me causou, mas sim porque acho que é uma medida paleativa e não uma solução para o problema. Atualmente quero voltar a trabalhar com isso, mas de uma forma que eu realmente vá ajudar o próximo.
Lendo a peça, senti também a fraqueza da carne, como somos fracos sobre tortura e como só os fortes conseguem passar por uma tortura sem denunciar ninguém, ou então só se for um amor muito forte e verdadeiro, onde você prefira morrer torturado a denunciar o outro.
Oração para um pé-de-chinelo: http://www.overmundo.com.br/overblog/oracao-pro-pe-de-chinelo
Achei interessante o título, porque de alguma forma liga esta peça à primeira (só vai entender quem ler). São peças bem parecidas, mas com desfechos diferentens.
As duas peças passam uma sensação de não ter o que fazer, não ter como escapar, como se a vida fosse só deixar o curso seguir, com tudo praticamente premeditado, dia após dia. A falta de confiança no outro, estar sozinho no mundo, não confiar em ninguém, não ter amigos.
É muito interessante também como ele faz uma linguagem marginal, os palavrões, a forma de falar malandra. "Que merda! Que merda! Que merda!" ou "Eu não matei meu pai a soco!"
Gostei muito de ler essas peças e recomendo aos amantes da arte. Embora eu acredite e tenha amizades verdadeiras, em quem confiar e a quem amar.
Bom, sem mais por enquanto. Próximo livro: Ai de ti Copacabana - Rubem Braga
Faxina na Biblioteca
Meus pais são duas figuras... Apegados demais com certas coisas e desapegados demais com coisas que geralmente consideramos importantes. Desde pequena vivi numa casa com muitos livros, desde pequena li vários autores, vários livros históricos, vários livros técnicos e, confesso, alguns livros esotéricos.
Antes do meu suspeito ateísmo eu era, de certa forma, um tanto mística. Fato é que ainda sou, ainda acredito que eu tenho uma visão além do alcance (olho de Tandera). Mas eu não tento mais explicar isso, eu parei de ler esses livros que, em geral, são livros de auto-ajuda.
Uma das coisas que meus pais se apegam são livros, em alguns casos eu concordo, outros não. E hoje eu sou adepta do e-book, acho prático, podemos riscar, podemos utilizar mais facilmente citações em nossos trabalhos, e, a melhor coisa do e-book: não acumulam poeira e não ocupam espaço.
Para uma pessoa alérgica como eu, ter uma mini biblioteca no quarto é suicídio, mas eu tenho. Culpa de não ter espaço suficiente em outros locais da casa, culpa minha também, por ter desenvolvido essa alergia só depois de mais velha.
Bom, sei que fui fazer uma faxina na estante, tirei todos os livros, separei por temas: os de administração (livros que li ou tentei ler durante o período de faculdade), os de psicologia ou "psicologia" (porque alguns, como os do Jung, não são aceitos pelo CRP), as enciclopédias (pra mim é um grande elefante branco, não servem para muita coisa, morro de alergia, prefiro pesquisar no google, mas não posso doar, pois meus pais são apegados e tal), e, enfim, os romances, bibliografias, peças de dramaturgia, ou seja, a fatia gostosa do bolo.
Na minha grande neurose, pensando que a mente precisa de um lugar organizado para se organizar, querendo "limpar as energias" do meu quarto e melhorar, assim, minha vida. Resolvi colocar os livros na estante em ordem alfabética de título. E agora, minha meta é ler um a um e provar que se os livros existem, devem ser lidos. O primeiro da lista é uma peça de teatro chamada Abajur Lilás, O - Plínio Marcos, no mesmo livro e em seguida tem outra peça: Oração para um pé-de-chinelo. Vou ler e pesquisar sobre o dramaturgo e este será o próximo tópico do meu blog. Divirtam-se com a minha falta do que fazer!
Antes do meu suspeito ateísmo eu era, de certa forma, um tanto mística. Fato é que ainda sou, ainda acredito que eu tenho uma visão além do alcance (olho de Tandera). Mas eu não tento mais explicar isso, eu parei de ler esses livros que, em geral, são livros de auto-ajuda.
Uma das coisas que meus pais se apegam são livros, em alguns casos eu concordo, outros não. E hoje eu sou adepta do e-book, acho prático, podemos riscar, podemos utilizar mais facilmente citações em nossos trabalhos, e, a melhor coisa do e-book: não acumulam poeira e não ocupam espaço.
Para uma pessoa alérgica como eu, ter uma mini biblioteca no quarto é suicídio, mas eu tenho. Culpa de não ter espaço suficiente em outros locais da casa, culpa minha também, por ter desenvolvido essa alergia só depois de mais velha.
Bom, sei que fui fazer uma faxina na estante, tirei todos os livros, separei por temas: os de administração (livros que li ou tentei ler durante o período de faculdade), os de psicologia ou "psicologia" (porque alguns, como os do Jung, não são aceitos pelo CRP), as enciclopédias (pra mim é um grande elefante branco, não servem para muita coisa, morro de alergia, prefiro pesquisar no google, mas não posso doar, pois meus pais são apegados e tal), e, enfim, os romances, bibliografias, peças de dramaturgia, ou seja, a fatia gostosa do bolo.
Na minha grande neurose, pensando que a mente precisa de um lugar organizado para se organizar, querendo "limpar as energias" do meu quarto e melhorar, assim, minha vida. Resolvi colocar os livros na estante em ordem alfabética de título. E agora, minha meta é ler um a um e provar que se os livros existem, devem ser lidos. O primeiro da lista é uma peça de teatro chamada Abajur Lilás, O - Plínio Marcos, no mesmo livro e em seguida tem outra peça: Oração para um pé-de-chinelo. Vou ler e pesquisar sobre o dramaturgo e este será o próximo tópico do meu blog. Divirtam-se com a minha falta do que fazer!
Friday, July 03, 2009
Arroz para Sushi
Ingredientes:
1kg de arroz japonês
10 colheres de sopa de vinagre de arroz
4 colheres de chá de sal
4 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de saquê (para cozinha)
7 xícaras de chá de água
2 unidades de Kombu(alga) em tiras
Lavar o arroz até que a água fique clara (e isso demora, demora, demora...)
Despejar numa panela grossa.
Acrescentar água fria e o kombu, tampar e descansar por 30 min a 1 hora.
Cozinhar até ferver, baixar o fogo até a água secar.
À parte
Levar ao fogo brando o vinagre de arroz, com o sal, o açúcar e o saquê (lembrando que é o para cozinhar). Mexa até que o sal e o açúcar derreta.
Deixe o arroz pronto na panela tampada por 10 minutos. Após isso passar o arroz para uma bacia de plástico. Colocar o tempero da panela. Cortar o arroz em cruz. Resfriar o arroz rapidamente dando nele um choque térmico.
Cobrir o arroz com pano úmido até usá-lo.
Eu já fiz diversas vezes essa receita, vale a pena? Se você quiser sofrer, vale. Demora pra caramba e depois tem que enrolar, cortar o peixe e montar o sushi. Eu voto no sashimi ou no tradicional japonês a quilo mesmo. Mas pra quem quiser, taí! Enjoy it! ;)
1kg de arroz japonês
10 colheres de sopa de vinagre de arroz
4 colheres de chá de sal
4 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de saquê (para cozinha)
7 xícaras de chá de água
2 unidades de Kombu(alga) em tiras
Lavar o arroz até que a água fique clara (e isso demora, demora, demora...)
Despejar numa panela grossa.
Acrescentar água fria e o kombu, tampar e descansar por 30 min a 1 hora.
Cozinhar até ferver, baixar o fogo até a água secar.
À parte
Levar ao fogo brando o vinagre de arroz, com o sal, o açúcar e o saquê (lembrando que é o para cozinhar). Mexa até que o sal e o açúcar derreta.
Deixe o arroz pronto na panela tampada por 10 minutos. Após isso passar o arroz para uma bacia de plástico. Colocar o tempero da panela. Cortar o arroz em cruz. Resfriar o arroz rapidamente dando nele um choque térmico.
Cobrir o arroz com pano úmido até usá-lo.
Eu já fiz diversas vezes essa receita, vale a pena? Se você quiser sofrer, vale. Demora pra caramba e depois tem que enrolar, cortar o peixe e montar o sushi. Eu voto no sashimi ou no tradicional japonês a quilo mesmo. Mas pra quem quiser, taí! Enjoy it! ;)
Tempestade
Agora, nesse momento, a chuva aqui onde moro está muito forte. Eu adoro chuva, mas apenas quando estou abrigada. Covardia? Talvez seja.
Quando chove assim, forte e intenso, gosto de olhar pela janela. Às vezes imagino que as gotas nos vidros da janela são lágrimas e, se tenho vontade, choro junto com elas, como se eu não chorasse sozinha.
A água não para de cair, tudo se inunda, inclusive minha cabeça de lembranças e pensamentos. Quando pequena me sentia muito só, sempre fui, desde criança, uma pessoa sozinha. Detestava domingos, ainda mais se chovesse. Mas essa chuva, contraditório ou não, que tanto adoro, me remete à minha solidão. Sem a qual não viveria bem. Gosto de ter amigos, sair, conversar, mas o que realmente gosto é de estar só. Quando chove sempre estou sozinha, a chuva nos isola dos outros. Assim fico eu e ela, a tempestade. Por algum tempo somos uma só. Nossa intimidade é tanta que ela se atreve a entrar em meu quarto e molhar meus papéis. Fico furiosa, brigamos, mas logo eu a perdoo, não vivo sem ela.
Quando chove assim, forte e intenso, gosto de olhar pela janela. Às vezes imagino que as gotas nos vidros da janela são lágrimas e, se tenho vontade, choro junto com elas, como se eu não chorasse sozinha.
A água não para de cair, tudo se inunda, inclusive minha cabeça de lembranças e pensamentos. Quando pequena me sentia muito só, sempre fui, desde criança, uma pessoa sozinha. Detestava domingos, ainda mais se chovesse. Mas essa chuva, contraditório ou não, que tanto adoro, me remete à minha solidão. Sem a qual não viveria bem. Gosto de ter amigos, sair, conversar, mas o que realmente gosto é de estar só. Quando chove sempre estou sozinha, a chuva nos isola dos outros. Assim fico eu e ela, a tempestade. Por algum tempo somos uma só. Nossa intimidade é tanta que ela se atreve a entrar em meu quarto e molhar meus papéis. Fico furiosa, brigamos, mas logo eu a perdoo, não vivo sem ela.
Monday, June 29, 2009
Que destino!
Mas morrer é sempre bom. Nunca ouvi ninguém reclamar. E os que ficam, exclamam:
- Oh! Que vida é essa?!
- Oh! Que vida é essa?!
Ballet atômico
Ele errou mais uma vez, como era de se esperar. E eu aqui, pensando em mil coisas, pensando que não poderia ter sido diferente e que ele nem era tão bom assim. Medo da solidão? Coisa mais ridícula! Deveríamos ter medo de nunca mais ficarmos sozinhos, com tanta gente no mundo, 6 bilhões de pessoas estranhas. Na minha cidade são 2,5 milhões de pessoas, não há mesmo como ficar sozinho.
Agora, daquelas reflexões malucas sobre a vida... O que estamos fazendo aqui, o que é tudo isso? Uma dança de átomos que insistem em cada dia ser uma coisa diferente? Um ballet atômico? Ou foi Deus que deu um grito e tudo se fez? E como ele fez tudo isso a partir da não existência? Perguntas que dançarão por entre lugares vazios, por entre a extinção do homem.
E sobre catástrofes e fim do mundo? Eu acharia ótimo... Tudo deixar de existir, um espetáculo lindo de se ver. A explosão de tudo, o fim de tudo. Mas se chegou ao fim é tempo de um novo início. Vai ser melhor que antes? Vai ser igual?
Agora, daquelas reflexões malucas sobre a vida... O que estamos fazendo aqui, o que é tudo isso? Uma dança de átomos que insistem em cada dia ser uma coisa diferente? Um ballet atômico? Ou foi Deus que deu um grito e tudo se fez? E como ele fez tudo isso a partir da não existência? Perguntas que dançarão por entre lugares vazios, por entre a extinção do homem.
E sobre catástrofes e fim do mundo? Eu acharia ótimo... Tudo deixar de existir, um espetáculo lindo de se ver. A explosão de tudo, o fim de tudo. Mas se chegou ao fim é tempo de um novo início. Vai ser melhor que antes? Vai ser igual?
Monday, June 22, 2009
Noivas
Por que as mulheres se vestem de noiva e vão tirar fotos no meio do mato? Não é, assim por dizer, uma coisa estranha? É como se noivas estivessem sempre entre laguinhos, patos, casarões antigos e cavalos...
Será que um dia eu vou "pagar esse mico"?
Será que um dia eu vou "pagar esse mico"?
Sunday, June 21, 2009
A Outra
Talvez ele não entenda porque eu aceito para mim o que eu aceito para mim. Ele é meu amigo, me quer bem, se importa comigo e diz que se não fosse por ela, quem sabe, não poderia sonhar comigo? Eu e ele, juntos, e ela no calcanhar.
Patricinhas
E elas passeiam indomavelmente com seus cachorrinhos magrelos, colocam neles uma coleira escrita "segurança". Realmente é um cachorro seguro. Se ele te morder, basta lhe dar um chute e pronto, jaz morto!
Perseguida
Um frio danado, pessoas passeiam com seus cachorros, adolescentes latem e eu, claro, sou mais uma vez perseguida por leitores assíduos da bíblia. Eles olham para mim e pensam: "presa fácil". Talvez seja o significado do meu nome: "calma como uma ovelha", ou um imã invisível que faz a minha mente ser atraída pela deles. Talvez eu tenha um chip implantado e eles, caçadores de pessoas carentes, imediatamente me rastreiam e:
- É aquela ali! Dê um livrinho de como Deus criou o mundo em 7 dias pra ela!
- É aquela ali! Dê um livrinho de como Deus criou o mundo em 7 dias pra ela!
Paz!
A unha roxa de tanto frio, a folha se acabando, a necessidade de escrever. A espera, a bela praça, a paz em meio ao caos. Acho que é só assim memo que a paz acontece, no olho do furacão.
Mãe Evangélica
Ao acordar ouvi uma mãe gritar:
- Vou dar um bicudo nesse menino que eu vou jogar ele lá dentro da igreja!
Como são boas mães essas evangélicas!
- Vou dar um bicudo nesse menino que eu vou jogar ele lá dentro da igreja!
Como são boas mães essas evangélicas!
Monday, May 04, 2009
Máscara
Está aí o motivo pelo qual acho que não gosto de grandes festas, de muita euforia, de carnaval: não gosto de máscaras, nunca gostei e quase não as uso. Quando tinha 17 anos escrevi uma poesia para um livro que seria publicado no meu colégio, um livro só com poesia dos alunos, era a seguinte:
"Lutar e vencer
ou amar e viver?
tem que haver escolha
na primeira ganharei uma máscara
na segunda me transformarei"
Desde muito nova sempre fui angustiada com o existir, com o ser. E sempre tentei ser autêntica, não pelo outro, mas por mim mesma, porque "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". É muito difícil uma pessoa mentir para mim e eu não desconfiar. Porém sou um tanto Sherlock Homes e não me sinto em paz enquanto não decifrar toda a mentira, toda a trama...
No entanto, vejo que talvez isso não seja mais necessário, que não é isso que vai me fazer menos ou mais feliz, satisfeita. Não é necessário saber o porque da mentira alheia e nem saber porque você é o alvo. Acho que a vida é bem mais simples. Você pode escolher entre ser realista ou acreditar na ilusão que querem que você acredite. Ser realista é lindo! É ver o mundo como ele realmente é, pelo menos através da sua visão. "É não ser adaptável as normas da vida" como diria Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos.
Assim acabo me sentindo como se vivesse num mundo à parte, mas não quero ser o centro das atenções, meu nome não é Umbigo. Simplesmente vejo que não há mais o que acreditar, é como se eu tivesse que aceitar a vida como é, sem ilusões, sem "estéticas com o coração"!
Para quem nunca ouviu o poema "Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa" de Álvaro de Campos, declamado por Jô Soares, vale a pena ouvir no youtube:
"Lutar e vencer
ou amar e viver?
tem que haver escolha
na primeira ganharei uma máscara
na segunda me transformarei"
Desde muito nova sempre fui angustiada com o existir, com o ser. E sempre tentei ser autêntica, não pelo outro, mas por mim mesma, porque "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". É muito difícil uma pessoa mentir para mim e eu não desconfiar. Porém sou um tanto Sherlock Homes e não me sinto em paz enquanto não decifrar toda a mentira, toda a trama...
No entanto, vejo que talvez isso não seja mais necessário, que não é isso que vai me fazer menos ou mais feliz, satisfeita. Não é necessário saber o porque da mentira alheia e nem saber porque você é o alvo. Acho que a vida é bem mais simples. Você pode escolher entre ser realista ou acreditar na ilusão que querem que você acredite. Ser realista é lindo! É ver o mundo como ele realmente é, pelo menos através da sua visão. "É não ser adaptável as normas da vida" como diria Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos.
Assim acabo me sentindo como se vivesse num mundo à parte, mas não quero ser o centro das atenções, meu nome não é Umbigo. Simplesmente vejo que não há mais o que acreditar, é como se eu tivesse que aceitar a vida como é, sem ilusões, sem "estéticas com o coração"!
Para quem nunca ouviu o poema "Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa" de Álvaro de Campos, declamado por Jô Soares, vale a pena ouvir no youtube:
Tuesday, April 14, 2009
Continuo fechada
Talvez seja um tanto perplexa e um outro tanto traumatizada que escrevo isso aqui. Não sei se deveria, mas acho que é interessante para outras mulheres que passam o mesmo que eu.
Seguindo os conselhos de um amigo, que tenho em mais alta estima, resolvi me "fechar para balanço" até ouvir dentro de mim qual era a realidade do meu sentimento, o que eu realmente queria de um relacionamento. Durante esse tempo não apareceu ninguém que mexesse comigo, mas apareceram algumas paquerinhas, olhares, coisas do tipo.
É bom lembrar, que pouco antes de me "fechar", conheci um esquizofrênico, obviamente, eu não sabia que era doente. Esse cara se apaixonou por mim e queria algo "sério". Mas por ele ter se revelado esquizo, não tive coragem nem de avançar meio passo. Sorte minha da honestidade dele.
Agora fico pensando o porque isso vem acontecendo incessantemente comigo: estamos todos doentes? Existe mesmo a tal lei da atração? Tenho que fazer uma terapia para conseguir identificar o que eu faço para atrair isso pra mim e conseguir identificar meu erro e corrigir? O que devo fazer?
Estava eu, sossegada, vivendo minha vidinha, que hora é besta e hora é a melhor do mundo. Me aparece um sujeito que me fez acreditar novamente. Me contou histórias de uma vida que hoje vejo ser pura farça. Mais um farçante, mais um esquizo?! Sem preconceito, que me perdoem os esquizofrênicos que lerem isso. Não é essa a questão. A questão é toda minha, porque atraio isso pra mim, ainda mais sendo tão transparente.
Vocês não imaginam minha fobia e espanto ao escrever tudo isso e ir lembrando detalhe a detalhe, que não vou relatar aqui. Como ele me envolveu na teia de mentiras e como eu caí novamente. Não estou me colocando como vítima indefesa, é apenas muito triste saber que algumas pessoas nos mentem olhando nos olhos e por nada, gratuitamente.
Seguindo os conselhos de um amigo, que tenho em mais alta estima, resolvi me "fechar para balanço" até ouvir dentro de mim qual era a realidade do meu sentimento, o que eu realmente queria de um relacionamento. Durante esse tempo não apareceu ninguém que mexesse comigo, mas apareceram algumas paquerinhas, olhares, coisas do tipo.
É bom lembrar, que pouco antes de me "fechar", conheci um esquizofrênico, obviamente, eu não sabia que era doente. Esse cara se apaixonou por mim e queria algo "sério". Mas por ele ter se revelado esquizo, não tive coragem nem de avançar meio passo. Sorte minha da honestidade dele.
Agora fico pensando o porque isso vem acontecendo incessantemente comigo: estamos todos doentes? Existe mesmo a tal lei da atração? Tenho que fazer uma terapia para conseguir identificar o que eu faço para atrair isso pra mim e conseguir identificar meu erro e corrigir? O que devo fazer?
Estava eu, sossegada, vivendo minha vidinha, que hora é besta e hora é a melhor do mundo. Me aparece um sujeito que me fez acreditar novamente. Me contou histórias de uma vida que hoje vejo ser pura farça. Mais um farçante, mais um esquizo?! Sem preconceito, que me perdoem os esquizofrênicos que lerem isso. Não é essa a questão. A questão é toda minha, porque atraio isso pra mim, ainda mais sendo tão transparente.
Vocês não imaginam minha fobia e espanto ao escrever tudo isso e ir lembrando detalhe a detalhe, que não vou relatar aqui. Como ele me envolveu na teia de mentiras e como eu caí novamente. Não estou me colocando como vítima indefesa, é apenas muito triste saber que algumas pessoas nos mentem olhando nos olhos e por nada, gratuitamente.
Thursday, March 05, 2009
Reflexões numa noite quente
E da vida achei engraçado
passar ao meu lado a mãe com quatro filhos
Ela e seu amor, muito bem dividido
E eu, que nem sei se os terei, os quatro filhos
Achei também graça
Dos meus olhares de desejo
Coisa de menina mimada
Que deseja justamente aquilo que não pode ter
Achei divina a ideia de ter que se conformar
Conformar em ser o que é
Em ter o que se tem
Achei graça da solidão
Da minha deliciosa solidão
Aquela das noites quentes de Belo Horizonte
Da minha e da dela
A solidão da mãe com quatro filhos
Ri também e me diverti
Com o automóvel que vinha em minha direção
Um homem belo o dirigia
Claro que aprendi que as aparências enganam
Lembrei de palavras, algumas que tento não falar
Achei engraçado o autocontrole
Era um dia pra se rir
E qual não é?
Autocontrole... Pensar antes de falar...
As aparências enganam, as palavras não mais.
passar ao meu lado a mãe com quatro filhos
Ela e seu amor, muito bem dividido
E eu, que nem sei se os terei, os quatro filhos
Achei também graça
Dos meus olhares de desejo
Coisa de menina mimada
Que deseja justamente aquilo que não pode ter
Achei divina a ideia de ter que se conformar
Conformar em ser o que é
Em ter o que se tem
Achei graça da solidão
Da minha deliciosa solidão
Aquela das noites quentes de Belo Horizonte
Da minha e da dela
A solidão da mãe com quatro filhos
Ri também e me diverti
Com o automóvel que vinha em minha direção
Um homem belo o dirigia
Claro que aprendi que as aparências enganam
Lembrei de palavras, algumas que tento não falar
Achei engraçado o autocontrole
Era um dia pra se rir
E qual não é?
Autocontrole... Pensar antes de falar...
As aparências enganam, as palavras não mais.
Wednesday, March 04, 2009
Bela
Nascida mais para ser amada que para amar. Apesar da sede que sente em amar. Parece um tanto contraditório, mas não é. Encanta mais que é encantada... Quisera ser mais encantada que encantar. De forma doce, ela não segue ninguém, é seguida, porém quisera seguir. Achava não ter vocação para guia, mas entendeu que nessa vida não se escolhe certas coisas. Gostar. Palavra bonita, mas tão estranha para ela. Gosta de todos, ao mesmo tempo de nenhum. Altiva, admirada por muitos, detestada por alguns, quase nunca ignorada, sabe olhar nos olhos, dizem até que lê pensamentos... Como água, ela invade, arrasa, destrói, limpa e vai embora. Sabe quando tem que ir, sabe quando tem de ficar. Será que existe o equilíbrio entre gostar e ser gostado? Ou será que para ela isso nunca acontecerá? Então percebe que aos que ela admira nunca permanecem por muito tempo. Agora ela começa a se deixar admirar, artista de si mesma, segue bailarina, segue admirada... Irá contemplar na intensidade que é contemplada? Jamais! Mesmo tímida, consegue entender o destino a si reservado, não pode dizer nada agora, não é hora de falar.
Monday, March 02, 2009
Que coisa engraçada!
Essa vida nossa é uma comédia. Acho que toda vez que temos certeza de que estamos no controle, acontece algo para lhe dizer: "ei, você não manda em mim". Não sei porque criamos essa ilusão de que guiamos nossa própria vida, se, no entando, ela que nos leva. Nesse ponto concordo com Zeca Pagodinho, "deixa a vida me levar, Vida leva eu"
Agora, o mais engraçado de tudo, é acharmos que o outro é mais feliz. Passei esse fim de semana praticamente em casa, perguntando se sou normal, se sou menos feliz por não ter alguém para dividir minhas preocupações, minhas angustias e, claro, dar o meu amor. Mas percebo, ao conversar com amigos, que a insatisfação é geral. E aí, o que vamos fazer com esse problema? Acho que todos escolhemos a felicidade, mas ela foge de nós? Ouço reclamações por todos os lados: uma é linda, mas quer tomar remédio para emagrecer ou fazer dietas loucas para ficar magra no casamento, outra namora um para esquecer outro, outro arruma discussões por e-mail com pessoas do trabalho. E assim vai... Infelizmente entramos nesse jogo social... Tem que ser magro, tem que estar com alguém, tem que ser o dono da verdade, não importam nem um pouco se é de forma incondicional que somos felizes.
As pessoas me acham diferente, alguns dizem até que não sou normal. Mas pra que ser normal nessa normalidade chata, enfadonha? Vamos viver o concreto, o agora, esqueça jogos sociais, olhe nos olhos das pessoas, fale o que sente e não o que pensa ser o mais correto. Seja até um pouco chato, mas seja você!
Agora, o mais engraçado de tudo, é acharmos que o outro é mais feliz. Passei esse fim de semana praticamente em casa, perguntando se sou normal, se sou menos feliz por não ter alguém para dividir minhas preocupações, minhas angustias e, claro, dar o meu amor. Mas percebo, ao conversar com amigos, que a insatisfação é geral. E aí, o que vamos fazer com esse problema? Acho que todos escolhemos a felicidade, mas ela foge de nós? Ouço reclamações por todos os lados: uma é linda, mas quer tomar remédio para emagrecer ou fazer dietas loucas para ficar magra no casamento, outra namora um para esquecer outro, outro arruma discussões por e-mail com pessoas do trabalho. E assim vai... Infelizmente entramos nesse jogo social... Tem que ser magro, tem que estar com alguém, tem que ser o dono da verdade, não importam nem um pouco se é de forma incondicional que somos felizes.
As pessoas me acham diferente, alguns dizem até que não sou normal. Mas pra que ser normal nessa normalidade chata, enfadonha? Vamos viver o concreto, o agora, esqueça jogos sociais, olhe nos olhos das pessoas, fale o que sente e não o que pensa ser o mais correto. Seja até um pouco chato, mas seja você!
Sunday, February 08, 2009
Esse Deus Aranha
Ele tece a teia do destino dos homens, Ele comanda. Autoritário, se você não fizer por Ele, não será salvo. Deus Aranha. Tece a teia e nós, rélis insetos, inocentemente somos presos a essa maldita teia divina. Livre arbítrio sim, mas Ele escreve certo por linhas tortas. Vai se entender tanta contradição. Deus mal, Deus perverso. Ele condena sua própria criação. Ele criou tudo isso, e aí vemos a maldade em seus olhos. Criou o caos, a morte, o existir e a dor. Deus Aranha! Nao te quero aqui!
Wednesday, February 04, 2009
A dor de ser artista
Poucas pessoas entendem o drama que há na qualidade de ser artista. Ser artista é estar aquém do mundo, é não ter pousada certa, é não saber onde vai dar. Buscar onde ninguém busca. Ser artista é sofrer a dor do outro, a sua dor, a dor que não existe. Ser artista é ouvir as pessoas te dizerem que você não sabe o que quer da vida, que não tem foco. Tudo isso amarga em nossa boca e nos faz pessoas menos racionais, pura emoção. O artista não tem vez nesse mundo tão racional, cheio de contas pra pagar. Somos também atemporais, vagamos pela história, sempre os mesmos, porque conhecemos, de certa forma, o sentido maior dessa vida: que é o prazer. Observamos cada um, sabemos de cada um, mas só nos preocupamos conosco. Não é egoísmo, é deixar viver. Somos sim, sem parada, não temos lugar nesse mundo. Entendemos da alma humana e da sua grande inconsciência. Entendemos de tudo e ao mesmo tempo de nada! Não somos nada senão o momento.
Termino com essa frase da música "Você só pensa em grana" do Zeca Baleiro, obviamente a pessoa pra que ele canta não é e nem pode ser um verdadeiro artista:
"Você rasga os poemas que lhe dou, mas nunca vi você rasgar dinheiro"
Termino com essa frase da música "Você só pensa em grana" do Zeca Baleiro, obviamente a pessoa pra que ele canta não é e nem pode ser um verdadeiro artista:
"Você rasga os poemas que lhe dou, mas nunca vi você rasgar dinheiro"
Sunday, February 01, 2009
[Ela ri como louca, aquele riso incontido, aquele riso psicótico.]
Ri e chora, chora e ri. Doente. Passeia pelas ruas da cidade e se sente inteira ali, mas quer voltar pra sua terra, que nem é natal. Sua terra natal não é nem uma lembrança na parede e nem dói, nada, nada. Mas a terra de onde veio, que lhe ensinou os vícios da vida, a condição de trabalhar pouco e beber muito. A condição de estudar, ler e pesquisar. A condição de ser inteira, densa, profunda, artista, artesã. Para essa terra ela quer voltar e ao mesmo tempo não. O calor insuportável, o mau-humor de seus pais, os amigos que ela sente falta, tudo ficou pra trás. Voltar é retroceder. Porém também sabe que não existe volta e sim um fluir, um ir e vir. Voltar é impossível.
Ela sempre questionando a vida: "O universo é tão vasto, tão bonito, e a gente tem que ficar. A falta de liberdade vai matando aos poucos um coração que tanto a quer."
Ri doente, ri (in)conscientemente dos seus olhares, das suas análises, da sua forma de enxergar a vida e enxergar o outro. Ri e fala. Fala mansa, doce, finge não tentar convencer, mas convence. Dismistifica. Entorpece. Se torna mito, se torna voz ativa na mente do outro. Invade, suga, quer tudo e todos para si. Quer a troca, quer coragem, quer amor, mas não amor mito, amor amor.
Ri e chora, chora e ri. Doente. Passeia pelas ruas da cidade e se sente inteira ali, mas quer voltar pra sua terra, que nem é natal. Sua terra natal não é nem uma lembrança na parede e nem dói, nada, nada. Mas a terra de onde veio, que lhe ensinou os vícios da vida, a condição de trabalhar pouco e beber muito. A condição de estudar, ler e pesquisar. A condição de ser inteira, densa, profunda, artista, artesã. Para essa terra ela quer voltar e ao mesmo tempo não. O calor insuportável, o mau-humor de seus pais, os amigos que ela sente falta, tudo ficou pra trás. Voltar é retroceder. Porém também sabe que não existe volta e sim um fluir, um ir e vir. Voltar é impossível.
Ela sempre questionando a vida: "O universo é tão vasto, tão bonito, e a gente tem que ficar. A falta de liberdade vai matando aos poucos um coração que tanto a quer."
Ri doente, ri (in)conscientemente dos seus olhares, das suas análises, da sua forma de enxergar a vida e enxergar o outro. Ri e fala. Fala mansa, doce, finge não tentar convencer, mas convence. Dismistifica. Entorpece. Se torna mito, se torna voz ativa na mente do outro. Invade, suga, quer tudo e todos para si. Quer a troca, quer coragem, quer amor, mas não amor mito, amor amor.
Thursday, December 11, 2008
De volta à Beagá!
Vai e vem de histórias, as mesmas cenas, os mesmos lugares, o mesmo barulho, o mesmo cheiro, a vida é absolutamente igual e ao mesmo tempo imprevisível. Desculpem por tudo que eu disse antes, não estava em sã consciência. Amanhã pedirei desculpa por esse texto?
Vivi o sonho e a realidade. A realidade é sempre mais importante para nos aprimorarmos. Vi muita coisa, conheci outra realidade, vivi outra vida, tudo isso para perceber, para enxergar, que no fundo, no fundo, nada muda... não mudei nada! Continuo a mesma menina do meu pai, a mesma menina cética, tentando ver mágica na vida. A vida já é a mágica... mas finjo não ligar. Amigos? Alguns me entendem, sabe que falo mais que hajo, ou que hajo mais que falo, dependendo da circunstância. Gosto dos que não ligam pros meus defeitos. São poucos, mas são eles que eu prezo.
Vivi o sonho e a realidade. A realidade é sempre mais importante para nos aprimorarmos. Vi muita coisa, conheci outra realidade, vivi outra vida, tudo isso para perceber, para enxergar, que no fundo, no fundo, nada muda... não mudei nada! Continuo a mesma menina do meu pai, a mesma menina cética, tentando ver mágica na vida. A vida já é a mágica... mas finjo não ligar. Amigos? Alguns me entendem, sabe que falo mais que hajo, ou que hajo mais que falo, dependendo da circunstância. Gosto dos que não ligam pros meus defeitos. São poucos, mas são eles que eu prezo.
Thursday, November 20, 2008
o vício
o controle
o vício
o controle
o vício
o controle
o controle
o vício
o controle
o vício
o controle
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O surto
Thursday, August 14, 2008
As pessoas me perguntam como tenho feito para viver, onde estou indo, o que ando fazendo, quantas pessoas diferentes conheci durante esse tempo... São tantas perguntas, algumas sem respostas, mas não me incomodo com isso. Me incomodo com uma pontinha de falta de alguma coisa que não sei o que é. Que bate dentro do peito e, às vezes, fere. Não me incomodo com as pessoas, não tenho mágoas. Simplesmente gosto ou não gosto delas. Tenho esse direito.Tenho poucos desafetos, sou comunicativa, amiga de quase todo mundo. Sou abençoada por uma força estranha que nem sei dizer o que é. Sei que percebo desde nova que sou diferente.Tenho uma qualidade legal: só faço o que tenho vontade. Há um tempo tentava agradar a gregos e troianos, mas agora resolvi agradar a mim. Se eu estiver bem, vou me relacionar melhor com as pessoas.Gosto de conversar, gosto de comer bem, gosto de sair mas também gosto de ficar em casa, beber um pouco, ou muito, depende do dia, alugar filmes, assistir sozinha ou acompanhada de excelente companhia, gosto de cidade grande, mas às vezes gosto de calmaria. Praia não me agrada muito, até gosto, só não gosto da água salgada, da areia e do sol forte. Gosto de montanha, vim delas, sou delas. Nas montanhas estão minha alma, minha essência. Gosto do frio, mas não de corações frios. Gosto de interação, você comigo, eu com você. Não gosto de falar com quem não está me ouvindo, é chato, a pessoa no mundo da lua não vive. Acho que isso é um pouco de mim, não dá pra se definir e nem se resumir com palavras. Sou isso tudo, sou você.
Wednesday, August 13, 2008
Tropecei, senti o gosto de sangue na boca, até não acho tão ruim... Na hora do tombo tem que se entregar, porque senão o fizer, se resistir, a força da gravidade vai te puxar, será pior. Me entreguei, arrebentei os dentes: três. Se foram... Eu fiquei chorando, lágrima, sangue, dor. Foi profundo o trauma, anos se passaram, mas me lembro da cena. Quase não me lembro do sangue. Mas deveria me lembrar...
Lembro de um vagão abandonado, um dia cinzento e nublado, cheiro de mato... Lembro de casa na árvore, pista de buggy, cheiro de gasolina. Uma lagoa que ninguém entrava nela, daí já começo a misturar com outro momento. Jet Sky, lancha, uma adolescência privilegiada, dinheiro, boas comidas, boas bebidas e descontrole. Perdi o chão naquele tombo... Mudou minha vida.
Talvez tudo tenha vindo antes, bem antes daquele momento, quando ela entrou pela porta da sala e eu acreditei que seria minha amiga. Quando entrei em seu mundo maravilhoso e quis ficar. Quando me perdi entre bebidas, sexo e cigarro... Nunca fui de outras drogas. Acreditei cegamente que era esse o caminho. Fui mimada, usava meu poder de persuasão. Fui perversa. Tantas e tantas vezes, fui má, fui irônica, fui bêbada, fui perdida, fui vazia, "mas ali quem sabe eu fui feliz".
Lembro de um vagão abandonado, um dia cinzento e nublado, cheiro de mato... Lembro de casa na árvore, pista de buggy, cheiro de gasolina. Uma lagoa que ninguém entrava nela, daí já começo a misturar com outro momento. Jet Sky, lancha, uma adolescência privilegiada, dinheiro, boas comidas, boas bebidas e descontrole. Perdi o chão naquele tombo... Mudou minha vida.
Talvez tudo tenha vindo antes, bem antes daquele momento, quando ela entrou pela porta da sala e eu acreditei que seria minha amiga. Quando entrei em seu mundo maravilhoso e quis ficar. Quando me perdi entre bebidas, sexo e cigarro... Nunca fui de outras drogas. Acreditei cegamente que era esse o caminho. Fui mimada, usava meu poder de persuasão. Fui perversa. Tantas e tantas vezes, fui má, fui irônica, fui bêbada, fui perdida, fui vazia, "mas ali quem sabe eu fui feliz".
Monday, August 04, 2008
Sabia dos amores passageiros, sabia da dor causada, sabia de tudo e fugia... Mas a dor entrava de toda forma, fosse como fosse. Cansou, foi escrever sobre o assunto pra passar a dor, foi ouvir música brega, foi cantar. Mas aquela pontinha de dor do amor verdadeiro e fulgás batia ainda forte, ia e vinha, ia e vinha, como aquelas dores que latejam. Paixão e liberdade... que nome tolo, pensou. Não há liberdade onde há sentimento. Não há liberdade em lugar algum.
Friday, July 11, 2008
Orgulhosa e Convencida
Não, não se iluda, ele não te ama. Mas não se desespere, ele também não ama a mim. Na verdade ele se perdeu na loucura de ter, de ser dono. Não somos donos nem de nós mesmos. Agora ele foge, mas ontem me cobrava dinheiro. Corre, moça, antes que seja um pouco tarde, as pessoas nos iludem, às vezes por anos. Amor, companheirismo, amizade? Nada disso ficou, e nesse desespero de ter alguém, nesse desespero de me esquecer, ele vai te iludindo, te deixando acreditar que é verdadeiro. Você tem até o mesmo nome que eu, percebeu isso? Mas óbvio que devemos ser muito diferentes, isso não importa. Mas eu sou bem mais bonita! hahahaha
Sunday, May 25, 2008
E se o amor for tão grande que explodir? Acabar tudo? Seria esse seu objetivo?
E se for tão grande o amor que o faz deixar de existir? É isso mesmo que é amar?
E se o amor for tão supremo que ninguém nunca saberá amar? Como vamos saber quando isso acontecer?
Se acontecer, como será? Como será o amor? Será que amo? Será que amei? Que amarei?
Se explodir fica fácil ver, dá pra sentir o calor...
Mas e se for silencioso? E seu eu nunca amar?
E se ninguém amar?
O que isso significa?
E se for tão grande o amor que o faz deixar de existir? É isso mesmo que é amar?
E se o amor for tão supremo que ninguém nunca saberá amar? Como vamos saber quando isso acontecer?
Se acontecer, como será? Como será o amor? Será que amo? Será que amei? Que amarei?
Se explodir fica fácil ver, dá pra sentir o calor...
Mas e se for silencioso? E seu eu nunca amar?
E se ninguém amar?
O que isso significa?
Thursday, March 27, 2008
Fogo
Num castelo ela vive, ela quer viver... Pobre dama... Morta dentro da aparência. Está sim no castelo, mas não percebe que está na masmorra. Os cuidados com os outros e consigo são excessivos: não faça isso, não fale aquilo, pense antes, pense, pense, pense, não haja, postura! Enquanto isso o tempo passa... A língua cala... A língua também não serve só pra falar, ela lambe... Mas a dela, especificamente, não. Reservou a língua pra ferir, a si e aos outros, quando profere suas poucas e calculadas palavras. Eu a rasgo com meus dentes e a lambo com minha língua. A dor e o prazer. Sexo sem amor, sem consentimento. Crime. Eu cometi todos, vivi todos. Eu sou o vício. Ela tem medo do sexo, eu o quero a cada instante. Meu corpo pulsa por ele, pede alguém que me queira, que me agarre, que me coma, sem pedir licença. E eu o lamba com minha língua. Ardente, profundo, intenso, sexo bom... Queria alguém hoje, mas só por hoje...
Wednesday, February 27, 2008
"De repente do riso fez-se o pranto"
Mas aquele pranto falso, dissimulado. Aquele pranto que não comove. Teatral... Mulheres sabem ser teatrais, fazer cena, fazer média. Bobo dos caras que caem nessa. A mim nem pena causa. Simplesmente não acredito. Lágrimas de crocodilo, só inundam o umbigo, como diria na canção. E aquele momento do qual eu queria correr outrora é o que mais anseio agora. Falar o que está agarrado, engasgado, falar pra não ser ouvida, mas falar. Fernando Pessoa diz: "de que vale uma sensação se há uma razão exterior para ela?". Sim, de que vale? As sensações sinceras, verdadeiras e valiosas vem do interior, não de fora. Mas devem ser sentidas em toda sua integridade. Ser mastigadas, deglutidas, digeridas e enfim excretadas. De que vale essa sensação criada por terceiros? Por isso resolvi falar, por não valer nada. Agradeço aos poetas, cujos pensamentos ultrapassam anos, décadas, centênios e vêm chegar aos nossos ouvidos e pensamentos.
Friday, February 22, 2008
Algo ensurdecedor gritou no meu ouvido hoje. Algo que eu não queria ouvir, mas como não ouvir? Aquele eco, aquela repetição. All the time.. Parece aquilo que você já viveu. Déjà vu? Não, dessa vez a vista é de outro ângulo. Do ângulo da vítima. Quer dizer, vítima não, odeio quem se faz de vítima. Vista dos olhos do sábio. Daquele que conhece a situação por que já errou assim. Já fez o mesmo. Porém cresceu. Não quer as coisas a seu modo. Não mais. Agora deixa vir. Naturalmente, se defende. Se soubéssemos o quanto é ruim tudo isso. O quanto somos tolos e jogamos contra nós mesmos quando queremos controlar o outro. Ah, se soubéssemos! Entretanto já fiz o mesmo. Sofri e aprendi com o erro. Mas sempre tem que haver alguém para lhe relembrar seus pecados. Talvez seja uma forma de Deus dizer: 'respeite o tempo do próximo. Se vê nele um espelho, compreenda que já passou por isso e não se abale com atos que você já sabe de cór, não vai dar em nada'.
Wednesday, February 20, 2008
Estranho seria se eu não me apaixonasse por você. Sua imitação de all star preto combina com minha bota de cano alto
Sentiu aquele amor unilateral que só ela sabia sentir, só as mulheres sabem que existe amor em algumas relações que os homens não percebem. Essa era uma dessas relações. Não era desses relacionamentos duradouros, que se promete fidelidade, mundos e fundos, filhos e outras coisas que vivem a iludi-las. Era um amor sincero, gostoso de sentir, mas ele nunca sabe como senti-lo. Acho que o universo masculino é mais simples, mas não deveria ser tão seco. Ela tenta encher de flores o coração dele, ele nem vê. Pra ela importa apenas estar ali, sem muitos sonhos, sem tantas e tantas fantasias. Para quê tantas fantasias? A fantasia mascara o ser, torna-nos diferentes do que somos, mas só por fora. Por dentro é isso aí, sangue nas veias, urina, fezes, pensamentos de todos os tipos. Desejar é interessante. Fantasiar? Nem tanto. Pra quê a fantasia se o real já é algo mágico, pra quê?
Monday, February 11, 2008
Pedido de casamento pelo msn
Gabriel diz:
e sampa ta frio?
Raquel diz:
não, tá um calorão, desde ontem
Raquel diz:
ontem eu fui almoçar em Santos com meus tios, tava fazendo 38 graus
Gabriel diz:
deus me livre
Raquel diz:
Mas aqui é louco, uma hora tá um calor dos infernos e outra está frio
Raquel diz:
e aí em BH, como tá?
Gabriel diz:
quente igual a filial do inferno
Raquel diz:
hahahahahaha
Raquel diz:
Vamos fugir pra Curitiba? a gente pode ir morar por lá...
Gabriel diz:
humm...
Gabriel diz:
fala mais
Raquel diz:
Lá o centro da cidade é limpo
Raquel diz:
a gente pode fumar e tomar café, um chopp no fim da tarde
Gabriel diz:
hum
Raquel diz:
preços como os de Belo Horizonte.
Raquel diz:
para mim, há lojas de roupas bonitas, como as de São Paulo.
Raquel diz:
pra você há bancas e mais bancas de jornais e uma praça com bancos... muito verde e muito frio.
Raquel diz:
Tem o Museu do Olho, do Nyemeyer, a gente pode ir lá de vez em quando para apreciar a obra
Gabriel diz:
tá ficando tentador....
Raquel diz:
a Ópera de Arame não é tão maravilhosa, mas podemos tomar um café lá, que é gostoso, eu já tomei.
Raquel diz:
e falarmos sobre política, filosofia e amores perdidos
Raquel diz:
sobre filmes europeus e latino-americanos
Raquel diz:
a gente pode combinar de ler o mesmo livro ao mesmo tempo, pra comentar partes juntos
Raquel diz:
só não sei como a gente vai ganhar dinheiro
Raquel diz:
mas a gente dá um jeito
Gabriel diz:
raquel... vc tá me pedindo em casamento?
Raquel diz:
Sim!
Raquel diz:
só q me disseram que se casamento fosse bom, não precisaria de testemunhas...
Gabriel diz:
mas eu tenho que te responder ate quando?
Raquel diz:
vc tem que encaminhar o currículo para o e-mail raquel@pracasar.com.br até as 18h de hoje!
Gabriel diz:
com uma foto?
Gabriel diz:
de frente e de perfil?
Raquel diz:
isso
Raquel diz:
e uma de cueca tbm
Raquel diz:
hahahahahahhha
Gabriel diz:
não precisa ser sem roupa?
Raquel diz:
não, sem roupa só depois do casamento
Raquel diz:Você já foi a Curitiba?
Gabriel diz:
não...
Raquel diz:
nossa, Biel, vc ia amar
Gabriel diz:
é.... mas pra mim é dificil sair de BH.;...
Gabriel diz:
na verdade.... o dificil pra mim é sair de Minas....
Gabriel diz:
sabe que as vezes penso sobre isso.;...
Gabriel diz:
o lugar da onde eu mais sentiria falta nao é BH nem o Brasil.... é Minas
Raquel diz:
quer q eu te mande umas fotos q tirei lá?
Raquel diz:
Sei, mas minas vc vai 1 x por mês e mata a saudade
Raquel diz:
agora, o problema é que, como o clima, as pessoas em Ctba tbm são frias.
Raquel diz:
Tinha q ser pra gente casar e ir morar lá mesmo
Gabriel diz:
mas o clima frio é tudo de bom
Raquel diz:
senão a gente ia se sentir mto sozinho
Raquel diz:
hahahaha
Gabriel diz:
uai raquel.... acho que vou pensar bastante....
Raquel diz:
poxa, bastante??? Achei q ia dizer sim de cara, hahahaha
Gabriel diz:
nao... a questao nao é casar com vc.... mas morar fora de Minas
Raquel diz:
Ah bom! hahaha! Poxa, eu mó apaixonada
e sampa ta frio?
Raquel diz:
não, tá um calorão, desde ontem
Raquel diz:
ontem eu fui almoçar em Santos com meus tios, tava fazendo 38 graus
Gabriel diz:
deus me livre
Raquel diz:
Mas aqui é louco, uma hora tá um calor dos infernos e outra está frio
Raquel diz:
e aí em BH, como tá?
Gabriel diz:
quente igual a filial do inferno
Raquel diz:
hahahahahaha
Raquel diz:
Vamos fugir pra Curitiba? a gente pode ir morar por lá...
Gabriel diz:
humm...
Gabriel diz:
fala mais
Raquel diz:
Lá o centro da cidade é limpo
Raquel diz:
a gente pode fumar e tomar café, um chopp no fim da tarde
Gabriel diz:
hum
Raquel diz:
preços como os de Belo Horizonte.
Raquel diz:
para mim, há lojas de roupas bonitas, como as de São Paulo.
Raquel diz:
pra você há bancas e mais bancas de jornais e uma praça com bancos... muito verde e muito frio.
Raquel diz:
Tem o Museu do Olho, do Nyemeyer, a gente pode ir lá de vez em quando para apreciar a obra
Gabriel diz:
tá ficando tentador....
Raquel diz:
a Ópera de Arame não é tão maravilhosa, mas podemos tomar um café lá, que é gostoso, eu já tomei.
Raquel diz:
e falarmos sobre política, filosofia e amores perdidos
Raquel diz:
sobre filmes europeus e latino-americanos
Raquel diz:
a gente pode combinar de ler o mesmo livro ao mesmo tempo, pra comentar partes juntos
Raquel diz:
só não sei como a gente vai ganhar dinheiro
Raquel diz:
mas a gente dá um jeito
Gabriel diz:
raquel... vc tá me pedindo em casamento?
Raquel diz:
Sim!
Raquel diz:
só q me disseram que se casamento fosse bom, não precisaria de testemunhas...
Gabriel diz:
mas eu tenho que te responder ate quando?
Raquel diz:
vc tem que encaminhar o currículo para o e-mail raquel@pracasar.com.br até as 18h de hoje!
Gabriel diz:
com uma foto?
Gabriel diz:
de frente e de perfil?
Raquel diz:
isso
Raquel diz:
e uma de cueca tbm
Raquel diz:
hahahahahahhha
Gabriel diz:
não precisa ser sem roupa?
Raquel diz:
não, sem roupa só depois do casamento
Raquel diz:Você já foi a Curitiba?
Gabriel diz:
não...
Raquel diz:
nossa, Biel, vc ia amar
Gabriel diz:
é.... mas pra mim é dificil sair de BH.;...
Gabriel diz:
na verdade.... o dificil pra mim é sair de Minas....
Gabriel diz:
sabe que as vezes penso sobre isso.;...
Gabriel diz:
o lugar da onde eu mais sentiria falta nao é BH nem o Brasil.... é Minas
Raquel diz:
quer q eu te mande umas fotos q tirei lá?
Raquel diz:
Sei, mas minas vc vai 1 x por mês e mata a saudade
Raquel diz:
agora, o problema é que, como o clima, as pessoas em Ctba tbm são frias.
Raquel diz:
Tinha q ser pra gente casar e ir morar lá mesmo
Gabriel diz:
mas o clima frio é tudo de bom
Raquel diz:
senão a gente ia se sentir mto sozinho
Raquel diz:
hahahaha
Gabriel diz:
uai raquel.... acho que vou pensar bastante....
Raquel diz:
poxa, bastante??? Achei q ia dizer sim de cara, hahahaha
Gabriel diz:
nao... a questao nao é casar com vc.... mas morar fora de Minas
Raquel diz:
Ah bom! hahaha! Poxa, eu mó apaixonada
Monday, January 28, 2008
Sentados os dois ali, lado a lado, vendo a vista da cidade, "nem amigos, nem amantes", naquela dura insistência de ficar juntos. Diferentes demais, eles sabem, mas o desejo é maior que a razão. Vendo a cidade de cima ela fica menor, quase impossível, mas fica. Ele deitado ao colo dela, ela acaricia seu cabelo. Faz sol, mas um sol frio, o dia está bonito, céu azul. Aquele céu difícil de se ver numa cidade tão grande e poluída. Ele deitado, só quer esquecer, ele quer alguém pra esquecer... ela quer alguém pra lembrar. Por isso a desavença, por isso a diferença. Ele está fugindo, ela procurando. Ele quer o velho, o passado, o mofo das coisas vividas. Ela quer as coisas limpas, novas, fluindo. Ele só sabe ver o passado, ela olha o futuro e sorri. Às vezes tem um pouco de medo, mas prefere seguir adiante a voltar para uma vida que não lhe agrada mais.
Monday, January 21, 2008
Só mais uma hoje
A cena é em preto e branco. Anos 20. Ela com de chapéu, um belo vestido, maquiagem, batom vermelho, talvez segurasse uma cigarrilha, não me lembro. Ele lhe faz uma proposta indecorosa, ela pergunta indignada:
- Que tipo de mulher você acha que sou?
Ele:
- Do tipo que bebe muito champagne.
- Que tipo de mulher você acha que sou?
Ele:
- Do tipo que bebe muito champagne.
Papo anti-social
Bom, agora é hora da pergunta: "e aí, o que vai fazer no carnaval?"... Estressante e cansativa essa pergunta. Primeiramente porque detesto as comemorações carnavalescas e segundo porque esse ano o carnaval caiu na primeira semana de fevereiro, data esta que estou financeiramente apertada e já cansada dos gastos do fim e início do ano. Agora vem a questão, as pessoas gostam de mim, sou uma pessoa carismática, mas acontece que não entendem que uma pessoa assim pode não gostar de axé e outros barulhos que tocam nos malditos carnavais de rua. Sei, nesse ponto sou anti-social, as pessoas me dizem: vamos dançar, vamos comemorar! E eu penso comigo: comemorar o quê? Não gosto de multidões, não acredito nessa alegria que as pessoas dizem sentir. Acho que é algo tão superficial, me incomoda a bebedeira, a falta do que falar, o som alto. Não que eu não tenha meus momentos de futilidade, ou de curtição, mas um feriado inteiro nessa história de pegação, música ruim, pessoas suadas e muito juntas, tenho pânico. Enquanto eu pensava nesse texto e na minha indignação com a alienação do brasileiro, que tem um dos maiores índices de corrupção do mundo, pagam mais impostos e não têm o retorno que deveriam ter, entre outros como a violência, acidente nas estradas (que é consequência da corrupção e mal emprego dos impostos), etc., enquanto estava voltando do maldito banco do Brasil, com minhas preocupações cotidianas, me passa um rapaz... hoje, segunda-feira... com uma garrafa de vinho numa das mãos e um cigarro na outra. Olho e penso que estou me preocupando a toa, que eu deveria mesmo era hibernar no carnaval... Alugar uns 30 filmes e não atender nem ao celular, ou talvez atender apenas os que não me chamarem pra ouvir axé... Maldita TPC, tensao pré carnaval!
Até agora não consegui uma companhia sequer para passar o carnaval num sítio ou num lugar isolado... Será que só eu não gosto disso? Será que só eu não vejo graça nenhuma? Só queria um lugar que eu pudesse tomar um sol, caminhar, ler um livro, refletir, mas não queria ir tão sozinha. :-(
Até agora não consegui uma companhia sequer para passar o carnaval num sítio ou num lugar isolado... Será que só eu não gosto disso? Será que só eu não vejo graça nenhuma? Só queria um lugar que eu pudesse tomar um sol, caminhar, ler um livro, refletir, mas não queria ir tão sozinha. :-(
Friday, January 18, 2008
Não queria, mas é assim que acontece...
Viver amores ardentes... Já não lhe apetece. Sabe curtir sua solidão, a mais doce e delicada solidão... A solidão que existe em ler um bom livro, ou assistir um bom filme. Não que não lhe agrade a presença de alguém, mas ela quer mais. Quer um amor que divida com ela de verdade as coisas que ela gosta de fazer, quer conhecer também o que ele gosta, mas sente que os gostos devem ser o mais parecidos possíveis. Um sábado à noite em casa com um bom jantar, um almoço de domingo, uma boa conversa, uma caminhada no parque, um vinho tinto... Há tempos que não curte uma noitada, em bem da verdade, nunca curtiu, e agora, com quase trinta anos, não acredita que vai achar um amor ali. Não quer a companhia de alguém que a ame tanto que a sufoque. Acredita na individualidade, saberia dividir uma vida, está pronta para viver até um casamento, mas com liberdade, com confiança. Ainda tem fé de achar essa pessoa, já não sente prazer em ter alguém só pra não ficar só. Curte a mais deliciosa solidão, a solidão que há no existir. Mas o tempo vai passando e ela pensa que não vai achar nunca essa pessoa. Vê que existe um certo desespero, as pessoas gostam de relacionamentos superficiais. Ela não quer, prefere sua solidão. Mas quando percebe, está viajando, imaginando a vida que ainda não vive, e não acha isso bom. Ela está bem, mas quer realmente esse alguém e sente que, a cada dia, fica mais difícil de achar.
Wednesday, January 16, 2008
Mais uma pessoa me diz hoje: "nossa, como você é alta, hein?". Será que eu e meus 1,75m estamos fadados a ouvir essa pergunta até o fim de nossa curta existência? E ainda me diz: "pra arrumar namorado tem que ser no mínimo um palmo mais alto, deve ser difícil"... Lembrei de uma história em que minha tia sempre encontrava uma senhora pequinininha no elevador. Ela dizia: "Nossa! Como você é grande, me sinto até mal perto de você". E isso era todo dia, toda hora que encontrava essa senhora. Até que um dia, minha tia, já emputecida, diz à senhorinha: "Escuta, nunca lhe passou pela cabeça que eu posso me sentir mal em você ser tão pequena, não?". E foi dada como grossa...
Thursday, January 10, 2008
O calor que fazia naquele verão era de derreter, de não lhe dar possibilidades de pensar em outra coisa. A fraqueza e o maldito cigarro, ele não largava o vício. A fraqueza da carne, em todas as dimensões, ela o fazia perder todo o moral. Moralista? Não era. Apenas fingia amar. Mas na verdade corria do amor pelo caminho avesso. Fugir do amor, amando. Não era a melhor maneira, mas era a maneira mais fácil de escapar. Fidelidade? Claro que não... Mas acreditava na fidelidade da esposa. Todos acreditam. Os infiéis são incapazes de se imaginar sendo traídos, dói. Sendo trocados por outro. Não queria imaginar que ela o traía nem em pensamento. E o que é a traição? O que é o amor? É palpável? Eu torcia para que ela o traísse e que ele nunca soubesse. Que gemesse na cama com outro... Torcia e ainda torço. Ela sendo lambida, inteira, por outro. Ele sem saber. Ela imaginando o outro na cama com eles, sem nunca dizer nada. Ele fazendo filhos, tendo amantes, mas mantendo esse desamor a todo custo. Quase sufocado por ele, quase não vivendo outro amor que não o desamor por ela. Apaixonadamente desapaixonado, rasgando a outra com sua língua felina, apertando a outra com suas mãos intensas, mas sem amor, o amor não lhe serve.
Naquele dia ele se encantou por mim, mas era tudo carnal. Não tinha paixões ou amores por outra mulher, só desamava de verdade sua esposa, só ela merecia seu desamor. Só confiava nela, só com ela podia contar. Tentou me seduzir, estava cansado de todas aquelas que encontrava às vezes. Sempre tão previsíveis, tão carentes. Intrigava a independência do seu atual objeto de desejo. "Não, ela não pode ser tão livre." Só que eu sei que se acontece perde a graça, gosto de alimentar o desejo, o mais torpe desejo, alimentar, alimentar, nunca ceder... Não é a toa que a mulher é mãe, tem prazer em alimentar. E não é a toa que o desejo some quando se está saciado. A mulher prende pelo alimento, o homem lhe escapa pelo desejo.
Naquele dia ele se encantou por mim, mas era tudo carnal. Não tinha paixões ou amores por outra mulher, só desamava de verdade sua esposa, só ela merecia seu desamor. Só confiava nela, só com ela podia contar. Tentou me seduzir, estava cansado de todas aquelas que encontrava às vezes. Sempre tão previsíveis, tão carentes. Intrigava a independência do seu atual objeto de desejo. "Não, ela não pode ser tão livre." Só que eu sei que se acontece perde a graça, gosto de alimentar o desejo, o mais torpe desejo, alimentar, alimentar, nunca ceder... Não é a toa que a mulher é mãe, tem prazer em alimentar. E não é a toa que o desejo some quando se está saciado. A mulher prende pelo alimento, o homem lhe escapa pelo desejo.
Wednesday, January 09, 2008
Tuesday, January 08, 2008
Nunca consegui entender muito bem esses relacionamentos que um praticamente vira o outro. A namorada lê a mensagem no celular do namorado, olha quem ligou e quem deixou de ligar pra ele. Nem consego agir assim. Com esse ciúme possessivo, essa loucura de achar que é dono do outro. Mas às vezes penso que deve ser mais legal, deve ser pelo menos engraçado, uma pessoa te dizendo pra onde vai e o que vai desejar. Talvez seja isso que faça a gente imaginar que não estamos sós no mundo. Que temos certa segurança nessa vida.
Friday, January 04, 2008
Ei, lembra daquela fulana, meu deus, como era mesmo o nome dela? Ai, aquela que falava assim... Como era mesmo? Ai, meu deus, deu branco! Ela namorava aquele cara, aquele carinha lá... um alto... não sei, não lembro direito como eles se conheceram. Então, ela mesma, em carne e osso, que falou que sua bunda era caída, lá no dia da festa de fim de ano... Sei lá, mas as pessoas falam demais da vida dos outros, ela não tem o direito, né? Quem é ela pra falar! Quem é ela?
Thursday, December 13, 2007
Vejo em muitas pessoas um grande defeito de atitude quando algo dá errado em sua vida: arrumam um culpado, que não seja ele mesmo, claro. Essa postura de vítima da sociedade, vítima do sistema, vítima da malícia de outras pessoas, já não "cola" mais. Adimiro as pessoas que dizem ter errado ao confiar em alguém, ao tentar de novo algo que já não tinha dado certo ou até mesmo ao tentar fazer algo inovador. Assumir o erro é uma das coisas mais bonitas que existe no ser humano. Acontece que nós não percebemos isso e passamos a mentir, a inventar culpados para nossas fraquezas, para nossos defeitos. Minha opinião continua sempre a mesma, que por sinal tem se parecido com a do nosso presidente, "prefiro ser essa metarmofose ambulante"... Acho uma burrice sem fim defender ideais... Ideais podres, velhos, deteriorados... Quantas vidas você vai precisar viver pra saber que defender ideais é o mesmo que nunca alcançar nada? É como buscar Deus...
Pareço radical, eu sei, e sou mesmo. Acredito na vida agora, não nesse futuro idealizado por alguém que tem a visão humana de um dia alcançar um sistema perfeito, humanamente perfeito.
Pareço radical, eu sei, e sou mesmo. Acredito na vida agora, não nesse futuro idealizado por alguém que tem a visão humana de um dia alcançar um sistema perfeito, humanamente perfeito.
Tuesday, November 13, 2007
Quando duas pessoas se relacionam e se amam de verdade não seria natural que se deixassem livres para escolhas e para viver? Essa história do amor romântico dói demais porque você deixa de ser uma pessoa livre. Às vezes ouço músicas que dizem algo como "quero te ter", ou "pior é te perder", meu deus, quanta prepotência... Não temos nada, nem ninguém. A posse é o pior do amor romântico. E a ilusão? O que você diria se visse um amigo conhecer uma mulher e ouvi-lo sonhar: é a mulher da minha vida... vamos casar e ter filhos lindos... ou o clichê "é impossível ser feliz sozinho". Acho que talvez o impossível seja ser feliz fazendo o que não se deseja apenas por convenções sociais. A questão que mais me deixa angustiada é que sempre há um porquê atrás disso que não o amor. A isso dou o nome de ilusão. A pessoa imagina que é aquela outra que vai lhe tirar da solidão, que vai lhe dar uma vida melhor, que vai passar o resto da vida aturando suas chatices. A posse e a ilusão... Que nojo estou do amor romântico!
Sunday, November 11, 2007
"Sou fraca, safada, sofrida e não minto pra mim"
Sufocada de medo e culpa, frustrada em minhas expectativas, duras expectativas que vêm como linhas retas se encontrarem num ponto central. E tocar nesse ponto é justamente o que me dói. Então, fugi. Como sou fraca! Voltarei... Uma volta amarga que venho adiando, mas que não há mais como evitar. Como fazer mal a quem só te faz bem? Mas não estaria eu fazendo mal até mesmo quando evito fazer o mal? A duras penas vou me sufocando, não precisava disso, não deveria ser assim, mas é. Medo da vida, medo de não ter o que quero. E o que quero? Nem sei, talvez só saiba mesmo o que não quero, ou nem isso, talvez precise realmente é de me encontrar.
"Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer
quero viver
Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim preguntar
Diga que eu só vou voltar
quando eu me encontrar"
"Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer
quero viver
Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim preguntar
Diga que eu só vou voltar
quando eu me encontrar"
Friday, October 26, 2007
Entrevistas de emprego x amor pelo trabalho
Nessa minha peregrinação por São Paulo em busca de uma oportunidade de emprego interessante, que, teoricamente, eu não teria em Belo Horizonte, consegui, finalmente, ver alma em um entrevistador, se é que o posso chamar assim. Todas as empresas que fui tinham aquelas perguntas padrões: aquela odiosa pergunda das 3 características positivas e das 3 negativas da sua personalidade, o 'por que você quer esse emprego?' (será que a resposta não é 'porque preciso trabalhar'), fuma? (igual a um dragão), tem religião? (ateu praticante), só faltava perguntar se transo ou não com frequência... (tem épocas que sim, outras não). Mas ontem, de repente, encontrei meu novo emprego e junto com ele uma nova perspectiva, inclusive de organização. Acredito (e inclusive penso em escrever mais sobre o assunto) num novo modelo de empresa, sem hierarquia, com muito capital intelictual, com muito trabalho, porém com muita cultura, com muita leitura, com trocas interessantíssimas de experiências. Perguntas padrões me enojam porque exigem respostas padrões. Eu não sou, não fui, nem serei padrão. Não me encaixo nos modelos de emprego porque a vida não é um modelo, a vida é momento e não há padrão, não há modelo que me faça deixar de viver e amar o que faço.
Mas ontem, pela primeira vez ouvi uma pessoa dizer:
- Olha, não é bem uma entrevista, porque não sei entrevistar ninguém.
e respondi:
- Ótimo, porque também não sei dar respostas a essas perguntas todas.
E assim nos acertamos.
Mas ontem, pela primeira vez ouvi uma pessoa dizer:
- Olha, não é bem uma entrevista, porque não sei entrevistar ninguém.
e respondi:
- Ótimo, porque também não sei dar respostas a essas perguntas todas.
E assim nos acertamos.
Friday, October 05, 2007
Garçonete em Toronto
Pedi uma coca light e ela trouxe uma sem cafeína, como parecia já ter sido bem difícil pra ela trazer todas as bebidas, cerveja e etc, eu deixei pra lá. Mas quando fui pedir a segunda coca, resolvi mostrar que queria mesmo uma coca light, sem calorias e não sem cafeína. Ela olhou pra mim com a cara mais assustada e disse: "Oh, you need some caffeine!". Achei melhor concordar: "Isso mesmo, I do need some caffeine".
Ela cultiva flores mortas, murchas, quase secas. Ainda tem esperança de arrancar-lhes algo de vida. Mas ela não percebe que estão mortas, não vê que tem que partir, que sumir, que vomitar tudo aquilo que engoliu. Ela vai da casa ao trabalho, do trabalho para casa, na sua frustrante jornada diária. Reclama, reclama, a todo momento. Chora, liga pro namorado, ele também não sabe muito o que dizer. Ele sabe puxá-la pra junto dele, fazer dela um cachorrinho. Ela aceita. São as flores mortas. O cheiro já não agrada, lembra velório, cemitério. Mas não adianta dizer, ela não quer saber, não quer sentir. Quer apenas seguir reclamando. Pensar que fiz parte disso um dia me apavora. Tão linda, tão jovem e perdendo a vida num lugar onde todos já morreram.
Monday, October 01, 2007
Era digna de poesia. Cantou para mim: "Não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for"... Mas não sei se aceito o seu estranho amor... Me tirou pra dançar e quando já estava na pista me perguntou se eu sabia. Quanta contradição... Respondo que sei um pouco e ela me diz que também não sabe muito. Ela aperta minha mão, me dá um frio, fico tonto, fico louco pra dizer alguma coisa. Mas ela é bem direta, diz adorar meu sotaque, não tenho resposta. Ela é tão linda, tão imprevisível. Eu sou tão igual aos outros... Penso o que ela viu em mim, penso se devo lhe beijar a boca. Por que pensar? Deveria agir. Mas não ajo, fico imóvel, estarrecido. Ela é tão segura de si, tão certa do que quer. E eu vagando perdido, sem ao menos conseguir respondê-la. Ela se despede de mim com um beijo na bochecha, sai cantarolando "um amor assim delicado, você pega e despreza". Maldito Caetano!
Friday, September 21, 2007
Se acontece de gostar sem se conhecer alguém,
Nem o sexo, nem o cheiro, nem o passo, ou qualquer gesto,
Nem a voz, nem o tempeiro, nem o olhar...
Será que acontece de amar sem se saber?
Sem conhecer a personalidade, sem saber quem há de ser?
Vai ser alguém? Um apaixonado por arte e por história, por música,
por lazer? Dedicado ao trabalho? Estudioso? Vai gostar de ler?
Pode se amar assim? Incondicionalmente? Sem se saber?
Nem o sexo, nem o cheiro, nem o passo, ou qualquer gesto,
Nem a voz, nem o tempeiro, nem o olhar...
Será que acontece de amar sem se saber?
Sem conhecer a personalidade, sem saber quem há de ser?
Vai ser alguém? Um apaixonado por arte e por história, por música,
por lazer? Dedicado ao trabalho? Estudioso? Vai gostar de ler?
Pode se amar assim? Incondicionalmente? Sem se saber?
Thursday, August 30, 2007
Não à ignorância na hora das cantadas!
Hoje, andando pela rua, recebi a seguinte cantada:
"Que saúde! Deus conserve, viu? Lôrão!"
Fiquei refletindo sobre essa frase por algum tempo. Como vocês sabem, quando o assunto envolve deus e seus mistérios acabo sempre filosofando. Sei que é uma simples cantada, mas quero, através desse texto, mostrar como se transforma um 'elogio', ou sei lá como podemos chama-lo, em um pensamento filosófico existencialista.
Bom, a questão que me intrigou foi "Deus conserve"... fiquei pensando nessa frase com absoluta profundidade e entendo que, se deus é esse ser que todos dizem, que criou a vida e a morte, a noite e o dia, a natureza e toda sua essência, criou a física, a química e a biologia. Criou norte, sul, leste, oeste, enfim... Se é desse deus que ele fala, então não entendo... Não me entra na cabeça tal frase, porque acredito que deus pode fazer de tudo, menos conservar coisas e pessoas. Se a vida é constante transformação, mudança a todo momento, "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", então, ao meu ver, querido galanteador, você não entende nada de deus, nada da natureza e nada da efemeridade da vida. E como se diz por aí, às vezes não prestamos atenção no que falamos e no quão infundadas são nossas frases.
"Que saúde! Deus conserve, viu? Lôrão!"
Fiquei refletindo sobre essa frase por algum tempo. Como vocês sabem, quando o assunto envolve deus e seus mistérios acabo sempre filosofando. Sei que é uma simples cantada, mas quero, através desse texto, mostrar como se transforma um 'elogio', ou sei lá como podemos chama-lo, em um pensamento filosófico existencialista.
Bom, a questão que me intrigou foi "Deus conserve"... fiquei pensando nessa frase com absoluta profundidade e entendo que, se deus é esse ser que todos dizem, que criou a vida e a morte, a noite e o dia, a natureza e toda sua essência, criou a física, a química e a biologia. Criou norte, sul, leste, oeste, enfim... Se é desse deus que ele fala, então não entendo... Não me entra na cabeça tal frase, porque acredito que deus pode fazer de tudo, menos conservar coisas e pessoas. Se a vida é constante transformação, mudança a todo momento, "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", então, ao meu ver, querido galanteador, você não entende nada de deus, nada da natureza e nada da efemeridade da vida. E como se diz por aí, às vezes não prestamos atenção no que falamos e no quão infundadas são nossas frases.
Monday, August 20, 2007
A vida pensando consigo...
Se se causa polêmica sendo alguém ou deixando de ser, isso pouco importa. Na verdade somos algo que transita, instavelmente, entre o ser e o não ser. Entre o levar e o deixar-se levar. Preconceito, raiva, rancor... tudo isso só existe se em você o sentimento existe. Não é um texto de auto-ajuda, nem de obviedades, fato é que deixamos de ver, de viver, de sentir, porque estamos achando o momento inapropriado, as pessoas indesejadas, as coisas monótonas. Esquecemos que a vida é composta de tudo isso. Nunca entendi a função do chefe que acha que levar a vida a sério é ter a cara amarrada, rancorosa, de cão de guarda, que está sempre à espreita do erro do funcionário. E ele, o funcionário, vai errar! Sempre, e muito! A todo momento. Porque quando esperamos algo dos outros vamos sempre nos frustrar. E aquele homem que vejo ganhar rios de dinheiro, mas sem tempo e sem amor à vida suficientes para aproveitar, não tenho inveja, mas também não tenho pena e não perdôo.
Friday, July 27, 2007
Desafeto
Orgulho. Um dos seus maiores defeitos, ele sabia disso. Porém não adiantava dizer, assim como continua não adiantando. Caminhava altivo, com nariz empinado, seus cabelos lisos, nem curtos, nem muito compridos, caíam sobre os olhos. Ele os jogava para trás com um movimento de cabeça ou com as mãos mesmo. Não era bonito. Era baixo, franzino, dentes para fora, dizia ser descentente de índio. Apesar da aparência, sabia conquistar uma mulher, tinha seu lado Don Juan. Se envolvia de tal forma com elas que as faziam acreditar que haviam encontrado o homem de sua vida. Mas tudo era passageiro, ele gostava mesmo era de conquistar. Mas não acredito que seja um cafajeste sozinho... as mulheres tinham sua parcela de culpa. Era tão óbvio que não podia ser real, mas mulheres gostam disso, gostam de sofrer por um amor não correspondido. Mas como eu disse, seu ponto fraco era exatamente onde acreditava ser forte: seu orgulho! Dessa vez conquistou, se envolveu, mas havia uma terceira pessoa. Sim. Quantas pessoas existem num casamento? "Duas, o homem e a mulher. Não senhor, no casamento existem três pessoas, há a mulher, há o homem, e há o que chamo a terceira pessoa, a mais importante, a pessoa que é constituída pelo homem e pela mulher juntos"*. Mas parece que ele faz de tudo pra destruir essa terceira pessoa, pra ele basta viver consigo mesmo.
* A sitação em parênteses é do livro Todos os Nomes do Saramago.
* A sitação em parênteses é do livro Todos os Nomes do Saramago.
Friday, July 06, 2007
Que nome dar?
Naquele dia de sol, João pegou seu barco e foi navegar, o dia estava lindo, um mergulho não seria nada mal. Pula na água, as ondas do mar estão bem calmas. Foi nadando, nadando, mas, como as coisas mudam, de repente, chegou uma tempestade.
Pensou em voltar para o barco, mas já era tarde, o barco estava distante, ele se distraiu nadando. Foi então que teve que dar braçadas em meio a ondas gigantescas, o barco cada vez mais longe. Pelo menos ele tinha um colete salva-vidas. A tempestade fez o céu escurecer mais cedo, e ele perdeu o barquinho de vista. Tentou nadar para o litoral, desesperadamente, sua angústia aumentava, engoliu água, estava tudo escuro, teve fobia. Ondas e mais ondas, agora não conseguia dar grandes braçadas, estava esgotado, exausto.
Então abriu os olhos, agora já não tinha mais nada... nada de ondas, de água, de barco, de escuridão, nem o colete estava com ele, só a dor que aumentara. Aquela dor que nos aprisiona desde o primeiro dia de vida e que, gradualmente, aumenta no peito. Dor cruel, laciva, impossível de não doer. A dor de perder.
Pensou em voltar para o barco, mas já era tarde, o barco estava distante, ele se distraiu nadando. Foi então que teve que dar braçadas em meio a ondas gigantescas, o barco cada vez mais longe. Pelo menos ele tinha um colete salva-vidas. A tempestade fez o céu escurecer mais cedo, e ele perdeu o barquinho de vista. Tentou nadar para o litoral, desesperadamente, sua angústia aumentava, engoliu água, estava tudo escuro, teve fobia. Ondas e mais ondas, agora não conseguia dar grandes braçadas, estava esgotado, exausto.
Então abriu os olhos, agora já não tinha mais nada... nada de ondas, de água, de barco, de escuridão, nem o colete estava com ele, só a dor que aumentara. Aquela dor que nos aprisiona desde o primeiro dia de vida e que, gradualmente, aumenta no peito. Dor cruel, laciva, impossível de não doer. A dor de perder.
Thursday, June 28, 2007
Laura é uma menina legal, muito legal! Não tem papas na língua... É bonita, inteligente, engraçada, risonha. Mas é completamente maluca. Não sei se devemos chamar de maluca, mas ela vive como quer viver... Um dia estávamos num bar, um cara a paquerava, alguém disse:
- Ele tem namorada...
Ela nem ligou, tava a fim e beijou.
- O compromisso não é meu...
Um belo dia ela estava ficando com um cara, ele era amigo do primo dela, o primo dela é gay, de repente ela solta:
- Cara, você é gay?
Claro, ele ficou magoadíssimo, ela até chorou depois de vergonha. Mas se explicou com ele e são bons amigos agora. Mas o mais louco nessa menina é a espontaneidade... É, acho que é essa a palavra...
Todo mundo chapado e ela diz:
- Vou ali dar um mijão!
O pessoal continua chapado e ela:
- campeonato de arrotooooo!!! Quem começa? Ninguém se habilita? Eu começo então!
Assim, ela não é vulgar, ela é legal, mas tem uma coisa que é só dela e não liga se alguém não gostar.
- Ele tem namorada...
Ela nem ligou, tava a fim e beijou.
- O compromisso não é meu...
Um belo dia ela estava ficando com um cara, ele era amigo do primo dela, o primo dela é gay, de repente ela solta:
- Cara, você é gay?
Claro, ele ficou magoadíssimo, ela até chorou depois de vergonha. Mas se explicou com ele e são bons amigos agora. Mas o mais louco nessa menina é a espontaneidade... É, acho que é essa a palavra...
Todo mundo chapado e ela diz:
- Vou ali dar um mijão!
O pessoal continua chapado e ela:
- campeonato de arrotooooo!!! Quem começa? Ninguém se habilita? Eu começo então!
Assim, ela não é vulgar, ela é legal, mas tem uma coisa que é só dela e não liga se alguém não gostar.
Sunday, June 24, 2007
As crianças do terceiro período resolveram sentar numa roda e conversar questões existenciais. Até que uma delas resolve falar sobre um assunto muito sério: a existência de ninguém mais, ninguém menos, que Papai Noel. Mas um deles era mais esperto e disse:
- Ei, gente, quê isso! Papai Noel não existe... Mas coelhinho da páscoa... Ah, esse existe!
Pode não parecer, mas é uma discussão profundíssima!
- Ei, gente, quê isso! Papai Noel não existe... Mas coelhinho da páscoa... Ah, esse existe!
Pode não parecer, mas é uma discussão profundíssima!
Wednesday, June 13, 2007
O Devagar e o Súbito
O frio lhe doía os dedos ao tocar o piano. A professora sempre adivertiu para que fizesse o aquecimento das mãos e exercícios para a flexibilidade, porém, a necessidade de tocar era tanta, tão desesperada, que não podia perder tempo com aquilo.
Tocava com atenção, muita atenção, nota a nota, não errava uma, nenhuma lhe passava desapercebida. Ao tocar não se lembrava do passado e nem se importava com o futuro. Era apenas a vida, ela e o piano. Nota a nota, não o "do, re, do, re", mas tocava clássicos e mais clássicos, difíceis, aqueles que mexem com a alma, Bethoven, Bach, Mozart.
Não queria e nem poderia pensar naquele momento, mas no fundo sabia que se a morte viesse devagar tudo seria mais fácil. Nem era só a morte física que lhe incomodava, ela também sentia a morte que não parece morte, daquilo que não volta mais. Se tudo morresse devagar, se tudo morresse devagar, seria mais fácil. Entretanto aquela inesperada, aquela súbita, isso matava aos poucos, e era o que ela não queria para si. Que contradição, embora soubesse que morrer devagar doía menos aos outros, sabia que doía mais a si mesma. Seria egoísmo, e por isso não queria pensar naquilo, "morte lenta às coisas e pessoas, morte súbita para mim". Por esse motivo se calava e sentava ao piano, dedilhava, esquecia as pessoas, as coisas e suas mortes.
Tocava com atenção, muita atenção, nota a nota, não errava uma, nenhuma lhe passava desapercebida. Ao tocar não se lembrava do passado e nem se importava com o futuro. Era apenas a vida, ela e o piano. Nota a nota, não o "do, re, do, re", mas tocava clássicos e mais clássicos, difíceis, aqueles que mexem com a alma, Bethoven, Bach, Mozart.
Não queria e nem poderia pensar naquele momento, mas no fundo sabia que se a morte viesse devagar tudo seria mais fácil. Nem era só a morte física que lhe incomodava, ela também sentia a morte que não parece morte, daquilo que não volta mais. Se tudo morresse devagar, se tudo morresse devagar, seria mais fácil. Entretanto aquela inesperada, aquela súbita, isso matava aos poucos, e era o que ela não queria para si. Que contradição, embora soubesse que morrer devagar doía menos aos outros, sabia que doía mais a si mesma. Seria egoísmo, e por isso não queria pensar naquilo, "morte lenta às coisas e pessoas, morte súbita para mim". Por esse motivo se calava e sentava ao piano, dedilhava, esquecia as pessoas, as coisas e suas mortes.
Sunday, June 03, 2007
Friday, May 25, 2007
Insuportável
Se da boca lhe saíssem palavras doces, mas ela era só ironia e amargura. Amargura essa que a fazia inchar. Não conseguia saber o que lhe faltava, então comia para preencher o vazio. Cada vez mais gorda, cada vez comia mais. Tornava-se mais feia, mais rejeitada, comia mais um pouco então. Não bebia, talvez se bebesse seria melhor, ou então ela ficaria tão chata que nem ela mesma se suportaria.
Saturday, May 19, 2007
Pornografia na Rua Ceará.
Patrícia e Gustavo eram namorados daqueles que brigam por tudo. Qualquer coisa era motivo pra sair batendo a porta, chorar, gritar, bater, desligar o telefone na cara. Parecia romance de novela mexicana, bem tragicômico. Só que teve um dia que foi mais cômico do que trágico. Gustavo fez 18 anos dez meses antes de Patrícia, e foi logo tirando carteira de motorista. Quando ela antingiu a maioridade, ele indicou seu instrutor, dizia que era um bom profissional. Bom, aquele dia, em que Patrícia começaria a fazer as aulas de direção, era um dia especial, formatura de uns amigos, ia ser um festão. E ela estava com as horas contadas, tal horário seria a aula, depois academia, depois salão e depois a festa.
Bom, tomou seu banho como de costume e foi aprender a dirigir. Assim que entrou no carro o instrutor falou:
- Prazer em conhecê-la! Mas nossa, você é bonita! O Gustavo disse que não era...
- Ele disse isso?
E fez a aula com tanto ódio e pensando em matar o Gustavo! "Como assim, fala pros outros que a namorada é feia? Se sou feia, por que namora comigo? Ah, mas ele me paga, vou brigar demais". E assim foi, nem prestou atenção na aula, só queria saber de brigar com o namorado.
Bom, sei que eles brigaram muito e ela foi pro salão. Fez um penteado e uma maquiagem e ficou esperando o Gustavo chegar pra eles irem pra festa. Acontece que ele combinou de chegar 9 da noite e só apareceu quase 11. Ela já estava com ódio mortal, estava com vontade de dormir, mas o penteado a atrapalhava, pensou em tirar o vestido e tomar um banho, mas resolveu esperar e esperar e esperar.
Enfim ele chegou e foram pra festa discutindo, aos berros, mas com certa classe pra não estragar a maquiagem e o vestido. Ao chegarem na festa ficaram entre os amigos, era um apagando fogo daqui, outro de lá. "Ele não queria dizer que você é feia, você não é feia, ele só não queria fazer propaganda", dizia um amigo. Mas ela estava resistente, queria brigar, queria chamar a atenção do namorado de qualquer maneira. Bom, não resolveram a questão na festa, mas ela bebeu bastante, tomou um porre de uísque importado. Ele voltou dirigindo e ela começou a fazer charminho:
- Ai, estou passando mal, acho que bebi demais.
- Passando mal?
- É, estou mal, acho que vou vomitar
Era tudo mentira, mas Gustavo tinha acabado de ganhar o carro dos pais, dizem por aí que brasileiro é apaixonado por carro. Faltava um quarteirão para deixar Patrícia em casa, mas ele desesperou, ela ia vomitar no carro dele. Entraram na rua Ceará, ele deu uma freiada brusca, saiu do carro, e ela sem entender nada:
- Quê isso Gustavo?
Ele abriu a porta do passageiro.
- Você vai me deixar aqui na rua? - disse assustada.
- Ponha as pernas e a cabeça pra fora! Você tem que vomitar.
- O quê?
- Fica quieta, menina, você está falando demais!
- Eu que falo demais?
E aumentaram o volume da voz...
- Vou enfiar o dedo e você não tira!
- Não quero!
- Vou enfiar!
- Tá doendo!
- Mas é pro seu bem, vou enfiar, não tira!
- Não quero, Gustavo!
De repente, na casa da esquina, uma janela se entreabre, só uma gretinha, e eles escutam a voz rouca de uma velhinha:
- Seeeeeuuuussss pornográficos! Não vê que a menina não quer?
(Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.)
Bom, tomou seu banho como de costume e foi aprender a dirigir. Assim que entrou no carro o instrutor falou:
- Prazer em conhecê-la! Mas nossa, você é bonita! O Gustavo disse que não era...
- Ele disse isso?
E fez a aula com tanto ódio e pensando em matar o Gustavo! "Como assim, fala pros outros que a namorada é feia? Se sou feia, por que namora comigo? Ah, mas ele me paga, vou brigar demais". E assim foi, nem prestou atenção na aula, só queria saber de brigar com o namorado.
Bom, sei que eles brigaram muito e ela foi pro salão. Fez um penteado e uma maquiagem e ficou esperando o Gustavo chegar pra eles irem pra festa. Acontece que ele combinou de chegar 9 da noite e só apareceu quase 11. Ela já estava com ódio mortal, estava com vontade de dormir, mas o penteado a atrapalhava, pensou em tirar o vestido e tomar um banho, mas resolveu esperar e esperar e esperar.
Enfim ele chegou e foram pra festa discutindo, aos berros, mas com certa classe pra não estragar a maquiagem e o vestido. Ao chegarem na festa ficaram entre os amigos, era um apagando fogo daqui, outro de lá. "Ele não queria dizer que você é feia, você não é feia, ele só não queria fazer propaganda", dizia um amigo. Mas ela estava resistente, queria brigar, queria chamar a atenção do namorado de qualquer maneira. Bom, não resolveram a questão na festa, mas ela bebeu bastante, tomou um porre de uísque importado. Ele voltou dirigindo e ela começou a fazer charminho:
- Ai, estou passando mal, acho que bebi demais.
- Passando mal?
- É, estou mal, acho que vou vomitar
Era tudo mentira, mas Gustavo tinha acabado de ganhar o carro dos pais, dizem por aí que brasileiro é apaixonado por carro. Faltava um quarteirão para deixar Patrícia em casa, mas ele desesperou, ela ia vomitar no carro dele. Entraram na rua Ceará, ele deu uma freiada brusca, saiu do carro, e ela sem entender nada:
- Quê isso Gustavo?
Ele abriu a porta do passageiro.
- Você vai me deixar aqui na rua? - disse assustada.
- Ponha as pernas e a cabeça pra fora! Você tem que vomitar.
- O quê?
- Fica quieta, menina, você está falando demais!
- Eu que falo demais?
E aumentaram o volume da voz...
- Vou enfiar o dedo e você não tira!
- Não quero!
- Vou enfiar!
- Tá doendo!
- Mas é pro seu bem, vou enfiar, não tira!
- Não quero, Gustavo!
De repente, na casa da esquina, uma janela se entreabre, só uma gretinha, e eles escutam a voz rouca de uma velhinha:
- Seeeeeuuuussss pornográficos! Não vê que a menina não quer?
(Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.)
Thursday, May 17, 2007
É uma pena!
Chegou ao encontro, era um encontro a três, mas nada de amor, eram colegas de sala e faziam parte de um grupo. Dois chegaram antes, enquanto ela não vinha. O trânsito em Belo Horizonte anda complicado nesse horário, ainda mais na Av. Afonso Pena. Duas mulheres e um homem, mas por enquanto só um homem e uma mulher. A primeira mulher pergunta sobre a ex namorada. Ele diz que acabou mesmo, que se apaixonou por outra, mas que a outra tem namorado.
- Ah! Complicado... Eu acho difícil separar um casal. – diz ela.
- Que nada! Quando é assim, quando a mulher dá entrada, se você quiser, basta fazer o que ele não faz.
- Será?
- Claro!
- Mas você e sua ex não rola mais nada?
- Ela quer voltar... uma pena, não dá, estou mesmo apaixonado. Só que a outra não quer nada comigo... Também, daqui uns dias vou deixar de vê-la.
- Por quê?
- Digamos que ela é da sala...
- Ah, já tinha percebido...
- Né?
Então ela chegou, eles faziam o trabalho tranquilamente. A outra pensando nos dois: "será que daria certo? Será que ela largaria seu namorado do interior pra ficar com ele? Ela tem a boca tão gostosa... boquinha linda, sempre reparei... Ele está olhando pra boquinha dela, descaradamente. Ela nem percebe! Ou será que finge? Eu não posso olhar, ai que inveja"
E ele solta um suspiro e diz:
- É... é uma pena...
- Uma pena...
- Ah! Complicado... Eu acho difícil separar um casal. – diz ela.
- Que nada! Quando é assim, quando a mulher dá entrada, se você quiser, basta fazer o que ele não faz.
- Será?
- Claro!
- Mas você e sua ex não rola mais nada?
- Ela quer voltar... uma pena, não dá, estou mesmo apaixonado. Só que a outra não quer nada comigo... Também, daqui uns dias vou deixar de vê-la.
- Por quê?
- Digamos que ela é da sala...
- Ah, já tinha percebido...
- Né?
Então ela chegou, eles faziam o trabalho tranquilamente. A outra pensando nos dois: "será que daria certo? Será que ela largaria seu namorado do interior pra ficar com ele? Ela tem a boca tão gostosa... boquinha linda, sempre reparei... Ele está olhando pra boquinha dela, descaradamente. Ela nem percebe! Ou será que finge? Eu não posso olhar, ai que inveja"
E ele solta um suspiro e diz:
- É... é uma pena...
- Uma pena...
Wednesday, May 16, 2007
Friday, May 11, 2007
Maio, Maio, Maio
É maio em Belo Horizonte, maio, maio, maio é
Feito frio vento voarei, maio
Filmes rápidos, plágios sonharei
Sempre dispenso a esperança
Contente com a lentidão de um lugar
Que a ventania deste mês sacoleja, modifica e lança
É maio
Maio, maio, maio, maio é
Maio
Sonho sonho sonho sonharei
Talvez um monstro em maio me assuste
Porém o tempo, o devorador
Já sabe que sou em quem o degusta
Maio
E me
Sento
No chão
Olho para a Serra do Curral
Sem nem
Lembrar
Quem foi que num verão cruel
Veio, passo a passo
E seqüestrou meu coração
Mas não levou o céu
Que avisto aqui do chão
* Composição Maio, Maio, Maio de João Bosco/ Antônio Cícero / Waly Salomão. Descaradamente adaptada por Raquel para caber à realidade de Belo Horizonte.
Friday, May 04, 2007
Musiquinhas que meu pai cantava pra mim.
"Fui certa vez na casa de um japonês
E o japonês tacou cigarro no chão
A japonesa começou a reclamar
E o japonês pôs a mão no cinturão
E disse então
- Kataí, Kataí, Kataí, Katá, Kataí, Kataí, Kata, Kata, já
- Tumimanda katá, tumimanda katá, japão, kataítu, kitukitakou no chão!"
Tinha uma que ele perguntava e eu respondia:
"- Menina, tu tá comendo vridro?
- Não pai, tô chupano é preda d'água"
E tinha a introdução do hino nacional:
"Laranja da china, laranja da china, laranja da Chi-na
Abacate, limão doce e tangerina
Quando eu morrer, quero uma cova bem funda
pro tatu não beliscar a minha bunda"
'Tinha aquela clássica também:
"Papai, eu quero me casar!
- ô minha filha, você diga com quem.
- Eu quero me casar com o leiteiro.
- ô minha filha, você não casa bem.
- Por que, papai?
- O leiteiro tira o leite da vaca, e depois vai tirar docê também"
E eu amava essas musiquinhas!
E o japonês tacou cigarro no chão
A japonesa começou a reclamar
E o japonês pôs a mão no cinturão
E disse então
- Kataí, Kataí, Kataí, Katá, Kataí, Kataí, Kata, Kata, já
- Tumimanda katá, tumimanda katá, japão, kataítu, kitukitakou no chão!"
Tinha uma que ele perguntava e eu respondia:
"- Menina, tu tá comendo vridro?
- Não pai, tô chupano é preda d'água"
E tinha a introdução do hino nacional:
"Laranja da china, laranja da china, laranja da Chi-na
Abacate, limão doce e tangerina
Quando eu morrer, quero uma cova bem funda
pro tatu não beliscar a minha bunda"
'Tinha aquela clássica também:
"Papai, eu quero me casar!
- ô minha filha, você diga com quem.
- Eu quero me casar com o leiteiro.
- ô minha filha, você não casa bem.
- Por que, papai?
- O leiteiro tira o leite da vaca, e depois vai tirar docê também"
E eu amava essas musiquinhas!
Tuesday, April 24, 2007
Felicidade tem cura!
Duas moças.
Moça 1: Nossa, mas isso é sério!
Moça 2: Não é? hahahaahahhaha!!!!
Moça1: Sim, mas você não disse que ia ao médico?
Moça2: Eu fui!!! Hahahahahaha!!!
Moça1: e aí?
Moça2: Ele me perguntou qual era o problema! hahahahahhaa! E eu disse que o problema era esse!!! hahahahaha Falei: doutor, não consigo parar de rir hahahaha!
Moça1: e o que ele disse?
Moça2: Ele disse que isso não era um problema. hahahahaha, falou que era porque eu era feliz hahahahah! Mas agora estou preocupada, hahahahahha, tenho que parar com isso hahahahaha!!!
Moça 1: Nossa, mas isso é sério!
Moça 2: Não é? hahahaahahhaha!!!!
Moça1: Sim, mas você não disse que ia ao médico?
Moça2: Eu fui!!! Hahahahahaha!!!
Moça1: e aí?
Moça2: Ele me perguntou qual era o problema! hahahahahhaa! E eu disse que o problema era esse!!! hahahahaha Falei: doutor, não consigo parar de rir hahahaha!
Moça1: e o que ele disse?
Moça2: Ele disse que isso não era um problema. hahahahaha, falou que era porque eu era feliz hahahahah! Mas agora estou preocupada, hahahahahha, tenho que parar com isso hahahahaha!!!
Sunday, April 22, 2007
Defeitinhos de personalidade
Vejo que com cada amigo eu tenho uma relação diferente. Já me argumentei se isso não seria uma personalidade múltipla, mas acredito que não. É que tenho o infeliz costume político, e a percepção necessária para isso, de falar apenas o que o outro quer ouvir. Às vezes me assusto com as palavras que falo, que nada tem a ver com meu pensamento, que muitas vezes falam o contrário do que penso. Mas falo mesmo assim, minto. Enganou quem achou que sou pura verdade. Enganou quem acha que me conhece. Enganou redondamente. Me assusto com isso, muito, muito mesmo. Não que eu seja uma má pessoa. Mas sou bem egoísta. Não consigo me sensibilizar com a fome na África, ou atentados homicidas e suicidas, simplesmente não me importo com isso. Acho que somos parte da natureza e estamos aqui pra morrer mesmo. Morreu? Enterra... Nunca vamos ter um mundo perfeito, então não vou me importar com isso. Aí alguns vão dizer: "um dia acontece com você". Se acontecer comigo, eu sofro, e daí? Mais um ou menos um sofrendo no mundo... Que diferença faz?
Mas apesar de todo o egoísmo, gosto de meus amigos, mas muitas vezes não procuro. Quando a vida toma rumo diferente, na maioria das vezes, sumo. Simplesmente esqueço que aquela pessoa existiu. Não é por maldade, às vezes lembro dela com certa saudade. Mas é que não sou muito de sentir saudade, não sou muito de forçar as coisas. Família? Ah... família! Ninguém merece! Família pra mim é mãe, pai e irmã... O resto eu trato com carinho, mas não fico o tempo todo querendo saber o que estão fazendo. Ainda mais porque eles se metem demais, querem saber demais, e eu não gosto de dar muita satisfação.
Agora, quem não ligar pra esses meus defeitinhos, pode ser meu amigo. A maioria das minhas amigas dizem que sou louca, mas continuam minhas amigas, porque apesar dessa rabugisse toda, eu sou até legal. Só não gosto de discutir política e covardias ou crimes no mundo, acho perda de tempo.
Mas apesar de todo o egoísmo, gosto de meus amigos, mas muitas vezes não procuro. Quando a vida toma rumo diferente, na maioria das vezes, sumo. Simplesmente esqueço que aquela pessoa existiu. Não é por maldade, às vezes lembro dela com certa saudade. Mas é que não sou muito de sentir saudade, não sou muito de forçar as coisas. Família? Ah... família! Ninguém merece! Família pra mim é mãe, pai e irmã... O resto eu trato com carinho, mas não fico o tempo todo querendo saber o que estão fazendo. Ainda mais porque eles se metem demais, querem saber demais, e eu não gosto de dar muita satisfação.
Agora, quem não ligar pra esses meus defeitinhos, pode ser meu amigo. A maioria das minhas amigas dizem que sou louca, mas continuam minhas amigas, porque apesar dessa rabugisse toda, eu sou até legal. Só não gosto de discutir política e covardias ou crimes no mundo, acho perda de tempo.
Wednesday, April 18, 2007
Não procurei entender
Ei, moço, pode me dizer que horas são? Que mesmo sabendo que já passa do horário, posso ficar aqui? Pode me dizer que é isso que importa? Que esse é um dos momentos mais lindos que já viveu? Mesmo não sendo verdade, moço. Mesmo que não seja assim... Pode me chamar pra sair com você? Naquelas noites bonitas de lua cheia? Mesmo que não seja romântico, querido, só queria sair. Poderia novamente me dizer as horas? Elas passam tão rápido quando estou com você! Me diga que é mágico nosso momento, que nunca viu coisa igual. Pode me dizer, amigo, que nunca teve companhia assim? Mesmo que já tenha existido uma ou outra igual, mas gostaria de ouvir. Mesmo que seja desculpa, mesmo que seja só vontade. Mas diga pra mim, que é especial, que nunca sentiu algo assim.
Sunday, April 01, 2007
Marina
Se Marina fosse a menina que eu queria que ela fosse, sem dúvida me levaria pra viajar em seus pensamentos. Mas ela nunca soube me conduzir e eu sempre me perdia. Ela tinha seus amigos imaginários, eu tentava ter os meus. Mas muito realista, sempre, não conseguia dar nome a eles. O dela se chamava Escalor, e ele estava sempre no arco-íris, e como existiam arco-íris naquela época! Nina era doce, mas era uma doce muito doce, e eu não entendia sua doçura. Ela, às vezes, ria de mim, e isso doía, doía. Íamos ao clube, ao parque, à feira, e ela sempre manhosa, com sua mania de filha caçula. Eu sempre a mais velha.
Eu tinha ciúme de Escalor, ele a roubava de mim. Ela conversava com ele em noites de lua cheia, quando se formava aquele arco de luz em torno da lua, ele estava lá, e eu também, mas Marina não me via, só via a lua e seu amigo.
Marina tinha os cabelos dourados, compridos, olhos verdes. Eu morena, cabelo cacheado, cabelo e olhos castanhos. E todos diziam para ela não se pintar, que já era bonita com o que Deus lhe deu. E era mesmo.
Eu tinha ciúme de Escalor, ele a roubava de mim. Ela conversava com ele em noites de lua cheia, quando se formava aquele arco de luz em torno da lua, ele estava lá, e eu também, mas Marina não me via, só via a lua e seu amigo.
Marina tinha os cabelos dourados, compridos, olhos verdes. Eu morena, cabelo cacheado, cabelo e olhos castanhos. E todos diziam para ela não se pintar, que já era bonita com o que Deus lhe deu. E era mesmo.
Tuesday, March 27, 2007
Um final feliz na medida do possível
Resolvi ser solidária ao texto do meu amigo Rodrigone e falar sobre o meu péssimo desempenho nos esportes (na verdade é que achei legal o texto dele mesmo). Uma vez eu contei aqui sobre o pé de coelho e o meu desempenho numa simples queimada. Pois é, o tempo passou, cresci e, a cada dia, ficava pior nos esportes... Só que tinha um pequeno problema, eu não era daquelas meninas que ficam torcendo pra professora de educação física lhe tirar do jogo. Não, eu me esforçava. Lembro-me de algumas colegas que a professora obrigava a participar, elas faziam uma espécie de grupo de bate papo dentro da quadra. Geralmente era uma de um time e outra de outro, ninguém mandava a bola pra elas, só quando não se tinha opção, e mesmo assim, elas ou estava muito preocupadas falando das compras que fizeram ontem ou então tentavam pegar a bola em vão, que iria parar ou fora da quadra ou nas mãos do time opositor. Mas essas meninas eram o extremo, e pouco ligavam se estavam indo bem ou mal. Falavam com a professora que não gostavam e que não queriam aprender. Para não atrapalhar o jogo, então, resolveu-se que elas fariam caminhada em volta da quadra enquanto as outras jogavam. Hoje penso que eu deveria estar lá, junto delas, mas não, eu insistia em jogar...
Mas tem uma coisa que é pior que ser ruim nos jogos, é ser alto(a). A família do meu pai é toda alta, eu sou alta e sempre tinha um idiota pra dizer: "nossa, você joga voley? Não? Está perdendo seu tempo. Você joga basquete então? Também não? Nossa! Alta desse jeito e não aproveita. Se eu tivesse seu tamanho e sua idade!!!". Acredito que o Rodrigone tenha passado por isso também, ou estou enganada? Tenho um primo que tem 2 metros, sempre que a gente saía juntos eu ouvia pelo menos uma anta lhe perguntar isso.
Bom, mas o que aconteceu comigo foi o seguinte: começaram a me colocar no gol, eu até gostava de ser goleira, mas o duro era tomar frango. Mas foi na mesma época que eu comecei a treinar Ninjutsu, então aprendi algumas coisas sobre equilíbrio e concentração. Foi aí que consegui me destacar um pouco, virei a goleira da turma, fazia altas defesas e destronquei o dedo da mão direita várias vezes pra defender bolas mais fortes. Bom, mas hoje isso passou e ninguém mais se lembra, nem eu mesmo me lembrava direito.
Mas tem uma coisa que é pior que ser ruim nos jogos, é ser alto(a). A família do meu pai é toda alta, eu sou alta e sempre tinha um idiota pra dizer: "nossa, você joga voley? Não? Está perdendo seu tempo. Você joga basquete então? Também não? Nossa! Alta desse jeito e não aproveita. Se eu tivesse seu tamanho e sua idade!!!". Acredito que o Rodrigone tenha passado por isso também, ou estou enganada? Tenho um primo que tem 2 metros, sempre que a gente saía juntos eu ouvia pelo menos uma anta lhe perguntar isso.
Bom, mas o que aconteceu comigo foi o seguinte: começaram a me colocar no gol, eu até gostava de ser goleira, mas o duro era tomar frango. Mas foi na mesma época que eu comecei a treinar Ninjutsu, então aprendi algumas coisas sobre equilíbrio e concentração. Foi aí que consegui me destacar um pouco, virei a goleira da turma, fazia altas defesas e destronquei o dedo da mão direita várias vezes pra defender bolas mais fortes. Bom, mas hoje isso passou e ninguém mais se lembra, nem eu mesmo me lembrava direito.
Wednesday, March 21, 2007
Tive você na mão, agora tenho um jogo de botão
Ela com ele se sente aprisionada, sem poder viver as coisas que a vida lhe trouxe. Ela olha ao seu redor e acha tudo blasé, e as pessoas perguntam como vai e ela responde "indo".
Ela sem ele é só melancolia, chora, se sente só, sem amigos, sem companhia.
Ele? Não sabe viver sem ela, acostumou-se, também não quer enxergar essa possibilidade.
Ele chora, ela volta, ela chora, ele se vai.
E tudo que ela pensou, tudo que sonhou, que disse, tudo virou pó. A grande revolução, a grande mudança, não saiu do papel.
E agora ela, sozinha, procura entender seus sentimentos, procura se conhecer, mas talvez o medo seja esse mesmo.
Ela sem ele é só melancolia, chora, se sente só, sem amigos, sem companhia.
Ele? Não sabe viver sem ela, acostumou-se, também não quer enxergar essa possibilidade.
Ele chora, ela volta, ela chora, ele se vai.
E tudo que ela pensou, tudo que sonhou, que disse, tudo virou pó. A grande revolução, a grande mudança, não saiu do papel.
E agora ela, sozinha, procura entender seus sentimentos, procura se conhecer, mas talvez o medo seja esse mesmo.
Em algum lugar bem guardado...
Hoje, vindo para o trabalho, me vem a imagem de uma paixão muito antiga. Então, de repente, meu lado consciente se pergunta: O que o X está fazendo nos meus pensamentos matinais? De onde veio esse pensamento?
Então me recordei do sonho que tive essa noite, em que íamos tirar uma foto de família, ele estava na minha frente, virava-se pra trás e me dava vários beijinhos na boca. Mas enquanto ele fazia isso, todos estavam prestando atenção na foto e não viam a gente, e a gente se beijava e ria da situação. O rosto dele tampava o meu, eu não iria aparecer na foto. E, mesmo sendo em meio a várias pessoas, a gente estava se beijando escondido. Mas escondido do quê? De quem? A foto era de família, mas eu não era da família.
Bom, como dizem por aí, você sonha porque reprimiu aquilo. A sociedade não aceita certos tipos de conduta, então você as reprime. Viram sonhos.
Agora que escrevo consigo ver quase que claramente o significado desse sonho. E é tão assustador pra mim que não consigo escrever no blog. O que posso dizer é que ontem me lembrei de várias histórias que se passaram comigo e com uma amiga, que é prima desse cara que sonhei. E que algo que eu não sentia há tempos, que na verdade eu nem me lembrava de ter sentido, voltou. Estranho, muito estranho.
Aos mais íntimos eu conto depois.
Então me recordei do sonho que tive essa noite, em que íamos tirar uma foto de família, ele estava na minha frente, virava-se pra trás e me dava vários beijinhos na boca. Mas enquanto ele fazia isso, todos estavam prestando atenção na foto e não viam a gente, e a gente se beijava e ria da situação. O rosto dele tampava o meu, eu não iria aparecer na foto. E, mesmo sendo em meio a várias pessoas, a gente estava se beijando escondido. Mas escondido do quê? De quem? A foto era de família, mas eu não era da família.
Bom, como dizem por aí, você sonha porque reprimiu aquilo. A sociedade não aceita certos tipos de conduta, então você as reprime. Viram sonhos.
Agora que escrevo consigo ver quase que claramente o significado desse sonho. E é tão assustador pra mim que não consigo escrever no blog. O que posso dizer é que ontem me lembrei de várias histórias que se passaram comigo e com uma amiga, que é prima desse cara que sonhei. E que algo que eu não sentia há tempos, que na verdade eu nem me lembrava de ter sentido, voltou. Estranho, muito estranho.
Aos mais íntimos eu conto depois.
Saturday, March 17, 2007
O que me mata
Não é o efeito borboleta
O efeito estufa
muito menos o cascata
Mas o efeito sanfona
Esse sim me mata!
O efeito estufa
muito menos o cascata
Mas o efeito sanfona
Esse sim me mata!
Monday, March 12, 2007
Rua Rio das Mortes, 666
Um dia, caminhando, você depara com a placa com o nome da rua pregado no muro. Um muro chapiscado, pintado da cor terra. Atrás do muro um galpão, ou seria um escola? Enfim, a aparência é de uma propriedade abandonada. Um vazio toma conta da alma quando se olha para lá. A sensação de não preenchimento é comum no ser humano. Qualquer coisa o afeta. Nesse momento você pensava em se desapegar de tudo, se mudar de cidade, de estado, de país. Sumir nessa imensidão sem dar ao menos satisfação. Mas aquilo é só um pensamento, muito longe da realidade, e você quer viver a realidade, porém não sabe como. Talvez seja esse o motivo do vazio, querer entender deus e todas as coisas que são dessa vida. Encarar o real de frente, às vezes é bem mais fácil acreditar no sobrenatural.
Tuesday, March 06, 2007
A morte é parte importante da vida
Nunca conheci alguém tão desgarrado das coisas como meu avô. Ele nunca teve ambição, sonhos, desejos. Se casou, teve três filhos, ficou enfastiado, sumiu no mundo e a família que se virasse sem ele. Mas afortunado como só ele, morreu na companhia de todos os parentes.
- Vou embora hoje!
Ele repetiu essa frase duas vezes ontem. Sabia que ia morrer e que ia ser naquele dia. Quando a morte vem assim, avisada, aos 97 anos de idade, é tão bela, tão bela, talvez mais que um nascimento. É muito fácil sorrir quando alguém nasce, mas pra mim era difícil não sorrir ontem, ele transcendeu! Se iluminou! Como eu não poderia sorrir? Nunca tinha presenciado uma morte assim, de alguém que não tem o mínimo medo de morrer.
Ouvi meu pai dizer que ele descansou. Mas pelo que conheço de meu avô, a última coisa que ele vai querer é descansar, porque ele viveu tão bem cada momento de sua vida que não se cansou, ele era um jovem brincando de envelhecer.
- Vou embora hoje!
Ele repetiu essa frase duas vezes ontem. Sabia que ia morrer e que ia ser naquele dia. Quando a morte vem assim, avisada, aos 97 anos de idade, é tão bela, tão bela, talvez mais que um nascimento. É muito fácil sorrir quando alguém nasce, mas pra mim era difícil não sorrir ontem, ele transcendeu! Se iluminou! Como eu não poderia sorrir? Nunca tinha presenciado uma morte assim, de alguém que não tem o mínimo medo de morrer.
Ouvi meu pai dizer que ele descansou. Mas pelo que conheço de meu avô, a última coisa que ele vai querer é descansar, porque ele viveu tão bem cada momento de sua vida que não se cansou, ele era um jovem brincando de envelhecer.
Monday, March 05, 2007
Loucuras por amor?
Bom, há tempos queria escrever sobre esse tema, mas nunca vinha a idéia. Fiquei pensando que se algum dia eu fosse entrevistada e alguém fizesse aquela pergunta "qual a maior loucura que você já fez por amor", eu simplesmente não saberia responder. Acho que eu nunca fiz esse tipo de coisa pra chamar a atenção de alguém, o máximo que fiz foi chorar na frente da pessoa ou ligar numa madrugada, isso eu já fiz, mas foram poucas vezes na vida. Então me lembrei de uma história muito engraçada que aconteceu comigo e acho que isso é uma loucura por "amor". Coloco entre aspas porque acho que isso não é amor, é posse. A gente não sabe amar, infelizmente.
Uma vez, há um bom tempo atrás, eu estava num churrasco. Não conhecia quase ninguém e fui apresentada a um monte de pessoas. Porém, tinha um casal daquele tipo alternativo: cabeludos, roupas largadas, tatuagens, sandálias rasteirinhas de couro. Não me foram apresentados, eles estavam longe, mas onde eu ia, percebia que o cara estava me olhando, até que fui ao banheiro e tinha fila pra entrar. Como era na casa de um amigo, só tinha um banheiro. Foi nesse momento que um ser me cutuca, olho pra trás e era ele, o "cara que tinha namorada".
- Oi tudo bom, meu nome é Renato.
- Tudo bem e você?
E começamos a conversar. Não deram 30 segundos e a namorada já estava lá. Ela se apresentou pra mim e já foi entrando na conversa. Jogou seu corpo na frente do corpo do namorado e o fez abraçar sua cintura. Então eu perguntei quanto tempo eles tinham de namoro, mas era mais pra dizer "fique tranquila, querida, não estou paquerando seu namorado". Então ela respondeu, porém não lembro a resposta, e em seguida me disse:
- Ele é o amor da minha vida, fiz até uma tatuagem com o nome dele, quando chegar sua vez eu entro com você no banheiro e te mostro. - não preciso dizer que a tatuagem era num lugar estratégico.
Nesse momento, em que ela me falava isso, ele me olhava com aquela cara de reprovação como quem diz: "o quê que eu posso fazer?". E como eu sou má, me dirigi a ele e perguntei:
-E você, tatuou o nome dela também?
- Não!
- Que pena, achei tão romântico. (6)
E é realmente romântico, por isso às vezes temos que questionar o romantismo. Isso é amor ou é posse?
Uma vez, há um bom tempo atrás, eu estava num churrasco. Não conhecia quase ninguém e fui apresentada a um monte de pessoas. Porém, tinha um casal daquele tipo alternativo: cabeludos, roupas largadas, tatuagens, sandálias rasteirinhas de couro. Não me foram apresentados, eles estavam longe, mas onde eu ia, percebia que o cara estava me olhando, até que fui ao banheiro e tinha fila pra entrar. Como era na casa de um amigo, só tinha um banheiro. Foi nesse momento que um ser me cutuca, olho pra trás e era ele, o "cara que tinha namorada".
- Oi tudo bom, meu nome é Renato.
- Tudo bem e você?
E começamos a conversar. Não deram 30 segundos e a namorada já estava lá. Ela se apresentou pra mim e já foi entrando na conversa. Jogou seu corpo na frente do corpo do namorado e o fez abraçar sua cintura. Então eu perguntei quanto tempo eles tinham de namoro, mas era mais pra dizer "fique tranquila, querida, não estou paquerando seu namorado". Então ela respondeu, porém não lembro a resposta, e em seguida me disse:
- Ele é o amor da minha vida, fiz até uma tatuagem com o nome dele, quando chegar sua vez eu entro com você no banheiro e te mostro. - não preciso dizer que a tatuagem era num lugar estratégico.
Nesse momento, em que ela me falava isso, ele me olhava com aquela cara de reprovação como quem diz: "o quê que eu posso fazer?". E como eu sou má, me dirigi a ele e perguntei:
-E você, tatuou o nome dela também?
- Não!
- Que pena, achei tão romântico. (6)
E é realmente romântico, por isso às vezes temos que questionar o romantismo. Isso é amor ou é posse?
Sunday, March 04, 2007
Eclipse Lunar

Aproveitando o eclipse lunar, resolvi fuçar nas minhas antigas anotações. Lembrei que há muito tempo eu tinha escrito uma poesia que citava esse evento da natureza. Se acharem muito fraca a poesia, levem em consideração que eu devia ter uns 18 anos quando escrevi.
Eclipse Total
O eclipse aqui é total
Pode-se ver as estrelas no céu, meu bem
Eu queria arrancar a raiz do mal
E queria te arrancar daí também
Se eu pudesse estar aí
Junto com você, estaria
Tudo seria diferente, sei
Mas era o que eu mais queria
Dias e noites são iguais
E a vida anda assim
Às vezes rápida demais
E noutras uma angústia em mim
O que será que você faz agora?
Hoje sonhei com você
Sonhei que estava na cidade onde você mora
Eu te procurava, mas não achei
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