Sunday, December 27, 2009

Aprendendo com os erros (à duras penas e com prejuízos reais)

Imagina: largar tudo e ir de mochilão para a Europa? Já pensou? Mas a dor realmente nos faz ter vontade imensa de fugir dela. E nossos aforismos e estupidez? Palavras que não deveriam ser ditas nunca, gestos que jamais deveriam ser feitos? Mas depois do leite derramado não se deve chorar. Pedir desculpas parece falso. Você se encontra fora de lugar. É como se não houvesse forma de voltar a situação anterior. E não há mesmo! Ficou a mágoa, dos dois lados, ficou a dor, ficou a própria resistência de voltar atrás.

Algumas vezes, por algumas pessoas raras na minha vida, cheguei a perdoar pra valer e pedir mesmo perdão. Na verdade foi por uma só pessoa que fiz isso, e não me arrependi.

Mas parece que a gente sente um certo medo da rejeição ou de ouvir duras palavras. Aquilo gera fingimento, inimizade, falsidade sobretudo.

Aí que vejo que existe em tudo isso um círculo vicioso, toda hora caimos na própria armadilha. Sim, nós armamos contra nós mesmos. E assim nos sabotamos. Íamos bem, éramos íntegras e nos desmorona tudo de uma vez, nos deixando sem chão.

(Para minha amiga C. que me fez cia nessa noite um tanto insone, espero, de coração que encontre o BOM caminho, seja o mochilão ou algum outro e que seja feliz. Sim, aprendemos muito com nosso erros)

"Pouco adiantou
Acender cigarro
Falar palavrão
Perder a razão

Eu quis ser eu mesma
Eu quis ser alguém
Mas sou como os outros
Que não são ninguém

Acho que eu fico
Mesmo diferente
Quando falo tudo
o que penso realmente

Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
E uso as palavras de um perdedor

As brigas que ganhei
Nem um troféu
Como lembrança
Pra casa eu levei

As brigas que perdi
Estas sim
eu nunca esqueci
eu nunca esqueci"

Pato Fu

Saturday, December 19, 2009

Férias!

Férias... cama e lençol fresco. Barulho de alguém varrendo a rua misturado com alguns carros passando e passarinhos cantando.

Férias... vento fresco que bate lentamente em meu rosto, pensamentos de um ano novo produtivo e feliz, varrer as coisas do ano que está passando para fora de casa, limpar, purificar o ambiente.

Férias... mas sempre um pouco de piano, presentes para amigos mais próximos, simpatia, sorrisos, planos para fazer mais amigos em 2010, para fazer mais arte, viajar.

Férias, pintar as unhas de amarelo e ir para a piscina sem medo de ser feliz, porque a vida é feita de trabalho, mas também de descanso. De produção, mas também do ócio.

Férias!

Sunday, November 22, 2009

Livrando de culpas

A vontade de falar tudo que lhe vinha a cabeça era tanta, tanta, mas ninguém quis ouvir. Ela queria gritar porque, pela primeira vez na vida, sentia-se livre daquele fardo que carregou tanto tempo. Pra alguns ela queria dizer que esquecessem o que ela fez ou disse no passado, que agora era outro tempo, que ela tinha mudado. Ninguém novamente quis ouvir. Já não acreditavam mais? Ou ela é que não tinha que dar satisfação a ninguém? Quanta mentira vivida, quanto tempo perdido, pricipalmente com pessoas que não lhe interessavam mais.
Ela resolveu então abrir os braços para o novo, de costas para o velho, e encontrou lá a alegria e o vibrar de cores e sons. Foi seguindo para sempre sem olhar pra trás. E assim foi, sem se culpar, vivendo cada dia de uma vez, sempre tentando manter o bom humor. E hoje, se a tristeza vem, ela chora, mas não quer provar para ninguém que a dor dela é verdadeira ou maior que a de ninguém.

Saturday, November 21, 2009

Agora no quarto ela chora
Nunca imaginei sentir assim
Triste com essa notícia

Ele a deixou
E eu que sonhei tanto pra isso acontecer
Agora já não queria mais
Porém não valeria nada eu querer
Pois ele já não me quer mais

"O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
e quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu"

Lágrimas Negras

Ah meu amor
Se eu pudesse entender
as palavras que diz
os olhares que dá

Entender sem ter que ler
sem ter que pedir tradução
Se eu soubesse, amor

Mas não sei

Não sei do seu sofrer
Não passei por isso
E você diz ser real
Eu sei que é real
Mas não sei a dor de viver
de nascer e ser como é você

("Na frente do cortejo O meu beijo Forte como aço Meu abraço São poços de petróleo A luz negra dos seus olhos Lágrimas negras saem, caem, doem Por entre flores e estrelas Você usa uma delas como brinco Pendurado na orelha Astronauta da saudade Com a boca toda vermelha Lágrimas negras saem, caem, doem São como pedras de moinho que moem Roem, moem E você baby Vai, vem, vai E você, baby Vem, vai, vem Belezas são coisas acesas por dentro Tristezas são belezas apagadas Pelo sofrimento Lágrimas negras saem, caem, doem")

Tuesday, October 27, 2009

Eu Te Sigo

Eu te sigo, sempre, nunca deixei de te seguir. E corro, e olho. Tremo quando te vejo ou quando percebo que há ainda um restinho de mim em você. Sufoco. Me sufoco. Te acho ridículo, te odeio. Mas continuo indo atrás, sem você saber. Eu quero notícias, quero saber que você está vivo, quero seu rastro. Lembrar muitas vezes é ruim, mas pra mim não, lembrar pra mim é apenas ver que não houve erro, que tudo aconteceu como tinha que ser. E eu lembro, e me corroo, e às vezes dói, às vezes não. Altos e baixos, procurando sempre por você, meu único e eterno paradeiro.

Monday, October 26, 2009

Paixão x Felicidade

Ela se apaixona e vai cega em direção àquilo que ela considera a sua felicidade. Mas essa felicidade nunca chega, sempre está no caminho. Sonhando em meio aos destroços que sua vida se tornou. Talvez não veja que a maior culpada disso tudo seja ela mesma ou talvez saiba, mas prefira culpar o outro. Ela chora muito, ela chora sempre, sempre infeliz procurando a felicidade perdida. E onde ela está? No seu futuro promissor, nas coisas grandes que irão se realizar, porque deus quis, nem é por lutar, pensar positivo já ajuda. Ela tem muita vontade e ideias novas, sempre querendo melhorar, mas não age. Por que nós, humanos, temos essa mania de viver no sonho e não buscar no agora as coisas que nos fazem bem? Por que temos que viver com esse pensamento no futuro melhor que nunca chega? Por que não voltamos às coisas simples da vida que nos torna mais felizes? Será que nós buscamos a infelicidade?

Talvez a resposta disso tudo seja que a paixão nos cega, nos faz ver as coisas de maneira deturpada, e deixamos de amar, passamos a ter posse ou a querer possuir. Passamos a culpar o outro pelas nossas frustrações porque deixamos de nos conhecer. Deixamos de saber o que é melhor para nós, o que é essencial, e buscamos lixos e luxos.

Monday, October 19, 2009

Um dia offline é muito

Que mundo vivemos tão diferente do que tínhamos há poucos anos atrás... Sei que isso que digo é, de certa forma, algo que todo mundo tá cansado de ouvir. Porém ontem eu passei o dia todo sem me conectar à internet, era um domingo, dia de descanso, entretanto achei muito estranho e vi que um dia offline é muito tempo e sinto que poderia estar me atualizando de alguma forma. Paranóia? Pode ser que sim.

Sempre gostei de escrever e minhas noites de adolescência seriam menos solitárias caso eu tivesse toda essa estrutura para utilizar. Na época me lembro de perder o sono e passar a noite escrevendo, lendo cartas, lendo livros, vendo fotos.

Claro que ainda os leio e os lerei sempre, mas hoje tenho livros no meu computador (e também impressos), e-mails de amigos queridíssimos, contatos comerciais, fotos, letras de músicas e a impressão de não ter mais tempo para tudo que quero fazer.

Sempre gostei de criar: letras de música, poesias, textos e artesanatos. Porém escolhi estudar administração, ao invés de letras, design, belas artes. Não sei porque, mas todos diziam que tudo isso não daria dinheiro: caí. Agora vivo entre duas profissões uma para me dar o sustento e outra para me dar o prazer. Um dia eu junto os dois numa só ocupação. Mas por enquanto vou curtindo e agradecida de ter tudo que tenho.

Monday, October 12, 2009

O Vazio

Era eu, outrora, muito preocupada e interessada no conteúdo. No conteúdo das pessoas, no conteúdo dos livros, no conteúdo das letras de música, no conteúdo das conversas... Procurava sempre preencher-me. O que de bom aquilo era pra mim? Depois fui ver, que, quando se trata de existir, o conteúdo é sempre o mesmo. Existe ou não existe... Ponto. Passei a desconsiderar alguns conceitos que tinha sobre a futilidade, apesar de achar que a vida é, de certa forma, fútil. Queria conhecer pessoas que transgredissem regras sociais, que fossem modernas e que tivessem mente aberta, mas, na verdade, é apenas uma forma de eu não ter que conviver com as pessoas normais, as pessoas que existem, carne e osso, pessoas comuns, filhos de Ogum, Oxum ou sei lá o que. Era uma maneira de fugir. E o mais interessante é que ao me inserir em certo grupo, eu descobria que não era bem aquilo que eu procurava e sim uma coisa muito melhor. Um caminho novo, nunca antes navegado, um caminho único, o meu caminho. Mas nada, nada me preenchia nessa busca constante da felicidade e do existir, por isso mesmo acho que já estou, na verdade, em excesso preenchida e agora, o meu papel é esvaziar-me, esvaziar-me, esvaziar-me até eu deixar de ser.

Monday, October 05, 2009

Elvis

Ele me segurava forte, me abraçava e era tão bonito que minhas pupílas se dilatavam e minha face enrubrecia. Ele sabia disso, ele gostava de provar para si mesmo que era o sonho de várias mulheres. Era meu amigo. Infelizmente a vida tem suas contingências e aquele ano foi um ano duro para nós dois.

Ouvíamos a mesma música várias vezes ao dia. Não tínhamos muito o que fazer, é bem verdade, nosso trabalho era esperar. E nisso fumávamos um cigarro, ríamos, passávamos frio de braços dados e fomos criando uma intimidade que só verdadeiros amigos tem. Posso vê-lo só daqui a 200 anos, mesmo assim sei que será como se o tivesse encontrado ontem. Ele me fez enxergar muita coisa bonita. Me fez enxergar que eu sou bonita.

Acho que nunca me esquecerei de seu sorriso, do carinho que tinha por mim, tanto que tenho saudade dele até hoje. Tento contato, porém ele sumiu, está como eu, trabalhando muito e de verdade, não como era naquele tempo... Tempos estranhos, eu diria, terminei metendo os pés pelas mãos, tanta coisa aconteceu... Até que tentei tirar Elvis das minhas fantasias, dos sonhos de saber como seria lhe dar um beijo, o coração dele tinha dona, mesmo que ela não quisesse, era dela.

Foi então que resolvi cortar isso e ter algo real, com outro homem, pois o real estava batendo a porta e eu não podia mais esperar. E amei, de forma tão inesperada que já nem sei o que foi aquilo que senti. E quase morri quando ele me deixou. Parecia que eu ia afundar no colchão da minha cama até chegar no chão, até me sufocar em meio aos lençóis, travesseiros e edredons. Senti a dor de quem perde alguém muito especial, mas hoje o que foi aquilo que vivi?

Pra mim ficou Elvis. Elvis e seus cabelos lisos, sorriso largo, abraço quente. Elvis e sua melancolia, angustia, baixa auto-estima. Elvis e sua paixão mal-resolvida, sua galinhagem, sua mania de ser um macho alpha. Elvis e eu. Para sempre.

Wednesday, September 30, 2009

Ainda bem!

Ainda bem! Ainda bem que eu fui embora e te perdi pela distância... Ainda bem que agora estou salva aqui. E eu não te perdi pra ninguém. Eu te perdi, porque na verdade eu nunca tive. Ainda bem que aqui eu não ouço sua voz e não te vejo todos os dias, ainda bem...

E pensar que eu até acreditei que tinha achado um oásis no deserto, naquele dia que nos conhecemos melhor. Nunca sei se os homens que conheci serviram para me fortalecer ou para me desiludir de vez. E agora vejo você encontrar a "mulher da sua vida" e AINDA BEM que estou bem longe, que assim sinto a dor bem fraquinha no peito. E nem acredito nisso, não acredito mesmo, não há ninguém feito pra ninguém... Nada é eterno, e isso é mesmo o que me consola.

Eu sei, eu não sirvo pra isso, eu faço minhas loucuras, eu me jogo, eu não meço limites, eu sou uma artista e artistas nem existem, representam o tempo todo, e nem sei se essa dor que estou sentindo é mesmo minha. Tenho cansado de representar certas coisas e quero partir para outras, e já é chegada a hora. E ainda bem que já vou me embora.

Saturday, September 26, 2009

De coração para coração

"Mais uma vez bom dia! Com todo respeito, hoje você está muito bonita! As mulheres ficam muito bem quando estão vestidas de branco. Demostra um aspecto agradável...
Mas, escrevi estas palavras, não apenas para lhe elogiar e sim para lhe agradecer mais uma vez pelo consolo qe você me deu naquele dia em que não fui forte o suficiente para conter as minhas lágrimas. No momento em que você pegou nas minhas costas eu senti uma imensa segurança... foi como a mãe fazendo carinho no filho...
O que me ocorre nada mais é do que uma doença psicológica conhecida como depressão. Mas já estou tendo acompanhamento de um profissional e logo estarei livre disso. Hoje estou muito feliz, pois dês de terça-feira eu não tive nenhuma crise. Estou lendo uma revista, e na matéria encontei uma frase de um cientista britânico que diz o seguinte:
"Se acreditarmos que podemos vender, nós venceremos. A confiança é um pré-requisito para a vitória".
Tolice da minha parte, de acreditar que eu nunca seria vítima de doença psicológica... mas agora eu sei que isso é possível e que eu sou um ser humano qualquer, com sentimentos como qualquer outra pessoa.
Nessas horas é que nós percebemos quem são os nossos verdadeiros amigos. Se você quiser ler a fraso do cientista britânico, pode vir à minha máquina. Ela está em cima do meu CPU. Mais uma vez obrigado pela atenção que você me deu! E tenha certeza absoluta de que sou muito grato a isso. Obrigado!"

Fazendo faxina nos documentos da empresa achei essa carta, sem data, sem assinatura e sem destinatário, me apropriei dela, achei fantástica e resolvi colocar no blog. Transcrevi exatamente da forma que o remetente escreveu para não perder a essência. Achei muito linda, gosto de cartas, acho românticas e parece que você está ali, totalmente vulnerável, dizendo "esse estranho aí sou eu".

Sangria Desatada

"Sangria desatada", lembro do meu pai usar essa expressão quando nós, ainda pequenas, sofríamos um pequeno acidente ou qualquer coisa de ruim nos ocorria, porque estávamos ansiosas ou correndo ou brincando. Enfim, sei que me lembrei hoje dessa expressão e, como não escrevo aqui há um tempo, pensei, "por que não fazer um post sobre isso?"

Hoje mesmo, eu, na sangria desatada de puxar a gaveta, acabei quebrando minha unha, que estava ficando linda. Agora sou mais uma mulher sem classe de unhas curtas e vermelhas.

O que você entende sobre "sangria desatada"? Pra mim, sangria desatada é desesperar-se e sair fazendo coisas sem pensar nas consequências, só para fazer logo ou para ficar livre. Meu pai é quase um sábio, as pessoas do interior parecem mais sábias, "perdem" mais tempo lendo livros que não são os da moda, vivem mais devagar, comem frutas, comem devagar, curtem o domingo com tranquilidade. Nós, das grandes cidades, vivemos nessa sangria desatada, corremos pra lá e pra cá e sentimos solidão quando ficamos algumas horas sozinhos.

Ontem li algo no blog da HStern sobre a mulher atual. Diziam que ela cobra muito de si mesma. Uma perfeição inalcansável, não aceita errar, não aceita esquecer, ou seja, vive numa sangria desatada para conseguir seu lugar ao sol, ao lado, ou talvez até à frente do homem, não é?

E o que dizer de alguns donos de empresa que estão sempre ao telefone, reclamando de algum funcionário, sendo grosseiro com as pessoas das quais ele depende? E o que dizer da dona de casa que muitas vezes vive correndo atrás dos filhos novos e vive descabelada, desarrumada e gorda? E o que dizer de nós que vivemos procurando a fama e o reconhecimento no munda da internet? E o que dizer de quem fuma um cigarro atrás do outro?

Estamos sim, numa sangria desatada!

Wednesday, September 09, 2009

Porque era ela, porque era eu...

Ela, motivo de alguns textos meus, viveu intensamente em minha vida há algum tempo atrás, e não faz tanto tempo assim... Hoje é uma data especial. Naquele ano foi comemorada como uma grande data para nós, ríamos, desejei-lhe muitas felicidades. Mas a vida é tonta e nos iludiu, e realmente não foi um ano feliz.
Tenho mágoas sim, mas na verdade tenho mais é saudade. Saudade de quem ela era antes de eu realmente a conhecer. Amiga, doce, bela, engraçada... Tínhamos momentos de muita sintonia, ríamos das mesmas coisas, nos divertiamos tomando café, almoçando. Ai... já não sei mais, agora já acho que sinto realmente mais mágoas que saudade...

Tuesday, July 07, 2009

Plínio Marcos Escracha

Bom, como eu disse no post anterior, resolvi ler O Abajur Lilás e Oração para um pé-de-chinelo de Plínio Marcos. Então fiz uma minipesquisa na internet e tudo que achei, gostei. Biografia do autor:

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_674.html

Eu gosto de pessoas polêmicas, que dizem pra gente se sacudir, que o mundo não é cor-de-rosa, que existem milhões de pessoas por aí e que, na maioria das vezes, são vítimas de um sistema e nada podem fazer pra mudar a situação. E no site www.pliniomarcos.com.br eu achei sitações dele que falam sobre isso:

"Não faço teatro para o povo. Faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só por isso faço teatro."

"O povão só berra da geral sem nunca influir nos resultados."

"Minhas peças são atuais porque o país não evolui."

Essa frase em particular me causou um certo êxtase, pois é realmente o que se sente ao ler as peças, são peças dos anos 60, porém atuais como nunca! A miséria, o sentimento de não ter em quem confiar nesse mundo, a forma como o marginal é visto como um nada absoluto, um ser que não deveria existir. Nunca se preocupam em curar o mal ou tentar não criar o mal. Preocupam sim, em manter-se no poder, e para isso, não importam as vidas que vão se perder no meio do caminho. E quantas já perdemos? E quantas perderemos?

Como todo bom dramaturgo, artista, jornalista, cidadão, Plínio Marcos foi perseguido pela censura e, claro, sabotado pela mídia, mas não desistiu:

“Ai, eu me organizei pro pior. E o pior veio. Muito pior do que eu imaginava: na base do maldito ninguém-me-procura. Mas, eu era mais eu. Editava meus livros, na base do crédito naturalmente. E saia vendendo. E ia tocando a catraia contra a maré.”

E quem nunca se sentiu assim, digamos, sabotado, por tentar abrir os olhos das pessoas, por tentar mostrar que esse caminho do poder não é o caminho certo?

Vou falar um pouco sobre as duas peças, o que eu senti ao ler. Mas vou deixar a história um pouco de lado, pois prefiro que vocês mesmo leiam.

O Abajur Lilás: http://www.pliniomarcos.com/dados/abajur.htm

O que eu senti lendo O Abajur Lilás foi uma mistura de angústia, um sentir-se a parte desse mundo marginal e a hipótese de que se eu fosse uma prostituta, como seria minha vida... Ao mesmo tempo que você acha que está longe desse mundo, na verdade isso é ilusório. Imaginei a angústia da mãe prostituta que entrou naquele mundo, antes era só ela, engravidou e agora não tem como sair daquilo, ou não sabe como sair, não conhece outra realidade. Lembrei de quando eu participava de um grupo de voluntários da igreja que davam sopa na rua nas sexta-feiras à noite em BH. Uma vez eu carreguei uma criança com cerca de 1 ano, era um menina. Ela se agarrava a mim e tinha um choro sentido, um choro de "não me abandone", e isso foi uma das coisas que me fez desistir de trabalhar com aquilo, é muito pro meu coração. Essa criança ficava na rua com estranhos enquanto a mãe se prostituía. Um senhor, que cuidava dela naquela noite, me disse que sabe-se lá o que outros faziam com ela. Que a mãe deixava com qualquer um porque precisava trabalhar. Tive uma vontade enorme de levar aquela criança pra minha casa e nunca mais a deixar abandonada na rua, meu coração doeu, aquele foi um dia triste pra mim. Abandonei o projeto não pela dor que me causou, mas sim porque acho que é uma medida paleativa e não uma solução para o problema. Atualmente quero voltar a trabalhar com isso, mas de uma forma que eu realmente vá ajudar o próximo.
Lendo a peça, senti também a fraqueza da carne, como somos fracos sobre tortura e como só os fortes conseguem passar por uma tortura sem denunciar ninguém, ou então só se for um amor muito forte e verdadeiro, onde você prefira morrer torturado a denunciar o outro.

Oração para um pé-de-chinelo: http://www.overmundo.com.br/overblog/oracao-pro-pe-de-chinelo

Achei interessante o título, porque de alguma forma liga esta peça à primeira (só vai entender quem ler). São peças bem parecidas, mas com desfechos diferentens.

As duas peças passam uma sensação de não ter o que fazer, não ter como escapar, como se a vida fosse só deixar o curso seguir, com tudo praticamente premeditado, dia após dia. A falta de confiança no outro, estar sozinho no mundo, não confiar em ninguém, não ter amigos.

É muito interessante também como ele faz uma linguagem marginal, os palavrões, a forma de falar malandra. "Que merda! Que merda! Que merda!" ou "Eu não matei meu pai a soco!"

Gostei muito de ler essas peças e recomendo aos amantes da arte. Embora eu acredite e tenha amizades verdadeiras, em quem confiar e a quem amar.

Bom, sem mais por enquanto. Próximo livro: Ai de ti Copacabana - Rubem Braga

Faxina na Biblioteca

Meus pais são duas figuras... Apegados demais com certas coisas e desapegados demais com coisas que geralmente consideramos importantes. Desde pequena vivi numa casa com muitos livros, desde pequena li vários autores, vários livros históricos, vários livros técnicos e, confesso, alguns livros esotéricos.
Antes do meu suspeito ateísmo eu era, de certa forma, um tanto mística. Fato é que ainda sou, ainda acredito que eu tenho uma visão além do alcance (olho de Tandera). Mas eu não tento mais explicar isso, eu parei de ler esses livros que, em geral, são livros de auto-ajuda.
Uma das coisas que meus pais se apegam são livros, em alguns casos eu concordo, outros não. E hoje eu sou adepta do e-book, acho prático, podemos riscar, podemos utilizar mais facilmente citações em nossos trabalhos, e, a melhor coisa do e-book: não acumulam poeira e não ocupam espaço.
Para uma pessoa alérgica como eu, ter uma mini biblioteca no quarto é suicídio, mas eu tenho. Culpa de não ter espaço suficiente em outros locais da casa, culpa minha também, por ter desenvolvido essa alergia só depois de mais velha.
Bom, sei que fui fazer uma faxina na estante, tirei todos os livros, separei por temas: os de administração (livros que li ou tentei ler durante o período de faculdade), os de psicologia ou "psicologia" (porque alguns, como os do Jung, não são aceitos pelo CRP), as enciclopédias (pra mim é um grande elefante branco, não servem para muita coisa, morro de alergia, prefiro pesquisar no google, mas não posso doar, pois meus pais são apegados e tal), e, enfim, os romances, bibliografias, peças de dramaturgia, ou seja, a fatia gostosa do bolo.
Na minha grande neurose, pensando que a mente precisa de um lugar organizado para se organizar, querendo "limpar as energias" do meu quarto e melhorar, assim, minha vida. Resolvi colocar os livros na estante em ordem alfabética de título. E agora, minha meta é ler um a um e provar que se os livros existem, devem ser lidos. O primeiro da lista é uma peça de teatro chamada Abajur Lilás, O - Plínio Marcos, no mesmo livro e em seguida tem outra peça: Oração para um pé-de-chinelo. Vou ler e pesquisar sobre o dramaturgo e este será o próximo tópico do meu blog. Divirtam-se com a minha falta do que fazer!

Friday, July 03, 2009

Arroz para Sushi

Ingredientes:

1kg de arroz japonês
10 colheres de sopa de vinagre de arroz
4 colheres de chá de sal
4 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de saquê (para cozinha)
7 xícaras de chá de água
2 unidades de Kombu(alga) em tiras

Lavar o arroz até que a água fique clara (e isso demora, demora, demora...)
Despejar numa panela grossa.
Acrescentar água fria e o kombu, tampar e descansar por 30 min a 1 hora.
Cozinhar até ferver, baixar o fogo até a água secar.

À parte
Levar ao fogo brando o vinagre de arroz, com o sal, o açúcar e o saquê (lembrando que é o para cozinhar). Mexa até que o sal e o açúcar derreta.

Deixe o arroz pronto na panela tampada por 10 minutos. Após isso passar o arroz para uma bacia de plástico. Colocar o tempero da panela. Cortar o arroz em cruz. Resfriar o arroz rapidamente dando nele um choque térmico.

Cobrir o arroz com pano úmido até usá-lo.

Eu já fiz diversas vezes essa receita, vale a pena? Se você quiser sofrer, vale. Demora pra caramba e depois tem que enrolar, cortar o peixe e montar o sushi. Eu voto no sashimi ou no tradicional japonês a quilo mesmo. Mas pra quem quiser, taí! Enjoy it! ;)

Tempestade

Agora, nesse momento, a chuva aqui onde moro está muito forte. Eu adoro chuva, mas apenas quando estou abrigada. Covardia? Talvez seja.
Quando chove assim, forte e intenso, gosto de olhar pela janela. Às vezes imagino que as gotas nos vidros da janela são lágrimas e, se tenho vontade, choro junto com elas, como se eu não chorasse sozinha.
A água não para de cair, tudo se inunda, inclusive minha cabeça de lembranças e pensamentos. Quando pequena me sentia muito só, sempre fui, desde criança, uma pessoa sozinha. Detestava domingos, ainda mais se chovesse. Mas essa chuva, contraditório ou não, que tanto adoro, me remete à minha solidão. Sem a qual não viveria bem. Gosto de ter amigos, sair, conversar, mas o que realmente gosto é de estar só. Quando chove sempre estou sozinha, a chuva nos isola dos outros. Assim fico eu e ela, a tempestade. Por algum tempo somos uma só. Nossa intimidade é tanta que ela se atreve a entrar em meu quarto e molhar meus papéis. Fico furiosa, brigamos, mas logo eu a perdoo, não vivo sem ela.

Monday, June 29, 2009

Que destino!

Mas morrer é sempre bom. Nunca ouvi ninguém reclamar. E os que ficam, exclamam:

- Oh! Que vida é essa?!

Ballet atômico

Ele errou mais uma vez, como era de se esperar. E eu aqui, pensando em mil coisas, pensando que não poderia ter sido diferente e que ele nem era tão bom assim. Medo da solidão? Coisa mais ridícula! Deveríamos ter medo de nunca mais ficarmos sozinhos, com tanta gente no mundo, 6 bilhões de pessoas estranhas. Na minha cidade são 2,5 milhões de pessoas, não há mesmo como ficar sozinho.

Agora, daquelas reflexões malucas sobre a vida... O que estamos fazendo aqui, o que é tudo isso? Uma dança de átomos que insistem em cada dia ser uma coisa diferente? Um ballet atômico? Ou foi Deus que deu um grito e tudo se fez? E como ele fez tudo isso a partir da não existência? Perguntas que dançarão por entre lugares vazios, por entre a extinção do homem.

E sobre catástrofes e fim do mundo? Eu acharia ótimo... Tudo deixar de existir, um espetáculo lindo de se ver. A explosão de tudo, o fim de tudo. Mas se chegou ao fim é tempo de um novo início. Vai ser melhor que antes? Vai ser igual?

Monday, June 22, 2009

Noivas

Por que as mulheres se vestem de noiva e vão tirar fotos no meio do mato? Não é, assim por dizer, uma coisa estranha? É como se noivas estivessem sempre entre laguinhos, patos, casarões antigos e cavalos...
Será que um dia eu vou "pagar esse mico"?

Sunday, June 21, 2009

A Outra

Talvez ele não entenda porque eu aceito para mim o que eu aceito para mim. Ele é meu amigo, me quer bem, se importa comigo e diz que se não fosse por ela, quem sabe, não poderia sonhar comigo? Eu e ele, juntos, e ela no calcanhar.

Patricinhas

E elas passeiam indomavelmente com seus cachorrinhos magrelos, colocam neles uma coleira escrita "segurança". Realmente é um cachorro seguro. Se ele te morder, basta lhe dar um chute e pronto, jaz morto!

Perseguida

Um frio danado, pessoas passeiam com seus cachorros, adolescentes latem e eu, claro, sou mais uma vez perseguida por leitores assíduos da bíblia. Eles olham para mim e pensam: "presa fácil". Talvez seja o significado do meu nome: "calma como uma ovelha", ou um imã invisível que faz a minha mente ser atraída pela deles. Talvez eu tenha um chip implantado e eles, caçadores de pessoas carentes, imediatamente me rastreiam e:

- É aquela ali! Dê um livrinho de como Deus criou o mundo em 7 dias pra ela!

Paz!

A unha roxa de tanto frio, a folha se acabando, a necessidade de escrever. A espera, a bela praça, a paz em meio ao caos. Acho que é só assim memo que a paz acontece, no olho do furacão.

Mãe Evangélica

Ao acordar ouvi uma mãe gritar:

- Vou dar um bicudo nesse menino que eu vou jogar ele lá dentro da igreja!

Como são boas mães essas evangélicas!

Monday, May 04, 2009

Máscara

Está aí o motivo pelo qual acho que não gosto de grandes festas, de muita euforia, de carnaval: não gosto de máscaras, nunca gostei e quase não as uso. Quando tinha 17 anos escrevi uma poesia para um livro que seria publicado no meu colégio, um livro só com poesia dos alunos, era a seguinte:

"Lutar e vencer
ou amar e viver?
tem que haver escolha
na primeira ganharei uma máscara
na segunda me transformarei"

Desde muito nova sempre fui angustiada com o existir, com o ser. E sempre tentei ser autêntica, não pelo outro, mas por mim mesma, porque "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". É muito difícil uma pessoa mentir para mim e eu não desconfiar. Porém sou um tanto Sherlock Homes e não me sinto em paz enquanto não decifrar toda a mentira, toda a trama...

No entanto, vejo que talvez isso não seja mais necessário, que não é isso que vai me fazer menos ou mais feliz, satisfeita. Não é necessário saber o porque da mentira alheia e nem saber porque você é o alvo. Acho que a vida é bem mais simples. Você pode escolher entre ser realista ou acreditar na ilusão que querem que você acredite. Ser realista é lindo! É ver o mundo como ele realmente é, pelo menos através da sua visão. "É não ser adaptável as normas da vida" como diria Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos.

Assim acabo me sentindo como se vivesse num mundo à parte, mas não quero ser o centro das atenções, meu nome não é Umbigo. Simplesmente vejo que não há mais o que acreditar, é como se eu tivesse que aceitar a vida como é, sem ilusões, sem "estéticas com o coração"!

Para quem nunca ouviu o poema "Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa" de Álvaro de Campos, declamado por Jô Soares, vale a pena ouvir no youtube:

Tuesday, April 14, 2009

Continuo fechada

Talvez seja um tanto perplexa e um outro tanto traumatizada que escrevo isso aqui. Não sei se deveria, mas acho que é interessante para outras mulheres que passam o mesmo que eu.

Seguindo os conselhos de um amigo, que tenho em mais alta estima, resolvi me "fechar para balanço" até ouvir dentro de mim qual era a realidade do meu sentimento, o que eu realmente queria de um relacionamento. Durante esse tempo não apareceu ninguém que mexesse comigo, mas apareceram algumas paquerinhas, olhares, coisas do tipo.

É bom lembrar, que pouco antes de me "fechar", conheci um esquizofrênico, obviamente, eu não sabia que era doente. Esse cara se apaixonou por mim e queria algo "sério". Mas por ele ter se revelado esquizo, não tive coragem nem de avançar meio passo. Sorte minha da honestidade dele.

Agora fico pensando o porque isso vem acontecendo incessantemente comigo: estamos todos doentes? Existe mesmo a tal lei da atração? Tenho que fazer uma terapia para conseguir identificar o que eu faço para atrair isso pra mim e conseguir identificar meu erro e corrigir? O que devo fazer?

Estava eu, sossegada, vivendo minha vidinha, que hora é besta e hora é a melhor do mundo. Me aparece um sujeito que me fez acreditar novamente. Me contou histórias de uma vida que hoje vejo ser pura farça. Mais um farçante, mais um esquizo?! Sem preconceito, que me perdoem os esquizofrênicos que lerem isso. Não é essa a questão. A questão é toda minha, porque atraio isso pra mim, ainda mais sendo tão transparente.

Vocês não imaginam minha fobia e espanto ao escrever tudo isso e ir lembrando detalhe a detalhe, que não vou relatar aqui. Como ele me envolveu na teia de mentiras e como eu caí novamente. Não estou me colocando como vítima indefesa, é apenas muito triste saber que algumas pessoas nos mentem olhando nos olhos e por nada, gratuitamente.

Thursday, March 05, 2009

Reflexões numa noite quente

E da vida achei engraçado
passar ao meu lado a mãe com quatro filhos
Ela e seu amor, muito bem dividido
E eu, que nem sei se os terei, os quatro filhos

Achei também graça
Dos meus olhares de desejo
Coisa de menina mimada
Que deseja justamente aquilo que não pode ter

Achei divina a ideia de ter que se conformar
Conformar em ser o que é
Em ter o que se tem

Achei graça da solidão
Da minha deliciosa solidão
Aquela das noites quentes de Belo Horizonte
Da minha e da dela
A solidão da mãe com quatro filhos

Ri também e me diverti
Com o automóvel que vinha em minha direção
Um homem belo o dirigia
Claro que aprendi que as aparências enganam
Lembrei de palavras, algumas que tento não falar
Achei engraçado o autocontrole
Era um dia pra se rir
E qual não é?
Autocontrole... Pensar antes de falar...
As aparências enganam, as palavras não mais.

Resposta de um email

Amei, lindas, lindas!
Que tesão! babao
Seus auto-retratos, sempre bonitos.
Bjo.

Wednesday, March 04, 2009

Bela

Nascida mais para ser amada que para amar. Apesar da sede que sente em amar. Parece um tanto contraditório, mas não é. Encanta mais que é encantada... Quisera ser mais encantada que encantar. De forma doce, ela não segue ninguém, é seguida, porém quisera seguir. Achava não ter vocação para guia, mas entendeu que nessa vida não se escolhe certas coisas. Gostar. Palavra bonita, mas tão estranha para ela. Gosta de todos, ao mesmo tempo de nenhum. Altiva, admirada por muitos, detestada por alguns, quase nunca ignorada, sabe olhar nos olhos, dizem até que lê pensamentos... Como água, ela invade, arrasa, destrói, limpa e vai embora. Sabe quando tem que ir, sabe quando tem de ficar. Será que existe o equilíbrio entre gostar e ser gostado? Ou será que para ela isso nunca acontecerá? Então percebe que aos que ela admira nunca permanecem por muito tempo. Agora ela começa a se deixar admirar, artista de si mesma, segue bailarina, segue admirada... Irá contemplar na intensidade que é contemplada? Jamais! Mesmo tímida, consegue entender o destino a si reservado, não pode dizer nada agora, não é hora de falar.

Monday, March 02, 2009

Que coisa engraçada!

Essa vida nossa é uma comédia. Acho que toda vez que temos certeza de que estamos no controle, acontece algo para lhe dizer: "ei, você não manda em mim". Não sei porque criamos essa ilusão de que guiamos nossa própria vida, se, no entando, ela que nos leva. Nesse ponto concordo com Zeca Pagodinho, "deixa a vida me levar, Vida leva eu"

Agora, o mais engraçado de tudo, é acharmos que o outro é mais feliz. Passei esse fim de semana praticamente em casa, perguntando se sou normal, se sou menos feliz por não ter alguém para dividir minhas preocupações, minhas angustias e, claro, dar o meu amor. Mas percebo, ao conversar com amigos, que a insatisfação é geral. E aí, o que vamos fazer com esse problema? Acho que todos escolhemos a felicidade, mas ela foge de nós? Ouço reclamações por todos os lados: uma é linda, mas quer tomar remédio para emagrecer ou fazer dietas loucas para ficar magra no casamento, outra namora um para esquecer outro, outro arruma discussões por e-mail com pessoas do trabalho. E assim vai... Infelizmente entramos nesse jogo social... Tem que ser magro, tem que estar com alguém, tem que ser o dono da verdade, não importam nem um pouco se é de forma incondicional que somos felizes.

As pessoas me acham diferente, alguns dizem até que não sou normal. Mas pra que ser normal nessa normalidade chata, enfadonha? Vamos viver o concreto, o agora, esqueça jogos sociais, olhe nos olhos das pessoas, fale o que sente e não o que pensa ser o mais correto. Seja até um pouco chato, mas seja você!

Sunday, February 08, 2009

Esse Deus Aranha

Ele tece a teia do destino dos homens, Ele comanda. Autoritário, se você não fizer por Ele, não será salvo. Deus Aranha. Tece a teia e nós, rélis insetos, inocentemente somos presos a essa maldita teia divina. Livre arbítrio sim, mas Ele escreve certo por linhas tortas. Vai se entender tanta contradição. Deus mal, Deus perverso. Ele condena sua própria criação. Ele criou tudo isso, e aí vemos a maldade em seus olhos. Criou o caos, a morte, o existir e a dor. Deus Aranha! Nao te quero aqui!

Wednesday, February 04, 2009

A dor de ser artista

Poucas pessoas entendem o drama que há na qualidade de ser artista. Ser artista é estar aquém do mundo, é não ter pousada certa, é não saber onde vai dar. Buscar onde ninguém busca. Ser artista é sofrer a dor do outro, a sua dor, a dor que não existe. Ser artista é ouvir as pessoas te dizerem que você não sabe o que quer da vida, que não tem foco. Tudo isso amarga em nossa boca e nos faz pessoas menos racionais, pura emoção. O artista não tem vez nesse mundo tão racional, cheio de contas pra pagar. Somos também atemporais, vagamos pela história, sempre os mesmos, porque conhecemos, de certa forma, o sentido maior dessa vida: que é o prazer. Observamos cada um, sabemos de cada um, mas só nos preocupamos conosco. Não é egoísmo, é deixar viver. Somos sim, sem parada, não temos lugar nesse mundo. Entendemos da alma humana e da sua grande inconsciência. Entendemos de tudo e ao mesmo tempo de nada! Não somos nada senão o momento.

Termino com essa frase da música "Você só pensa em grana" do Zeca Baleiro, obviamente a pessoa pra que ele canta não é e nem pode ser um verdadeiro artista:

"Você rasga os poemas que lhe dou, mas nunca vi você rasgar dinheiro"

Sunday, February 01, 2009

[Ela ri como louca, aquele riso incontido, aquele riso psicótico.]

Ri e chora, chora e ri. Doente. Passeia pelas ruas da cidade e se sente inteira ali, mas quer voltar pra sua terra, que nem é natal. Sua terra natal não é nem uma lembrança na parede e nem dói, nada, nada. Mas a terra de onde veio, que lhe ensinou os vícios da vida, a condição de trabalhar pouco e beber muito. A condição de estudar, ler e pesquisar. A condição de ser inteira, densa, profunda, artista, artesã. Para essa terra ela quer voltar e ao mesmo tempo não. O calor insuportável, o mau-humor de seus pais, os amigos que ela sente falta, tudo ficou pra trás. Voltar é retroceder. Porém também sabe que não existe volta e sim um fluir, um ir e vir. Voltar é impossível.

Ela sempre questionando a vida: "O universo é tão vasto, tão bonito, e a gente tem que ficar. A falta de liberdade vai matando aos poucos um coração que tanto a quer."

Ri doente, ri (in)conscientemente dos seus olhares, das suas análises, da sua forma de enxergar a vida e enxergar o outro. Ri e fala. Fala mansa, doce, finge não tentar convencer, mas convence. Dismistifica. Entorpece. Se torna mito, se torna voz ativa na mente do outro. Invade, suga, quer tudo e todos para si. Quer a troca, quer coragem, quer amor, mas não amor mito, amor amor.