Wednesday, September 28, 2005

Voltemos ao título do blog: Não sou nada!

Um certo dia acordei e em minha cabeça estava uma poesia. Foi um sonho, foi um sopro, o que foi? Mistééééério.

Violento silêncio na madrugada
Tudo invoca minha saída
e só pensava em ti e em mais nada
e na nossa amarga despedida

Mas infelizmente só veio essa estrofe. Tentei escrever mais depois, completar o poema, mas ficou assim mesmo, acho que não é meu...

Thursday, September 22, 2005

Referendo de 23 de outubro

E aí? Você é contra ou a favor das vendas de arma de fogo no Brasil? Você é a favor ou contra??? Hein??? Responde???

Por que nenhum político me pergunta se sou a favor ou contra o salário deles? Se sou a favor ou contra o aborto? Se sou a favor ou contra a liberação da venda de drogas? Se sou a favor ou contra o Ato Médico? Hein? Por quê?

Talvez porque não haja interesse por parte deles, eles não querem te ouvir. Só querem delegar a culpa a alguém. Se der merda vão dizer que foi você quem escolheu assim. Não lembra? Até votou! Seu pai e sua mãe votaram, seus parentes e amigos, eles é que definiram isso, o povo que decide!

Decide o quê? Me digam... O que o povo brasileiro decide? O povo anda com medo de uma tal mensalão, eles não sabem se isso é o nome de alguém, se é um monstro a lá Bicho Papão ou se é um vírus superpotente e destruidor. Simplesmente não sabem.

Agora, eu nem ligo, vou lá, voto e pronto. E não fica achando que seu voto é importante não. Você é manipulado e vai votar junto com a maioria, ou não... tanto faz... você não é ninguém pra decidir o futuro do Brasil, ninguém.

Baixa a bola e não se esqueça. O seu voto NÃO faz a diferença.

Friday, September 16, 2005

Diário

Gostaria de fazer um diário, mas já tentei várias vezes e acho muito chato e monótono. Ter que abstrair da cabeça o que foi bom e o que foi ruim no dia, suas ações, o que fez e deixou de fazer... é realmente chato. Quem te magoou, quem te disse algo interessante, quem você flertou ou flertou com você. Sem contar o caráter criminalístico inserido num diário... Foi através de diários, guardados a sete chaves, que conseguimos descobrir alguns mistérios da humanidade, só não me pergunte quais...
Lembra daquela trama de Manoel Carlos, o marido descobre que a mulher deu o filho do casal à sua filha mais velha... Ela escreveu tudo no diário, que burra... ou teria sido com a intensão de contar, inconscientemente, como diria Freud?
Bom, aí já entraríamos em outro assunto completamente diferente. Aqui estamos falando de diários. Já tentei escrever um diário alimentar, acredita? Pois é, nele eu colocava tudo o que comi no dia, ia tudo muito bem até o dia que tinha um descontrole emocioal e dizia: "não vou escrever porcaria nenhuma".
Agora estou pensando em um diário profissional, o que fiz no dia e o que deixei de fazer, sentimentos e sonhos, vontades de trabalhar com algo que não trabalho ou de aprimorar algo que já faço no trabalho cotidiano. Vou tentar... mas acho que vou acabar não dando conta novamente... mas seria interessante, não seria?
Você faz diário? Me conte se acha interessante e como faz pra manter isso. Até a próxima!

Monday, September 05, 2005

Texto da Escola de Desinformação Homo Sapiens

Sua vida ocupa espaço e o seu tempo voa
Tudo é uma corrida
Onde estará o primeiro, o segundo, o minuto e a hora?
Vê seu planeta, habita seu mundo
Você tem natureza? E na vida?
É pessoa piloto, é passageiro ou tripulante?
O evento da vida
Está contido na arte,
Ná música, na poesia, na fé.
Você é navegante
Marujo cercado de capitães
navega
Megulha no passado, guarda-o numa caixa e fecha
Escolho o seu presente,
Desenha e constrói
o presente é o que se tem
e o futuro é decidido agora
Olha a janela do futuro toda hora
A janela é por onde passa a história
Pergunte pra quem refresca a sua memória
Investe numa pausa e vai
Navega, o mar é desinformação
Pilote o tempo, perceba o espaço
Pare de viver essa ilusão
Pessoa é um evento da consciência
Procure encontrar sua essência.

Friday, September 02, 2005

Encontro com Jesus

Me desculpe a franqueza, mas tenho muitos livros para ler além da Bíblia. Vou passar a vida toda em busca de meus ideais e não vou conseguir lê-la. Porém, quando eu morrer, encontrarei Jesus e direi:
- E aí, irmão, quanto tempo? Como está?
E ele vai me responder:
- Melhor agora que você chegou!

Thursday, August 25, 2005

Idéias Geniais

Quando estou longe do computador tenho idéias geniais do que escrever no meu blog, mas quando entro aqui esqueço tudo e já não sei mais o que falar. Bom, assuntos proibidos são um bom tópico. Estava pensando hoje sobre confidencialidade. Ser confidencial. Transmitir confiança... Porém não há nada mais tentador que um "assunto proibido", é ou não é? Pois é, mas você terá que adivinhar qual é o meu, e corre o risco de eu não te contar, é sigiloso demais...

Monday, August 01, 2005

Bom dia!

Viver enquanto se espera, entregar-se ao momento, deixar que ele seja, viver. Viver sem pressa, cada passo, sem nada antecipar ou adia. Fazer o que tiver que ser feito. A entrega é que nos dá a vida, fora isso, a aflição. "Entregar-se é estar sem pressa e sem anseios, sem preocupação. Ocupar-se, livre. Você se liverta na ocupação. A liberdade está no ato presente, sem cabeça, sem aspirar.
Estar envolvido é esquecer os deveres, os ideais, as idéias.
É entregar-se de corpo e alma ao que se está vivendo. Entregar-se de corpo e alma. Viver de corpo e alma. Estar inteiro, de forma que o corpo expresse a alma e a alma aceite os limites do corpo.
Um precisa auxiliar o outro. Um precisa ouvir os anseios, limites e necessidades do outro. A alma quer voar, o corpo quer ficar. O corpo é pesado e preso, a alma é leve e solta. Um não tem, nem quer ter limites, o outro é todo limitado. O corpo só consegue viver o presente, num só lugar, a alma aflita quer voar. Num corpo livre e solto, a alma voa. A alma presa inquieta o corpo. Inquietude é a intolerância do corpo à liberdade da alma. Inquietude e tensão são reflexos de um desacordo, de um não viver de corpo e alma. Para se viver de corpo e alma é necessário muita prontidão, muita paciência. Prontidão é uma disposição, um mergulhar no que é, deixando de lado todo e qualquer ideal. Paciência é saber esquecer o que se espera e entregar-se ao momento, facilitando a prontidão. Paciência é esperar não esperando, é saber querer e não ter o que se quer."

Recebi essa mensagem hoje, li, gostei e escrevi aqui.

beijos

Thursday, July 14, 2005

Quem canta...

Hoje eu entrei no ônibus e percebi que teria uma longa viagem. Estava voltando da academia e nem um pouco a fim de pegar ônibus (lerê, lerê, lerê, lerê, lerê). Quando me acomodei num canto, coloquei minha bolsa, que coloco minhas roupas e tênis para fazer ginástica, no chão. Percebi que a mulher que estava na minha frente sequer ligou para minha existência e nem quis saber de me ajudar. Sabe o que fiz? Resolvi dar de presente para ela minha voz... isso mesmo, fiquei cantando no ouvido da fulana até ela descer do ônibus. Aí vai o repertório:

"Meu bem você me dá, água na boca
vestindo fantasias, tirando a roupa..."

"Essa não é mais uma carta de amor!
São sentimentos loucos traduzidos em palavras
pra que você possa entender o que eu também não entendo..."

"Quero acordar de manhã do seu lado, aturar qualquer babado
vou ficar apaixonado, por teu seio aconchegado..."

"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora..."

Sei que o auge aconteceu quando, eu, mas louca que o comum, lembrei daquele gingle da Parmalat e fiquei cantando:

"O búfalo falou que é bom
O gurila falou que faz bem..."

Tá bom!!! Eu sei que apelei, mas na hora que notei que não estava em casa todo mundo já tinha ouvido...

E quer saber de mais? O quê que tem cantar na rua? Quê que tem? Vai dizer que você nunca cantou? Não? Não sabe o que está perdendo! Vai encarar?

Thursday, March 31, 2005

Sandálias de Plástico

Bom, já havia escrito o texto mas o blog não publicou, só havia escrito aqui e acabei perdendo, mas a idéia é a seguinte:

Como se consegue vender sandálias de plástico? Acho tão estranho, pois as acho feias, desconfortáveis e caras... Fico imaginando a campanha de marketing da empresa:

Poderoso Chefão: Precisamos vender sandálias de plástico para os adultos também... esse negócio de sandalinha da Xuxa já tá enchendo o @#$%&*#!!!
Marketeiro: Bom, tenho uma idéia... a gente contrata alguns designers e pede pra eles fazerem alguns modelos bem malucos... depois colocamos cores barangas e estravagantes... o último passo é colocar o preço bem alto!!! e está aí criada nossa campanha de marketing!!!
Poderoso Chefão: Por isso contratei esse cara! Ele sabe tudo!

Como podemos ser tão consumistas e pagar mais de R$100,00 em sandálias de plástico?!?!?! Sinceramente eu acho que as pessoas têm que começar a pensar mais na influência da mídia em nossas vidas, e não simplesmente comprar...

Monday, February 21, 2005

A Teoria da Pirâmide

Feita por meu amigo, Emerson Bruno.

Esse meu querido amigo começou a desenvolver essa idéia ainda na faculdade. Muitas pessoas acharam interessante e ele resolveu escrever sobre o assunto. A Teoria da Pirâmide já foi utilizada, no início, como uma boa cantada e que, quer vocês acreditem ou não, funcionava muito bem. Existem histórias engraçadíssimas sobre o tema, mas vou deixar para uma outra ocasião, pois cada caso pode ser um texto diferente. O importante é que vocês saibam que o conteúdo e filosofem sobre ele. Peço licença e desculpa a meu amigo pelo resumão, sendo que o assunto é vasto e complicado de se explicar em um só texto. Sugiro uma leitura mais aprofundada sobre o assunto, sim, o autor conta casos, dá exemplos e fica muito mais fácil entender.
Bom, não sei por onde começar. A história é mais ou menos o seguinte: todo relacionamento, para que seja maduro, é necessário que os parceiros tenham atingido certa maturidade e esta seria o ápice da pirâmide. O atingimos quando estamos com quem queremos estar no momento certo.
Você se lembra de quando estudamos, em geografia, a pirâmide populacional de países desenvolvidos e subdesenvolvidos? Pois é, a pirâmide do homem seria como a dos países subdesenvolvidos. O eixo X é a quantidade de mulheres que a pessoa deseja e/ou obtêm e o eixo Y é a idade do sujeito. O que significa que quando o homem entra na adolescência, por causa de nossa cultura machista, ele é influenciado e convencido a experimentar qualquer tipo de mulher: de prostitutas à virgens. O fato é que a libido masculina é menos controlada pela sociedade, que faz vista grossa a qualquer deslize sentimental e sexual de um menino adolescente. O que não pode ser dito das meninas, que além dos pais controlando têm as amigas, as tias, os irmãos e etc.
Isso faz com que a pirâmide feminina seja parecida com aquela estranha pirâmide populacional de países desenvolvidos, com base estreita, meio alargado e ponta estreita novamente.
O menino quer beijar e transar e não importa com quem, nem como, ele simplesmente quer experiência para contar para os amigos, quer números, como aquela música da Paula Toller: “Garotos perdem tempo pensando/ em brinquedos e proteção/ romances de estação/ desejo sem paixão/ qualquer truque contra a emoção.”
Mas com o passar do tempo o homem amadurece (como diz o Emerson: “Sim! Homens também amadurecem!”) e passa a querer algo mais numa relação. Passam a querer mais sentimento, afinidades, vontade de ficar junto por mais tempo. Ele então atinge o meio da pirâmide, onde ele ainda se diverte com algumas mulheres que aparecem por acaso, mas passa a exigir um pouco mais, começa a selecionar melhor as mulheres e não perde mais tempo com os bagaços que ele comia antes. Quando ele observa bem está se relacionando com apenas umas 5 ou menos mulheres ao mesmo tempo e de repente dá um clique e ele diz: “Essa é a mulher que quero passar o resto de minha vida!”. Aí, se ela topar, ele atinge o ápice da pirâmide! Mas cuidado... ela pode estar na primeira fase...
A pirâmide feminina é muito mais densa e complexa como todo o universo feminino... as mulheres são completas e incompletas ao mesmo tempo e tudo depende das coisas que acontecem em sua vida. Mas o básico é o seguinte: o início de sua vida sentimental começa quando ela desenvolve paixões platônicas que na maioria das vezes não vão dar em nada, mas vamos pular essa parte, pois pulei a infância e pré-adolescência masculina também. Fato é que a menina um dia se apaixona e por um momento é correspondida e ela não tem a concepção “pego todos” que os meninos têm. Ela vai preferir ficar só com ele e vai se iludir muito acreditando que ele é a pessoa mais perfeita e certa pra vida dela. Vai querer um relacionamento logo de cara ao invés de ficar com um aqui outro ali, mas um dia a “casa cai”, o cara termina ou trai e ela se vê numa situação de indignação e falta de confiança nos homens. Aí ela alarga sua pirâmide, o que significa que vai ficar com vários, namorar caras diferentes e se perder nesse universo onde se está sozinho em meio a uma multidão de pessoas. Se souber aproveitar pode ser uma boa fase para fazer amigos, para conhecer alguém interessante, sejam esses relacionamentos passageiros ou não. Todo relacionamento tem começo, meio e fim. Uns duram menos, outros mais... Mas a menina pode se perder também nesse momento, pode iludir-se e achar que sua vida é assim, que ninguém nunca vai querer namorar com ela e exagerar na dose. Mas um dia ela também evolui (ãh? Mas não somos nós mulheres que nos dizemos mais evoluídas que os homens? – bom, eu acredito que sentimentalmente somos diferentes, nem melhores, nem piores). Ela começa a querer alguém que a leve a sério e etc, e o fim vocês já sabem, se casam e são felizes para sempre... Quer dizer, são felizes até algo, que não sabemos explicar o quê, muda e aí partimos pra outra... E essa outra pode ser a morte... Credo! Que final terrível!!!
Meu objetivo foi explicar para alguns amigos que ficaram interessados, mas tem muito tempo que não converso com o Bruno, se ele já tiver escrito o livro indico para vocês!

Wednesday, January 19, 2005

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

*Dedicado a um amigo que se encontra nessa situação difícil.

É tão estranho imaginar que um grande amor acaba assim, sem mais nem menos, que o tempo estraga tudo, corrói e destrói os sonhos. Sonhamos em viver juntos com nosso amor, em ser um só. Mas todos que se casam nos dizem pra não fazer isso, que o casamento é o início do fim. Porém deve haver pessoas que se dão bem no casamento, não é possível. Acredito que todo relacionamento duradouro nos dias de hoje é uma espécie de casamento, pois há responsabilidades, há parceria, há sexo. Antes havia uma grande diferença, a mulher tinha que casar virgem, tinha que se "guardar" para o casamento. Hoje acredito que o motivo pra se casar ou está nos filhos ou está na pura união, na vontade de sair da casa dos pais e viver com alguém que não seja só um amigo, seja um parceiro.
Devemos analisar o tipo de namoro antes de se casar, pois se for um namoro onde há muitas discussões turbulentas, onde um não respeita o ponto de vista do outro, pra que estar junto? Pra não ficar só? Que bobagem, pois nascemos e morreremos sozinhos. Namoro é parceria, é um torcer para o outro, ajudar, dar conselhos e o mais importante, sentir vontade de ficar junto, de estar por estar, de passar horas olhando nos olhos ou abraçados. A vida é curta e não vale a pena se prender, não faça do seu namoro uma prisão. Quando ele ou ela te disser não vá a esse lugar, não converse com tal pessoa, exija um sentido pra esse pedido e, se não houver porquê, faça do seu jeito, pois se a pessoa te conheceu assim foi assim que ela gostou, não mude por ninguém, seja você mesmo!

Que Deus me Acompanhe!

Hoje acordei fora de casa, mas o sentimento é bom. Um tempo pra sumir, pra me sentir... Não sei o que quero fazer da minha vida daqui por diante e está cada vez mais difícil pois o tempo vai passando e sinto que não conquistei nada ainda. Claro que conquistei, mas me sinto mal pois não gosto de minha profissão e não vejo outro modo de viver se não através dela. Por um tempo me iludi com outras coisas, mas agora vejo que tenho que tomar uma decisão.
Continuarei cantando e vou investir nisso também, mas infelizmente vai ter que ficar pra segundo plano. Quanto a montar uma empresa fica pra um futuro, quem sabe daqui a 10/15 anos quando estiver com dinheiro e experiência. Porém adoro estudar e acredito que um mestrado me fará muito bem, acho que serei uma professora interessante. Agora que tenho certeza vou seguir adiante e que Deus me acompanhe!

Tuesday, January 18, 2005

Garibaldo

Foi uma segunda chuvosa, pela manhã, quando Denise se lembrou de colocar seu passarinho na varanda pra tomar um ar. Aquele bichinho cantava muito e chamava atenção da vizinhança. Seu nome: Garibaldo.
Garibaldo era o xodó de todos na casa da Val, todo mundo colocava ele na varanda, dava comida e água. Tinha vários apelidos e alegrava o apartamento com sua cantoria.
Mas aquela manhã não era como todas as outras, era triste e fria, chuvosa. Denise via televisão quando ouviu Garibaldo piar de maneira estranha, desesperado. Quando ela correu pra varanda havia, abraçado à gaiola, um enorme gavião. Ela se desesperou mas teve medo do bicho, chamou o porteiro, mas quando chegou Garibaldo já havia sido brutalmente assassinado. Fazer o quê? É a vida.
O porteiro pegou o passarinho e levou embora, o gavião voltou pra comer sua presa, viu Denise e a encarou, fez uma cara de mau e voou. Ela chorou como uma criança e a cena ia e voltava em sua mente.
- Pobre Garibaldo!

Tuesday, January 04, 2005

Nada de palavras sábias por hoje

Bom, ontem assisti ao filme Shall We Dance e adorei. Mas gostei mesmo da parte em que o marido diz a esposa que sempre a viu tão feliz ao lado dele que tinha vergonha de falar que às vezes era infeliz, pois não queria ferir quem ele sempre admirou.
Fiquei pensando que às vezes sinto o mesmo, em relação a tudo, mas acredito que essa infelicidade venha de dentro, talvez por fazer algo que não goste, ou por não realizar um sonho, sei lá o porquê. Sei que vou passar a observar quando não estou gostando, pra tentar mudar ao invés de reclamar.
Quando nos sentimos assim o problema não é exterior... é dentro que não há espaço.

Saturday, January 01, 2005

Primeiros Momentos de 2005

Primeiro Abraço: Meu namorado
Primeiro beijo: Meu namorado
Primeiras pessoas que desejei um feliz ano novo: Bárbara, Marco, Flávia, Paula, kleider e Renato
Primeiro sentimento: emoção e alívio por me livrar de 2004
Primeira visão: Fogos de artifício e a lagoa
Primeira música: "Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo"...
Primeira foto: com a turma
Primeiro copo: Nova Schin
Primeira comida: cachorro quente
Primeiro show: Bartucada!!!

Feliz Ano Novo!!!


Thursday, December 30, 2004

A MÚSICA EM PESSOA

Ganhei um CD do meu pai com algumas poesias de Fernando Pessoa. Claro que adorei, aqui vai uma delas, me identifiquei muito com ela!

“Cruzou por Mim, Veio Ter Comigo, Numa Rua da Baixa”
Poema de Álvaro de Campos

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa
Rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por
Profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo
Com ele;
E reciprocamente, num gesto largo,
Transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na
algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo,
Aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...),

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
As normas reais ou sentimentais da vida
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça ou capitão da cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque
têm razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-me com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma
razão exterior para ela?

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter de pedir aos dias que passem, e nos
deixem, e isso é que é ser pedinte.

Tudo mais é estúpido como um
Dostoiévsi ou um Gorki.
Tudo mais é ter fome ou não ter que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.

Sou vadio e pedinte a valer, isto é,
No sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande
Caridade por mim.

Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas
(autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que
Tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha
Olhos tristes por profissão.

Coitado do Álvaro de Campos, com
Quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são
Vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num
Comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter
Opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma:
Sou lúcido.

Não me queiram converter a convicção:
Sou lúcido

Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.

Friday, December 24, 2004

Tempo de Esperança!

O que é o Natal? Quando eu era pequena nem ligava Natal a Jesus Cristo, claro que sabia que era a data de seu nascimento, mas dava importância mesmo era aos presentes que recebia e que sabia que não vinham do Papai Noel e sim de meus pais. Sempre fui de certa forma cética, mas acho muito bonita a imagem de Nossa Senhora segurando seu filho, acho lindo o presépio e admiro a fé das pessoas. Gostaria realmente de acreditar, de passar o Natal rezando, de ter a esperança de um mundo melhor.
A verdade é que nem sei porque resolvi escrever esse texto, de certa forma, melancólico. Talvez porque ontem fui distribuir comida na rua e encontrei um morador de rua muito interessante, talvez por saudades de minha avó, talvez por saudades de minha infância/ presentes. Sei que o Natal significava algo pra mim, e hoje acho um dia chato, uma reunião pra se comer e beber sem fundamento religioso, sem amor ao próximo. Queria passar o Natal junto às pessoas que quero ajudar.
Quando era pequena eu adorava passar o Natal em Formiga, era mágico, único, havia muitos presentes, muita comida gostosa, o cheiro da minha avó... doces, meus primos, música, piano, meus pais, minha irmã, cheiro de moranguinho, Barbie, jogos, brincar de cabra cega, sonhos, peteca, piscina, lagoa, bicicleta, sorvete...
Lembro que uma vez, na escola, que um menino me disse que certa vez viu o Papai Noel voando no céu em seu trenó. Eu disse que ele era um idiota, que além de acreditar em Papai Noel ainda inventava mentiras a respeito, que ninguém podia voar num trenó guiado por veadinhos. Eu era chata desde então, com meu raciocínio questionador, meu radar anti-mentiras. A professora quase teve um colapso, o menino chorou, a diretora interviu:
- Claro que o Papai Noel existe! Quem te disse que ele não existe?
- Minha mãe! E ela não mente pra mim, ela disse que não gosta de ver as crianças enganadas achando que ele exista, que isso é uma bobagem! Ela compra os presentes pra mim e coloca na árvore de Natal antes mesmo do dia certo, pra enfeitar. Se duvidar, pergunte a ela...
Estava feita minha fama de chata, inconveniente, questionadora e destruidora de ilusões. Desde então fiz jus ao que diziam de mim, no colégio defendia os mais fracos, em casa ensinava minha mãe, na faculdade odiava todos que eram óbvios, pois achava que nada era mais questionador que estar na faculdade, mentes brilhantes pra raciocinar matematicamente conseguem, na maioria das vezes, ser mais careta que meu avô de 95 anos.
Talvez, se Papai Noel existisse, pediria a ele que tirasse a pessoa que conheci ontem da rua. Que ele conseguisse largar a droga, fazer teatro (que é seu sonho) e fazer sucesso.
Estava eu distribuindo sopa na rua quando me aparece um sujeito bem arrumado e bonito, era negro e alto, e ele nos abordou:
- Boa noite! Como vão? Aqui, se vocês encontrarem por aí uma esmeralda de um milhão e trezentos mil reais vocês devolvem pra mim? É que perdi a minha...
- Claro que devolvo, respondi...
- Devolve mesmo? Tá bom viu! Acredito. Sabe quando eu devolveria? Nunca!
- Mas você deve ser honesto com as pessoas.
- Honestidade? E o que você sabe sobre honestidade? O mundo não foi honesto comigo, não serei honesto...
- Pois eu sou honesta, se não precisei até hoje desse dinheiro, não vou precisar. Talvez você devolvesse e pedisse ao dono da esmeralda um lar, um emprego, uma nova vida.
- Mas com esse dinheiro faria o que quisesse, não precisaria de nada disso, nem de ser honesto.
Não disse mais nada sobre o assunto, não vivi o que ele viveu, não sofri o que ele sofreu... Não condenaria uma pessoa nessas condições, quem sou eu pra fazer isso?
- Você é pagodeiro?
- Não! Ah, por que todo mundo me pergunta isso?
- Porque você parece um deles, hahahaha!
- Você acha isso também? – perguntou pra minha amiga, Bárbara
- Tô fora dessa discussão!
Gerou um certo mal estar, todo mundo achou que ele não gostou, mas nem liguei.
Mudamos a conversa, ele é uma pessoa muito agradável, muito conversadora, mas o desagradável é a tal “buchinha” imersa em tíner, sempre em suas mãos, o cheiro forte e ruim. Perguntei a ele como fora parar na rua, nesse momento uma chuva fraca e contínua caía sobre nossas cabeças:
- Ai, meu São Pedro, não me faça mentir, pelo menos dessa vez... Perdi meus pais muito cedo, aos 12 anos, morava no interior de Minas, e tinha muitos irmãos. Os mais velhos sentiram-se mais donos das coisas que os mais novos e nos deixaram em desvantagem. Cansei daquilo e fugi de casa, vim pra cá e moro na rua desde os 13 anos.
Achei muito estranho, acho que ele não mora na rua, pois a maioria dos moradores de rua são sujos e mal vestidos, ele não tinha uma aparência de sujo, apesar de seu cheiro desagradável, e não estava tão degradado como a maioria deles, parece que ainda tinha uma identidade. Conversamos muito, ele disse a minha amiga que ela era a esmeralda que ele havia perdido. Disse que no dia em que fizesse sucesso ele agradeceria às pessoas que tiraram ele daquele estado, eu, a Bárbara e meu namorado.
- Aqui, se você achar a esmeralda nós iremos atrás de você, tá? - disse
- Aí você quer, né? Espertinha você, hein?
- Você deveria fazer teatro – disse a Bárbara
- Você acha isso mesmo?
- Acho! Claro!
- Eu também acho, mas você tem que largar isso aí. – apontei para a droga
- Ai, eu não queria que vocês vissem isso, me deu vontade de chorar agora, eu não sei, sabe...
- Olha, você é uma pessoa legal, interessante, que tem uma grande chance de um dia sair dessa se quiser. Mas se continuar usando droga vai acabar perdendo sua identidade
- De novo? A minha já é segunda via...
(risos)
- Não estou falando dessa identidade...
- Acabou a comida, vamos embora! – gritou alguém de dentro da Combi.
- Tchau, depois a gente se encontra...
Fomos embora, mas um pedaço do meu coração ficou...

Feliz Natal a todos!

Thursday, December 23, 2004

Missa de Corpo Presente

Saí correndo quando recebi a notícia. Cheguei à missa de corpo presente, a primeira e única que já fui, e fui procurando lugar. A igreja era muito bonita e ao mesmo tempo igual a todas as outras. Sentei bem atrás e com o olhar busquei a Paula, ela estava junto com a família, chorando a morte do avô. Algo que não entendi foi que ao entrar na igreja as pessoas cantavam uma música e levantavam o morto que, naquele instante, era uma mulher. Ao olhar pra falecida vi sua boca balbuciar partes da letra da música.
Entrei na igreja sem saber o que estava acontecendo, não sabia quem tinha morrido, fiquei muito sem graça ao descobrir que era o avô da Paula, fiquei sem jeito para chegar e abraçá-la. Pode parecer estranho mas na hora achei ridículo, achei que era bobagem chorar por esse motivo, que não tinha nada a ver.
Sentei ao fundo da igreja e o irmão dela estava ao meu lado, ele também não parecia interessado, estava lá como eu, por educação, obrigação, sei lá...
Saí da casa de Deus e não me lembro de mais nada, só da imagem do(a) morto(a) cantando.

Saturday, December 18, 2004

O velho que não via Deus, ouvia...

Ele tinha dois corações. Tinha nascido em 18 de janeiro de 1926, estava agora com 72 anos e não ligava mais para esse fato.
A imprensa o fotografou e ele, que trabalhava na roça, mostrava incrível saúde. Costumava dizer que amava demais e que aprendera a amar assim por causa de seus dois órgãos.
Alguns médicos queriam mandá-lo para os EUA alegando que só assim o senhor seria curado, porém outros diziam que não seria boa idéia tirar uma pessoa nessa idade dos seus parentes e de seu lar.
Desde jovem sentia os dois corações batendo, ora um, ora outro. Entretanto havia algo que o incomodava. De seu peito saía sangue e suas blusas sempre se manchavam. Lavava a região cerca de 4 vezes por dia e de nada adiantava, a leve hemorragia nunca estancava.
Só soube isso daquele senhor tão interessante. Porém o que mais me interessou foi quando ele disse ao homem que estava com ele no banco do ônibus.
- Sempre converso com Deus, eu não vejo ele, não. Eu apenas escuto.
E assim desceu do ônibus em direção ao hospital.
Então me lembrei de uma frase que certa vez ouvi: "Se você fala com Deus você é normal, mas se Deus fala com você é porque você é maluco".

Thursday, December 16, 2004

Fazendo Compras

Essa história é verídica, porém, para não difamar minha amiga dei-lhe o nome fictício de "Joana". Aí Vai:

Joana resolveu ir ao supermercado com uma amiga fazer as compras da casa. Estava Tranquila e observava alguns livros na prateleira, foi quando viu um livro que seu namorado iria adorar. Era um livro pequeno e ela achou caro demais para comprar. Olhou para um lado, olhou para o outro, não viu ninguém... e, num ímpeto, colocou o livro dentro da bolsa. Queria dar de presente de um ano de namoro, ficou contente de conseguir fazer aquilo. Sua amiga, enquanto isso, olhava outras coisas e nem pensou que Joana fosse capaz de fazer algo parecido. Pagaram e saíram do ambiente, numa boa, quando estavam já abrindo o carro e guardando as compras, um guarda do shopping chamou minha amiga e disse o seguinte:
- Você poderia me acompanhar?
- Onde você quer me levar? - Ela falou, já nervosa.
- Gostaria que você me acompanhasse até o supermercado, pois temos algo a te perguntar.
- Ah não, moço! Sempre me contam histórias horríveis de quem entra naquela salinha, não vou não!
Agora sou obrigada a fazer uma pausa. Como ela pode ter dito uma coisa dessas? Sinceramente...
- Não precisa ter medo, não sei quem te falou essa bobagem, ninguém vai fazer nada com você.
Ela foi, o que mais poderia fazer? A amiga dela ficou no carro sem entender direito, desconfiou mas pensou que não era possível.
Quando ela entra na "salinha" haviam três pessoas. Um homem que trabalhava lá pediu que ela esvaziasse a bolsa, dito e feito, o livro caiu e ele perguntou se ela havia comprado. Malcriada como ela só, respondeu que ele já sabia a resposta. Ele então perguntou se ela tinha dinheiro pra pagar o que tinha roubado:
- Claro que tenho! - respondeu
- e sua amiga? Não pegou nada?
- Deixe ela fora disso, ela nem sabe o que está acontecendo!
- Porém tenho que revistá-la também.
Nisso entra a Laura, escoltada pelo segurança, parecendo que estava sendo presa.
- O que você me dá se não tiver nada na minha bolsa? - perguntou
- Nada, só prova que é honesta.
Ela despejou tudo, sem medo, em cima da mesa. Joana ouviu mais meia dúzia de sermões, teve que comprar o livro e depois foram liberadas. Quando entraram no carro, o único comentário de Laura foi:
- Êh, Joana!
Você deve estar perguntando, afinal, que livro é esse tão precioso, bom, pode parecer mentira mas era o...