Wednesday, February 27, 2008

"De repente do riso fez-se o pranto"

Mas aquele pranto falso, dissimulado. Aquele pranto que não comove. Teatral... Mulheres sabem ser teatrais, fazer cena, fazer média. Bobo dos caras que caem nessa. A mim nem pena causa. Simplesmente não acredito. Lágrimas de crocodilo, só inundam o umbigo, como diria na canção. E aquele momento do qual eu queria correr outrora é o que mais anseio agora. Falar o que está agarrado, engasgado, falar pra não ser ouvida, mas falar. Fernando Pessoa diz: "de que vale uma sensação se há uma razão exterior para ela?". Sim, de que vale? As sensações sinceras, verdadeiras e valiosas vem do interior, não de fora. Mas devem ser sentidas em toda sua integridade. Ser mastigadas, deglutidas, digeridas e enfim excretadas. De que vale essa sensação criada por terceiros? Por isso resolvi falar, por não valer nada. Agradeço aos poetas, cujos pensamentos ultrapassam anos, décadas, centênios e vêm chegar aos nossos ouvidos e pensamentos.

Friday, February 22, 2008

Algo ensurdecedor gritou no meu ouvido hoje. Algo que eu não queria ouvir, mas como não ouvir? Aquele eco, aquela repetição. All the time.. Parece aquilo que você já viveu. Déjà vu? Não, dessa vez a vista é de outro ângulo. Do ângulo da vítima. Quer dizer, vítima não, odeio quem se faz de vítima. Vista dos olhos do sábio. Daquele que conhece a situação por que já errou assim. Já fez o mesmo. Porém cresceu. Não quer as coisas a seu modo. Não mais. Agora deixa vir. Naturalmente, se defende. Se soubéssemos o quanto é ruim tudo isso. O quanto somos tolos e jogamos contra nós mesmos quando queremos controlar o outro. Ah, se soubéssemos! Entretanto já fiz o mesmo. Sofri e aprendi com o erro. Mas sempre tem que haver alguém para lhe relembrar seus pecados. Talvez seja uma forma de Deus dizer: 'respeite o tempo do próximo. Se vê nele um espelho, compreenda que já passou por isso e não se abale com atos que você já sabe de cór, não vai dar em nada'.

Wednesday, February 20, 2008

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você. Sua imitação de all star preto combina com minha bota de cano alto

Sentiu aquele amor unilateral que só ela sabia sentir, só as mulheres sabem que existe amor em algumas relações que os homens não percebem. Essa era uma dessas relações. Não era desses relacionamentos duradouros, que se promete fidelidade, mundos e fundos, filhos e outras coisas que vivem a iludi-las. Era um amor sincero, gostoso de sentir, mas ele nunca sabe como senti-lo. Acho que o universo masculino é mais simples, mas não deveria ser tão seco. Ela tenta encher de flores o coração dele, ele nem vê. Pra ela importa apenas estar ali, sem muitos sonhos, sem tantas e tantas fantasias. Para quê tantas fantasias? A fantasia mascara o ser, torna-nos diferentes do que somos, mas só por fora. Por dentro é isso aí, sangue nas veias, urina, fezes, pensamentos de todos os tipos. Desejar é interessante. Fantasiar? Nem tanto. Pra quê a fantasia se o real já é algo mágico, pra quê?

Monday, February 11, 2008

Pedido de casamento pelo msn

Gabriel diz:
e sampa ta frio?

Raquel diz:
não, tá um calorão, desde ontem

Raquel diz:
ontem eu fui almoçar em Santos com meus tios, tava fazendo 38 graus

Gabriel diz:
deus me livre

Raquel diz:
Mas aqui é louco, uma hora tá um calor dos infernos e outra está frio

Raquel diz:
e aí em BH, como tá?

Gabriel diz:
quente igual a filial do inferno

Raquel diz:
hahahahahaha

Raquel diz:
Vamos fugir pra Curitiba? a gente pode ir morar por lá...

Gabriel diz:
humm...

Gabriel diz:
fala mais

Raquel diz:
Lá o centro da cidade é limpo

Raquel diz:
a gente pode fumar e tomar café, um chopp no fim da tarde

Gabriel diz:
hum

Raquel diz:
preços como os de Belo Horizonte.

Raquel diz:
para mim, há lojas de roupas bonitas, como as de São Paulo.

Raquel diz:
pra você há bancas e mais bancas de jornais e uma praça com bancos... muito verde e muito frio.

Raquel diz:
Tem o Museu do Olho, do Nyemeyer, a gente pode ir lá de vez em quando para apreciar a obra

Gabriel diz:
tá ficando tentador....

Raquel diz:
a Ópera de Arame não é tão maravilhosa, mas podemos tomar um café lá, que é gostoso, eu já tomei.

Raquel diz:
e falarmos sobre política, filosofia e amores perdidos

Raquel diz:
sobre filmes europeus e latino-americanos

Raquel diz:
a gente pode combinar de ler o mesmo livro ao mesmo tempo, pra comentar partes juntos

Raquel diz:
só não sei como a gente vai ganhar dinheiro

Raquel diz:
mas a gente dá um jeito

Gabriel diz:
raquel... vc tá me pedindo em casamento?

Raquel diz:
Sim!

Raquel diz:
só q me disseram que se casamento fosse bom, não precisaria de testemunhas...

Gabriel diz:
mas eu tenho que te responder ate quando?

Raquel diz:
vc tem que encaminhar o currículo para o e-mail raquel@pracasar.com.br até as 18h de hoje!

Gabriel diz:
com uma foto?

Gabriel diz:
de frente e de perfil?

Raquel diz:
isso

Raquel diz:
e uma de cueca tbm

Raquel diz:
hahahahahahhha

Gabriel diz:
não precisa ser sem roupa?

Raquel diz:
não, sem roupa só depois do casamento

Raquel diz:Você já foi a Curitiba?

Gabriel diz:
não...

Raquel diz:
nossa, Biel, vc ia amar

Gabriel diz:
é.... mas pra mim é dificil sair de BH.;...

Gabriel diz:
na verdade.... o dificil pra mim é sair de Minas....

Gabriel diz:
sabe que as vezes penso sobre isso.;...

Gabriel diz:
o lugar da onde eu mais sentiria falta nao é BH nem o Brasil.... é Minas

Raquel diz:
quer q eu te mande umas fotos q tirei lá?

Raquel diz:
Sei, mas minas vc vai 1 x por mês e mata a saudade

Raquel diz:
agora, o problema é que, como o clima, as pessoas em Ctba tbm são frias.

Raquel diz:
Tinha q ser pra gente casar e ir morar lá mesmo

Gabriel diz:
mas o clima frio é tudo de bom

Raquel diz:
senão a gente ia se sentir mto sozinho

Raquel diz:
hahahaha

Gabriel diz:
uai raquel.... acho que vou pensar bastante....

Raquel diz:
poxa, bastante??? Achei q ia dizer sim de cara, hahahaha

Gabriel diz:
nao... a questao nao é casar com vc.... mas morar fora de Minas

Raquel diz:
Ah bom! hahaha! Poxa, eu mó apaixonada

Monday, January 28, 2008

Sentados os dois ali, lado a lado, vendo a vista da cidade, "nem amigos, nem amantes", naquela dura insistência de ficar juntos. Diferentes demais, eles sabem, mas o desejo é maior que a razão. Vendo a cidade de cima ela fica menor, quase impossível, mas fica. Ele deitado ao colo dela, ela acaricia seu cabelo. Faz sol, mas um sol frio, o dia está bonito, céu azul. Aquele céu difícil de se ver numa cidade tão grande e poluída. Ele deitado, só quer esquecer, ele quer alguém pra esquecer... ela quer alguém pra lembrar. Por isso a desavença, por isso a diferença. Ele está fugindo, ela procurando. Ele quer o velho, o passado, o mofo das coisas vividas. Ela quer as coisas limpas, novas, fluindo. Ele só sabe ver o passado, ela olha o futuro e sorri. Às vezes tem um pouco de medo, mas prefere seguir adiante a voltar para uma vida que não lhe agrada mais.

Monday, January 21, 2008

Só mais uma hoje

A cena é em preto e branco. Anos 20. Ela com de chapéu, um belo vestido, maquiagem, batom vermelho, talvez segurasse uma cigarrilha, não me lembro. Ele lhe faz uma proposta indecorosa, ela pergunta indignada:

- Que tipo de mulher você acha que sou?

Ele:

- Do tipo que bebe muito champagne.

Papo anti-social

Bom, agora é hora da pergunta: "e aí, o que vai fazer no carnaval?"... Estressante e cansativa essa pergunta. Primeiramente porque detesto as comemorações carnavalescas e segundo porque esse ano o carnaval caiu na primeira semana de fevereiro, data esta que estou financeiramente apertada e já cansada dos gastos do fim e início do ano. Agora vem a questão, as pessoas gostam de mim, sou uma pessoa carismática, mas acontece que não entendem que uma pessoa assim pode não gostar de axé e outros barulhos que tocam nos malditos carnavais de rua. Sei, nesse ponto sou anti-social, as pessoas me dizem: vamos dançar, vamos comemorar! E eu penso comigo: comemorar o quê? Não gosto de multidões, não acredito nessa alegria que as pessoas dizem sentir. Acho que é algo tão superficial, me incomoda a bebedeira, a falta do que falar, o som alto. Não que eu não tenha meus momentos de futilidade, ou de curtição, mas um feriado inteiro nessa história de pegação, música ruim, pessoas suadas e muito juntas, tenho pânico. Enquanto eu pensava nesse texto e na minha indignação com a alienação do brasileiro, que tem um dos maiores índices de corrupção do mundo, pagam mais impostos e não têm o retorno que deveriam ter, entre outros como a violência, acidente nas estradas (que é consequência da corrupção e mal emprego dos impostos), etc., enquanto estava voltando do maldito banco do Brasil, com minhas preocupações cotidianas, me passa um rapaz... hoje, segunda-feira... com uma garrafa de vinho numa das mãos e um cigarro na outra. Olho e penso que estou me preocupando a toa, que eu deveria mesmo era hibernar no carnaval... Alugar uns 30 filmes e não atender nem ao celular, ou talvez atender apenas os que não me chamarem pra ouvir axé... Maldita TPC, tensao pré carnaval!
Até agora não consegui uma companhia sequer para passar o carnaval num sítio ou num lugar isolado... Será que só eu não gosto disso? Será que só eu não vejo graça nenhuma? Só queria um lugar que eu pudesse tomar um sol, caminhar, ler um livro, refletir, mas não queria ir tão sozinha. :-(

Friday, January 18, 2008

Não queria, mas é assim que acontece...

Viver amores ardentes... Já não lhe apetece. Sabe curtir sua solidão, a mais doce e delicada solidão... A solidão que existe em ler um bom livro, ou assistir um bom filme. Não que não lhe agrade a presença de alguém, mas ela quer mais. Quer um amor que divida com ela de verdade as coisas que ela gosta de fazer, quer conhecer também o que ele gosta, mas sente que os gostos devem ser o mais parecidos possíveis. Um sábado à noite em casa com um bom jantar, um almoço de domingo, uma boa conversa, uma caminhada no parque, um vinho tinto... Há tempos que não curte uma noitada, em bem da verdade, nunca curtiu, e agora, com quase trinta anos, não acredita que vai achar um amor ali. Não quer a companhia de alguém que a ame tanto que a sufoque. Acredita na individualidade, saberia dividir uma vida, está pronta para viver até um casamento, mas com liberdade, com confiança. Ainda tem fé de achar essa pessoa, já não sente prazer em ter alguém só pra não ficar só. Curte a mais deliciosa solidão, a solidão que há no existir. Mas o tempo vai passando e ela pensa que não vai achar nunca essa pessoa. Vê que existe um certo desespero, as pessoas gostam de relacionamentos superficiais. Ela não quer, prefere sua solidão. Mas quando percebe, está viajando, imaginando a vida que ainda não vive, e não acha isso bom. Ela está bem, mas quer realmente esse alguém e sente que, a cada dia, fica mais difícil de achar.

Wednesday, January 16, 2008

Mais uma pessoa me diz hoje: "nossa, como você é alta, hein?". Será que eu e meus 1,75m estamos fadados a ouvir essa pergunta até o fim de nossa curta existência? E ainda me diz: "pra arrumar namorado tem que ser no mínimo um palmo mais alto, deve ser difícil"... Lembrei de uma história em que minha tia sempre encontrava uma senhora pequinininha no elevador. Ela dizia: "Nossa! Como você é grande, me sinto até mal perto de você". E isso era todo dia, toda hora que encontrava essa senhora. Até que um dia, minha tia, já emputecida, diz à senhorinha: "Escuta, nunca lhe passou pela cabeça que eu posso me sentir mal em você ser tão pequena, não?". E foi dada como grossa...

Thursday, January 10, 2008

O calor que fazia naquele verão era de derreter, de não lhe dar possibilidades de pensar em outra coisa. A fraqueza e o maldito cigarro, ele não largava o vício. A fraqueza da carne, em todas as dimensões, ela o fazia perder todo o moral. Moralista? Não era. Apenas fingia amar. Mas na verdade corria do amor pelo caminho avesso. Fugir do amor, amando. Não era a melhor maneira, mas era a maneira mais fácil de escapar. Fidelidade? Claro que não... Mas acreditava na fidelidade da esposa. Todos acreditam. Os infiéis são incapazes de se imaginar sendo traídos, dói. Sendo trocados por outro. Não queria imaginar que ela o traía nem em pensamento. E o que é a traição? O que é o amor? É palpável? Eu torcia para que ela o traísse e que ele nunca soubesse. Que gemesse na cama com outro... Torcia e ainda torço. Ela sendo lambida, inteira, por outro. Ele sem saber. Ela imaginando o outro na cama com eles, sem nunca dizer nada. Ele fazendo filhos, tendo amantes, mas mantendo esse desamor a todo custo. Quase sufocado por ele, quase não vivendo outro amor que não o desamor por ela. Apaixonadamente desapaixonado, rasgando a outra com sua língua felina, apertando a outra com suas mãos intensas, mas sem amor, o amor não lhe serve.

Naquele dia ele se encantou por mim, mas era tudo carnal. Não tinha paixões ou amores por outra mulher, só desamava de verdade sua esposa, só ela merecia seu desamor. Só confiava nela, só com ela podia contar. Tentou me seduzir, estava cansado de todas aquelas que encontrava às vezes. Sempre tão previsíveis, tão carentes. Intrigava a independência do seu atual objeto de desejo. "Não, ela não pode ser tão livre." Só que eu sei que se acontece perde a graça, gosto de alimentar o desejo, o mais torpe desejo, alimentar, alimentar, nunca ceder... Não é a toa que a mulher é mãe, tem prazer em alimentar. E não é a toa que o desejo some quando se está saciado. A mulher prende pelo alimento, o homem lhe escapa pelo desejo.

Wednesday, January 09, 2008

Massagem!

Sim, preciso de uma boa massagem, de mãos fortes e masculinas, alguém se habilita?

Tuesday, January 08, 2008

Nunca consegui entender muito bem esses relacionamentos que um praticamente vira o outro. A namorada lê a mensagem no celular do namorado, olha quem ligou e quem deixou de ligar pra ele. Nem consego agir assim. Com esse ciúme possessivo, essa loucura de achar que é dono do outro. Mas às vezes penso que deve ser mais legal, deve ser pelo menos engraçado, uma pessoa te dizendo pra onde vai e o que vai desejar. Talvez seja isso que faça a gente imaginar que não estamos sós no mundo. Que temos certa segurança nessa vida.

Friday, January 04, 2008

Ei, lembra daquela fulana, meu deus, como era mesmo o nome dela? Ai, aquela que falava assim... Como era mesmo? Ai, meu deus, deu branco! Ela namorava aquele cara, aquele carinha lá... um alto... não sei, não lembro direito como eles se conheceram. Então, ela mesma, em carne e osso, que falou que sua bunda era caída, lá no dia da festa de fim de ano... Sei lá, mas as pessoas falam demais da vida dos outros, ela não tem o direito, né? Quem é ela pra falar! Quem é ela?

Thursday, December 13, 2007

Vejo em muitas pessoas um grande defeito de atitude quando algo dá errado em sua vida: arrumam um culpado, que não seja ele mesmo, claro. Essa postura de vítima da sociedade, vítima do sistema, vítima da malícia de outras pessoas, já não "cola" mais. Adimiro as pessoas que dizem ter errado ao confiar em alguém, ao tentar de novo algo que já não tinha dado certo ou até mesmo ao tentar fazer algo inovador. Assumir o erro é uma das coisas mais bonitas que existe no ser humano. Acontece que nós não percebemos isso e passamos a mentir, a inventar culpados para nossas fraquezas, para nossos defeitos. Minha opinião continua sempre a mesma, que por sinal tem se parecido com a do nosso presidente, "prefiro ser essa metarmofose ambulante"... Acho uma burrice sem fim defender ideais... Ideais podres, velhos, deteriorados... Quantas vidas você vai precisar viver pra saber que defender ideais é o mesmo que nunca alcançar nada? É como buscar Deus...

Pareço radical, eu sei, e sou mesmo. Acredito na vida agora, não nesse futuro idealizado por alguém que tem a visão humana de um dia alcançar um sistema perfeito, humanamente perfeito.

Tuesday, November 13, 2007

Quando duas pessoas se relacionam e se amam de verdade não seria natural que se deixassem livres para escolhas e para viver? Essa história do amor romântico dói demais porque você deixa de ser uma pessoa livre. Às vezes ouço músicas que dizem algo como "quero te ter", ou "pior é te perder", meu deus, quanta prepotência... Não temos nada, nem ninguém. A posse é o pior do amor romântico. E a ilusão? O que você diria se visse um amigo conhecer uma mulher e ouvi-lo sonhar: é a mulher da minha vida... vamos casar e ter filhos lindos... ou o clichê "é impossível ser feliz sozinho". Acho que talvez o impossível seja ser feliz fazendo o que não se deseja apenas por convenções sociais. A questão que mais me deixa angustiada é que sempre há um porquê atrás disso que não o amor. A isso dou o nome de ilusão. A pessoa imagina que é aquela outra que vai lhe tirar da solidão, que vai lhe dar uma vida melhor, que vai passar o resto da vida aturando suas chatices. A posse e a ilusão... Que nojo estou do amor romântico!

Sunday, November 11, 2007

"Sou fraca, safada, sofrida e não minto pra mim"

Sufocada de medo e culpa, frustrada em minhas expectativas, duras expectativas que vêm como linhas retas se encontrarem num ponto central. E tocar nesse ponto é justamente o que me dói. Então, fugi. Como sou fraca! Voltarei... Uma volta amarga que venho adiando, mas que não há mais como evitar. Como fazer mal a quem só te faz bem? Mas não estaria eu fazendo mal até mesmo quando evito fazer o mal? A duras penas vou me sufocando, não precisava disso, não deveria ser assim, mas é. Medo da vida, medo de não ter o que quero. E o que quero? Nem sei, talvez só saiba mesmo o que não quero, ou nem isso, talvez precise realmente é de me encontrar.

"Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer
quero viver

Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Se alguém por mim preguntar
Diga que eu só vou voltar
quando eu me encontrar"

Friday, October 26, 2007

Entrevistas de emprego x amor pelo trabalho

Nessa minha peregrinação por São Paulo em busca de uma oportunidade de emprego interessante, que, teoricamente, eu não teria em Belo Horizonte, consegui, finalmente, ver alma em um entrevistador, se é que o posso chamar assim. Todas as empresas que fui tinham aquelas perguntas padrões: aquela odiosa pergunda das 3 características positivas e das 3 negativas da sua personalidade, o 'por que você quer esse emprego?' (será que a resposta não é 'porque preciso trabalhar'), fuma? (igual a um dragão), tem religião? (ateu praticante), só faltava perguntar se transo ou não com frequência... (tem épocas que sim, outras não). Mas ontem, de repente, encontrei meu novo emprego e junto com ele uma nova perspectiva, inclusive de organização. Acredito (e inclusive penso em escrever mais sobre o assunto) num novo modelo de empresa, sem hierarquia, com muito capital intelictual, com muito trabalho, porém com muita cultura, com muita leitura, com trocas interessantíssimas de experiências. Perguntas padrões me enojam porque exigem respostas padrões. Eu não sou, não fui, nem serei padrão. Não me encaixo nos modelos de emprego porque a vida não é um modelo, a vida é momento e não há padrão, não há modelo que me faça deixar de viver e amar o que faço.
Mas ontem, pela primeira vez ouvi uma pessoa dizer:
- Olha, não é bem uma entrevista, porque não sei entrevistar ninguém.
e respondi:
- Ótimo, porque também não sei dar respostas a essas perguntas todas.
E assim nos acertamos.

Friday, October 05, 2007

Garçonete em Toronto

Pedi uma coca light e ela trouxe uma sem cafeína, como parecia já ter sido bem difícil pra ela trazer todas as bebidas, cerveja e etc, eu deixei pra lá. Mas quando fui pedir a segunda coca, resolvi mostrar que queria mesmo uma coca light, sem calorias e não sem cafeína. Ela olhou pra mim com a cara mais assustada e disse: "Oh, you need some caffeine!". Achei melhor concordar: "Isso mesmo, I do need some caffeine".
Ela cultiva flores mortas, murchas, quase secas. Ainda tem esperança de arrancar-lhes algo de vida. Mas ela não percebe que estão mortas, não vê que tem que partir, que sumir, que vomitar tudo aquilo que engoliu. Ela vai da casa ao trabalho, do trabalho para casa, na sua frustrante jornada diária. Reclama, reclama, a todo momento. Chora, liga pro namorado, ele também não sabe muito o que dizer. Ele sabe puxá-la pra junto dele, fazer dela um cachorrinho. Ela aceita. São as flores mortas. O cheiro já não agrada, lembra velório, cemitério. Mas não adianta dizer, ela não quer saber, não quer sentir. Quer apenas seguir reclamando. Pensar que fiz parte disso um dia me apavora. Tão linda, tão jovem e perdendo a vida num lugar onde todos já morreram.

Monday, October 01, 2007

Era digna de poesia. Cantou para mim: "Não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for"... Mas não sei se aceito o seu estranho amor... Me tirou pra dançar e quando já estava na pista me perguntou se eu sabia. Quanta contradição... Respondo que sei um pouco e ela me diz que também não sabe muito. Ela aperta minha mão, me dá um frio, fico tonto, fico louco pra dizer alguma coisa. Mas ela é bem direta, diz adorar meu sotaque, não tenho resposta. Ela é tão linda, tão imprevisível. Eu sou tão igual aos outros... Penso o que ela viu em mim, penso se devo lhe beijar a boca. Por que pensar? Deveria agir. Mas não ajo, fico imóvel, estarrecido. Ela é tão segura de si, tão certa do que quer. E eu vagando perdido, sem ao menos conseguir respondê-la. Ela se despede de mim com um beijo na bochecha, sai cantarolando "um amor assim delicado, você pega e despreza". Maldito Caetano!