Thursday, December 13, 2007

Vejo em muitas pessoas um grande defeito de atitude quando algo dá errado em sua vida: arrumam um culpado, que não seja ele mesmo, claro. Essa postura de vítima da sociedade, vítima do sistema, vítima da malícia de outras pessoas, já não "cola" mais. Adimiro as pessoas que dizem ter errado ao confiar em alguém, ao tentar de novo algo que já não tinha dado certo ou até mesmo ao tentar fazer algo inovador. Assumir o erro é uma das coisas mais bonitas que existe no ser humano. Acontece que nós não percebemos isso e passamos a mentir, a inventar culpados para nossas fraquezas, para nossos defeitos. Minha opinião continua sempre a mesma, que por sinal tem se parecido com a do nosso presidente, "prefiro ser essa metarmofose ambulante"... Acho uma burrice sem fim defender ideais... Ideais podres, velhos, deteriorados... Quantas vidas você vai precisar viver pra saber que defender ideais é o mesmo que nunca alcançar nada? É como buscar Deus...

Pareço radical, eu sei, e sou mesmo. Acredito na vida agora, não nesse futuro idealizado por alguém que tem a visão humana de um dia alcançar um sistema perfeito, humanamente perfeito.

Tuesday, November 13, 2007

Quando duas pessoas se relacionam e se amam de verdade não seria natural que se deixassem livres para escolhas e para viver? Essa história do amor romântico dói demais porque você deixa de ser uma pessoa livre. Às vezes ouço músicas que dizem algo como "quero te ter", ou "pior é te perder", meu deus, quanta prepotência... Não temos nada, nem ninguém. A posse é o pior do amor romântico. E a ilusão? O que você diria se visse um amigo conhecer uma mulher e ouvi-lo sonhar: é a mulher da minha vida... vamos casar e ter filhos lindos... ou o clichê "é impossível ser feliz sozinho". Acho que talvez o impossível seja ser feliz fazendo o que não se deseja apenas por convenções sociais. A questão que mais me deixa angustiada é que sempre há um porquê atrás disso que não o amor. A isso dou o nome de ilusão. A pessoa imagina que é aquela outra que vai lhe tirar da solidão, que vai lhe dar uma vida melhor, que vai passar o resto da vida aturando suas chatices. A posse e a ilusão... Que nojo estou do amor romântico!

Sunday, November 11, 2007

"Sou fraca, safada, sofrida e não minto pra mim"

Sufocada de medo e culpa, frustrada em minhas expectativas, duras expectativas que vêm como linhas retas se encontrarem num ponto central. E tocar nesse ponto é justamente o que me dói. Então, fugi. Como sou fraca! Voltarei... Uma volta amarga que venho adiando, mas que não há mais como evitar. Como fazer mal a quem só te faz bem? Mas não estaria eu fazendo mal até mesmo quando evito fazer o mal? A duras penas vou me sufocando, não precisava disso, não deveria ser assim, mas é. Medo da vida, medo de não ter o que quero. E o que quero? Nem sei, talvez só saiba mesmo o que não quero, ou nem isso, talvez precise realmente é de me encontrar.

"Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer
quero viver

Deixe-me ir,
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Se alguém por mim preguntar
Diga que eu só vou voltar
quando eu me encontrar"

Friday, October 26, 2007

Entrevistas de emprego x amor pelo trabalho

Nessa minha peregrinação por São Paulo em busca de uma oportunidade de emprego interessante, que, teoricamente, eu não teria em Belo Horizonte, consegui, finalmente, ver alma em um entrevistador, se é que o posso chamar assim. Todas as empresas que fui tinham aquelas perguntas padrões: aquela odiosa pergunda das 3 características positivas e das 3 negativas da sua personalidade, o 'por que você quer esse emprego?' (será que a resposta não é 'porque preciso trabalhar'), fuma? (igual a um dragão), tem religião? (ateu praticante), só faltava perguntar se transo ou não com frequência... (tem épocas que sim, outras não). Mas ontem, de repente, encontrei meu novo emprego e junto com ele uma nova perspectiva, inclusive de organização. Acredito (e inclusive penso em escrever mais sobre o assunto) num novo modelo de empresa, sem hierarquia, com muito capital intelictual, com muito trabalho, porém com muita cultura, com muita leitura, com trocas interessantíssimas de experiências. Perguntas padrões me enojam porque exigem respostas padrões. Eu não sou, não fui, nem serei padrão. Não me encaixo nos modelos de emprego porque a vida não é um modelo, a vida é momento e não há padrão, não há modelo que me faça deixar de viver e amar o que faço.
Mas ontem, pela primeira vez ouvi uma pessoa dizer:
- Olha, não é bem uma entrevista, porque não sei entrevistar ninguém.
e respondi:
- Ótimo, porque também não sei dar respostas a essas perguntas todas.
E assim nos acertamos.

Friday, October 05, 2007

Garçonete em Toronto

Pedi uma coca light e ela trouxe uma sem cafeína, como parecia já ter sido bem difícil pra ela trazer todas as bebidas, cerveja e etc, eu deixei pra lá. Mas quando fui pedir a segunda coca, resolvi mostrar que queria mesmo uma coca light, sem calorias e não sem cafeína. Ela olhou pra mim com a cara mais assustada e disse: "Oh, you need some caffeine!". Achei melhor concordar: "Isso mesmo, I do need some caffeine".
Ela cultiva flores mortas, murchas, quase secas. Ainda tem esperança de arrancar-lhes algo de vida. Mas ela não percebe que estão mortas, não vê que tem que partir, que sumir, que vomitar tudo aquilo que engoliu. Ela vai da casa ao trabalho, do trabalho para casa, na sua frustrante jornada diária. Reclama, reclama, a todo momento. Chora, liga pro namorado, ele também não sabe muito o que dizer. Ele sabe puxá-la pra junto dele, fazer dela um cachorrinho. Ela aceita. São as flores mortas. O cheiro já não agrada, lembra velório, cemitério. Mas não adianta dizer, ela não quer saber, não quer sentir. Quer apenas seguir reclamando. Pensar que fiz parte disso um dia me apavora. Tão linda, tão jovem e perdendo a vida num lugar onde todos já morreram.

Monday, October 01, 2007

Era digna de poesia. Cantou para mim: "Não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for"... Mas não sei se aceito o seu estranho amor... Me tirou pra dançar e quando já estava na pista me perguntou se eu sabia. Quanta contradição... Respondo que sei um pouco e ela me diz que também não sabe muito. Ela aperta minha mão, me dá um frio, fico tonto, fico louco pra dizer alguma coisa. Mas ela é bem direta, diz adorar meu sotaque, não tenho resposta. Ela é tão linda, tão imprevisível. Eu sou tão igual aos outros... Penso o que ela viu em mim, penso se devo lhe beijar a boca. Por que pensar? Deveria agir. Mas não ajo, fico imóvel, estarrecido. Ela é tão segura de si, tão certa do que quer. E eu vagando perdido, sem ao menos conseguir respondê-la. Ela se despede de mim com um beijo na bochecha, sai cantarolando "um amor assim delicado, você pega e despreza". Maldito Caetano!

Friday, September 21, 2007

Se acontece de gostar sem se conhecer alguém,
Nem o sexo, nem o cheiro, nem o passo, ou qualquer gesto,
Nem a voz, nem o tempeiro, nem o olhar...
Será que acontece de amar sem se saber?
Sem conhecer a personalidade, sem saber quem há de ser?
Vai ser alguém? Um apaixonado por arte e por história, por música,
por lazer? Dedicado ao trabalho? Estudioso? Vai gostar de ler?
Pode se amar assim? Incondicionalmente? Sem se saber?

Thursday, August 30, 2007

Não à ignorância na hora das cantadas!

Hoje, andando pela rua, recebi a seguinte cantada:

"Que saúde! Deus conserve, viu? Lôrão!"

Fiquei refletindo sobre essa frase por algum tempo. Como vocês sabem, quando o assunto envolve deus e seus mistérios acabo sempre filosofando. Sei que é uma simples cantada, mas quero, através desse texto, mostrar como se transforma um 'elogio', ou sei lá como podemos chama-lo, em um pensamento filosófico existencialista.

Bom, a questão que me intrigou foi "Deus conserve"... fiquei pensando nessa frase com absoluta profundidade e entendo que, se deus é esse ser que todos dizem, que criou a vida e a morte, a noite e o dia, a natureza e toda sua essência, criou a física, a química e a biologia. Criou norte, sul, leste, oeste, enfim... Se é desse deus que ele fala, então não entendo... Não me entra na cabeça tal frase, porque acredito que deus pode fazer de tudo, menos conservar coisas e pessoas. Se a vida é constante transformação, mudança a todo momento, "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", então, ao meu ver, querido galanteador, você não entende nada de deus, nada da natureza e nada da efemeridade da vida. E como se diz por aí, às vezes não prestamos atenção no que falamos e no quão infundadas são nossas frases.

Monday, August 20, 2007

A vida pensando consigo...

Se se causa polêmica sendo alguém ou deixando de ser, isso pouco importa. Na verdade somos algo que transita, instavelmente, entre o ser e o não ser. Entre o levar e o deixar-se levar. Preconceito, raiva, rancor... tudo isso só existe se em você o sentimento existe. Não é um texto de auto-ajuda, nem de obviedades, fato é que deixamos de ver, de viver, de sentir, porque estamos achando o momento inapropriado, as pessoas indesejadas, as coisas monótonas. Esquecemos que a vida é composta de tudo isso. Nunca entendi a função do chefe que acha que levar a vida a sério é ter a cara amarrada, rancorosa, de cão de guarda, que está sempre à espreita do erro do funcionário. E ele, o funcionário, vai errar! Sempre, e muito! A todo momento. Porque quando esperamos algo dos outros vamos sempre nos frustrar. E aquele homem que vejo ganhar rios de dinheiro, mas sem tempo e sem amor à vida suficientes para aproveitar, não tenho inveja, mas também não tenho pena e não perdôo.

Friday, July 27, 2007

Desafeto

Orgulho. Um dos seus maiores defeitos, ele sabia disso. Porém não adiantava dizer, assim como continua não adiantando. Caminhava altivo, com nariz empinado, seus cabelos lisos, nem curtos, nem muito compridos, caíam sobre os olhos. Ele os jogava para trás com um movimento de cabeça ou com as mãos mesmo. Não era bonito. Era baixo, franzino, dentes para fora, dizia ser descentente de índio. Apesar da aparência, sabia conquistar uma mulher, tinha seu lado Don Juan. Se envolvia de tal forma com elas que as faziam acreditar que haviam encontrado o homem de sua vida. Mas tudo era passageiro, ele gostava mesmo era de conquistar. Mas não acredito que seja um cafajeste sozinho... as mulheres tinham sua parcela de culpa. Era tão óbvio que não podia ser real, mas mulheres gostam disso, gostam de sofrer por um amor não correspondido. Mas como eu disse, seu ponto fraco era exatamente onde acreditava ser forte: seu orgulho! Dessa vez conquistou, se envolveu, mas havia uma terceira pessoa. Sim. Quantas pessoas existem num casamento? "Duas, o homem e a mulher. Não senhor, no casamento existem três pessoas, há a mulher, há o homem, e há o que chamo a terceira pessoa, a mais importante, a pessoa que é constituída pelo homem e pela mulher juntos"*. Mas parece que ele faz de tudo pra destruir essa terceira pessoa, pra ele basta viver consigo mesmo.

* A sitação em parênteses é do livro Todos os Nomes do Saramago.

Friday, July 06, 2007

Que nome dar?

Naquele dia de sol, João pegou seu barco e foi navegar, o dia estava lindo, um mergulho não seria nada mal. Pula na água, as ondas do mar estão bem calmas. Foi nadando, nadando, mas, como as coisas mudam, de repente, chegou uma tempestade.
Pensou em voltar para o barco, mas já era tarde, o barco estava distante, ele se distraiu nadando. Foi então que teve que dar braçadas em meio a ondas gigantescas, o barco cada vez mais longe. Pelo menos ele tinha um colete salva-vidas. A tempestade fez o céu escurecer mais cedo, e ele perdeu o barquinho de vista. Tentou nadar para o litoral, desesperadamente, sua angústia aumentava, engoliu água, estava tudo escuro, teve fobia. Ondas e mais ondas, agora não conseguia dar grandes braçadas, estava esgotado, exausto.
Então abriu os olhos, agora já não tinha mais nada... nada de ondas, de água, de barco, de escuridão, nem o colete estava com ele, só a dor que aumentara. Aquela dor que nos aprisiona desde o primeiro dia de vida e que, gradualmente, aumenta no peito. Dor cruel, laciva, impossível de não doer. A dor de perder.

Thursday, June 28, 2007

Laura é uma menina legal, muito legal! Não tem papas na língua... É bonita, inteligente, engraçada, risonha. Mas é completamente maluca. Não sei se devemos chamar de maluca, mas ela vive como quer viver... Um dia estávamos num bar, um cara a paquerava, alguém disse:

- Ele tem namorada...

Ela nem ligou, tava a fim e beijou.

- O compromisso não é meu...

Um belo dia ela estava ficando com um cara, ele era amigo do primo dela, o primo dela é gay, de repente ela solta:

- Cara, você é gay?

Claro, ele ficou magoadíssimo, ela até chorou depois de vergonha. Mas se explicou com ele e são bons amigos agora. Mas o mais louco nessa menina é a espontaneidade... É, acho que é essa a palavra...

Todo mundo chapado e ela diz:

- Vou ali dar um mijão!

O pessoal continua chapado e ela:

- campeonato de arrotooooo!!! Quem começa? Ninguém se habilita? Eu começo então!

Assim, ela não é vulgar, ela é legal, mas tem uma coisa que é só dela e não liga se alguém não gostar.

Sunday, June 24, 2007

As crianças do terceiro período resolveram sentar numa roda e conversar questões existenciais. Até que uma delas resolve falar sobre um assunto muito sério: a existência de ninguém mais, ninguém menos, que Papai Noel. Mas um deles era mais esperto e disse:
- Ei, gente, quê isso! Papai Noel não existe... Mas coelhinho da páscoa... Ah, esse existe!

Pode não parecer, mas é uma discussão profundíssima!

Wednesday, June 13, 2007

O Devagar e o Súbito

O frio lhe doía os dedos ao tocar o piano. A professora sempre adivertiu para que fizesse o aquecimento das mãos e exercícios para a flexibilidade, porém, a necessidade de tocar era tanta, tão desesperada, que não podia perder tempo com aquilo.

Tocava com atenção, muita atenção, nota a nota, não errava uma, nenhuma lhe passava desapercebida. Ao tocar não se lembrava do passado e nem se importava com o futuro. Era apenas a vida, ela e o piano. Nota a nota, não o "do, re, do, re", mas tocava clássicos e mais clássicos, difíceis, aqueles que mexem com a alma, Bethoven, Bach, Mozart.

Não queria e nem poderia pensar naquele momento, mas no fundo sabia que se a morte viesse devagar tudo seria mais fácil. Nem era só a morte física que lhe incomodava, ela também sentia a morte que não parece morte, daquilo que não volta mais. Se tudo morresse devagar, se tudo morresse devagar, seria mais fácil. Entretanto aquela inesperada, aquela súbita, isso matava aos poucos, e era o que ela não queria para si. Que contradição, embora soubesse que morrer devagar doía menos aos outros, sabia que doía mais a si mesma. Seria egoísmo, e por isso não queria pensar naquilo, "morte lenta às coisas e pessoas, morte súbita para mim". Por esse motivo se calava e sentava ao piano, dedilhava, esquecia as pessoas, as coisas e suas mortes.

Sunday, June 03, 2007

Luz forte sobre minha cabeça
Última chama que
Como quem não quer nada
Ignora meus defeitos e
Admira meus argumentos
Que na maioria das vezes,
falsos e cretinos,
Se disfarçam de verdade
Por serem extremamente bem construídos.

Friday, May 25, 2007

Insuportável

Se da boca lhe saíssem palavras doces, mas ela era só ironia e amargura. Amargura essa que a fazia inchar. Não conseguia saber o que lhe faltava, então comia para preencher o vazio. Cada vez mais gorda, cada vez comia mais. Tornava-se mais feia, mais rejeitada, comia mais um pouco então. Não bebia, talvez se bebesse seria melhor, ou então ela ficaria tão chata que nem ela mesma se suportaria.

Saturday, May 19, 2007

Pornografia na Rua Ceará.

Patrícia e Gustavo eram namorados daqueles que brigam por tudo. Qualquer coisa era motivo pra sair batendo a porta, chorar, gritar, bater, desligar o telefone na cara. Parecia romance de novela mexicana, bem tragicômico. Só que teve um dia que foi mais cômico do que trágico. Gustavo fez 18 anos dez meses antes de Patrícia, e foi logo tirando carteira de motorista. Quando ela antingiu a maioridade, ele indicou seu instrutor, dizia que era um bom profissional. Bom, aquele dia, em que Patrícia começaria a fazer as aulas de direção, era um dia especial, formatura de uns amigos, ia ser um festão. E ela estava com as horas contadas, tal horário seria a aula, depois academia, depois salão e depois a festa.

Bom, tomou seu banho como de costume e foi aprender a dirigir. Assim que entrou no carro o instrutor falou:

- Prazer em conhecê-la! Mas nossa, você é bonita! O Gustavo disse que não era...
- Ele disse isso?

E fez a aula com tanto ódio e pensando em matar o Gustavo! "Como assim, fala pros outros que a namorada é feia? Se sou feia, por que namora comigo? Ah, mas ele me paga, vou brigar demais". E assim foi, nem prestou atenção na aula, só queria saber de brigar com o namorado.

Bom, sei que eles brigaram muito e ela foi pro salão. Fez um penteado e uma maquiagem e ficou esperando o Gustavo chegar pra eles irem pra festa. Acontece que ele combinou de chegar 9 da noite e só apareceu quase 11. Ela já estava com ódio mortal, estava com vontade de dormir, mas o penteado a atrapalhava, pensou em tirar o vestido e tomar um banho, mas resolveu esperar e esperar e esperar.

Enfim ele chegou e foram pra festa discutindo, aos berros, mas com certa classe pra não estragar a maquiagem e o vestido. Ao chegarem na festa ficaram entre os amigos, era um apagando fogo daqui, outro de lá. "Ele não queria dizer que você é feia, você não é feia, ele só não queria fazer propaganda", dizia um amigo. Mas ela estava resistente, queria brigar, queria chamar a atenção do namorado de qualquer maneira. Bom, não resolveram a questão na festa, mas ela bebeu bastante, tomou um porre de uísque importado. Ele voltou dirigindo e ela começou a fazer charminho:

- Ai, estou passando mal, acho que bebi demais.
- Passando mal?
- É, estou mal, acho que vou vomitar

Era tudo mentira, mas Gustavo tinha acabado de ganhar o carro dos pais, dizem por aí que brasileiro é apaixonado por carro. Faltava um quarteirão para deixar Patrícia em casa, mas ele desesperou, ela ia vomitar no carro dele. Entraram na rua Ceará, ele deu uma freiada brusca, saiu do carro, e ela sem entender nada:

- Quê isso Gustavo?
Ele abriu a porta do passageiro.
- Você vai me deixar aqui na rua? - disse assustada.
- Ponha as pernas e a cabeça pra fora! Você tem que vomitar.
- O quê?
- Fica quieta, menina, você está falando demais!
- Eu que falo demais?

E aumentaram o volume da voz...

- Vou enfiar o dedo e você não tira!
- Não quero!
- Vou enfiar!
- Tá doendo!
- Mas é pro seu bem, vou enfiar, não tira!
- Não quero, Gustavo!

De repente, na casa da esquina, uma janela se entreabre, só uma gretinha, e eles escutam a voz rouca de uma velhinha:

- Seeeeeuuuussss pornográficos! Não vê que a menina não quer?

(Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.)

Thursday, May 17, 2007

É uma pena!

Chegou ao encontro, era um encontro a três, mas nada de amor, eram colegas de sala e faziam parte de um grupo. Dois chegaram antes, enquanto ela não vinha. O trânsito em Belo Horizonte anda complicado nesse horário, ainda mais na Av. Afonso Pena. Duas mulheres e um homem, mas por enquanto só um homem e uma mulher. A primeira mulher pergunta sobre a ex namorada. Ele diz que acabou mesmo, que se apaixonou por outra, mas que a outra tem namorado.
- Ah! Complicado... Eu acho difícil separar um casal. – diz ela.
- Que nada! Quando é assim, quando a mulher dá entrada, se você quiser, basta fazer o que ele não faz.
- Será?
- Claro!
- Mas você e sua ex não rola mais nada?
- Ela quer voltar... uma pena, não dá, estou mesmo apaixonado. Só que a outra não quer nada comigo... Também, daqui uns dias vou deixar de vê-la.
- Por quê?
- Digamos que ela é da sala...
- Ah, já tinha percebido...
- Né?

Então ela chegou, eles faziam o trabalho tranquilamente. A outra pensando nos dois: "será que daria certo? Será que ela largaria seu namorado do interior pra ficar com ele? Ela tem a boca tão gostosa... boquinha linda, sempre reparei... Ele está olhando pra boquinha dela, descaradamente. Ela nem percebe! Ou será que finge? Eu não posso olhar, ai que inveja"
E ele solta um suspiro e diz:
- É... é uma pena...
- Uma pena...

Wednesday, May 16, 2007

Morrer?

Morrer é dormir sem sonhar.