Monday, October 01, 2007
Era digna de poesia. Cantou para mim: "Não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for"... Mas não sei se aceito o seu estranho amor... Me tirou pra dançar e quando já estava na pista me perguntou se eu sabia. Quanta contradição... Respondo que sei um pouco e ela me diz que também não sabe muito. Ela aperta minha mão, me dá um frio, fico tonto, fico louco pra dizer alguma coisa. Mas ela é bem direta, diz adorar meu sotaque, não tenho resposta. Ela é tão linda, tão imprevisível. Eu sou tão igual aos outros... Penso o que ela viu em mim, penso se devo lhe beijar a boca. Por que pensar? Deveria agir. Mas não ajo, fico imóvel, estarrecido. Ela é tão segura de si, tão certa do que quer. E eu vagando perdido, sem ao menos conseguir respondê-la. Ela se despede de mim com um beijo na bochecha, sai cantarolando "um amor assim delicado, você pega e despreza". Maldito Caetano!
Friday, September 21, 2007
Se acontece de gostar sem se conhecer alguém,
Nem o sexo, nem o cheiro, nem o passo, ou qualquer gesto,
Nem a voz, nem o tempeiro, nem o olhar...
Será que acontece de amar sem se saber?
Sem conhecer a personalidade, sem saber quem há de ser?
Vai ser alguém? Um apaixonado por arte e por história, por música,
por lazer? Dedicado ao trabalho? Estudioso? Vai gostar de ler?
Pode se amar assim? Incondicionalmente? Sem se saber?
Nem o sexo, nem o cheiro, nem o passo, ou qualquer gesto,
Nem a voz, nem o tempeiro, nem o olhar...
Será que acontece de amar sem se saber?
Sem conhecer a personalidade, sem saber quem há de ser?
Vai ser alguém? Um apaixonado por arte e por história, por música,
por lazer? Dedicado ao trabalho? Estudioso? Vai gostar de ler?
Pode se amar assim? Incondicionalmente? Sem se saber?
Thursday, August 30, 2007
Não à ignorância na hora das cantadas!
Hoje, andando pela rua, recebi a seguinte cantada:
"Que saúde! Deus conserve, viu? Lôrão!"
Fiquei refletindo sobre essa frase por algum tempo. Como vocês sabem, quando o assunto envolve deus e seus mistérios acabo sempre filosofando. Sei que é uma simples cantada, mas quero, através desse texto, mostrar como se transforma um 'elogio', ou sei lá como podemos chama-lo, em um pensamento filosófico existencialista.
Bom, a questão que me intrigou foi "Deus conserve"... fiquei pensando nessa frase com absoluta profundidade e entendo que, se deus é esse ser que todos dizem, que criou a vida e a morte, a noite e o dia, a natureza e toda sua essência, criou a física, a química e a biologia. Criou norte, sul, leste, oeste, enfim... Se é desse deus que ele fala, então não entendo... Não me entra na cabeça tal frase, porque acredito que deus pode fazer de tudo, menos conservar coisas e pessoas. Se a vida é constante transformação, mudança a todo momento, "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", então, ao meu ver, querido galanteador, você não entende nada de deus, nada da natureza e nada da efemeridade da vida. E como se diz por aí, às vezes não prestamos atenção no que falamos e no quão infundadas são nossas frases.
"Que saúde! Deus conserve, viu? Lôrão!"
Fiquei refletindo sobre essa frase por algum tempo. Como vocês sabem, quando o assunto envolve deus e seus mistérios acabo sempre filosofando. Sei que é uma simples cantada, mas quero, através desse texto, mostrar como se transforma um 'elogio', ou sei lá como podemos chama-lo, em um pensamento filosófico existencialista.
Bom, a questão que me intrigou foi "Deus conserve"... fiquei pensando nessa frase com absoluta profundidade e entendo que, se deus é esse ser que todos dizem, que criou a vida e a morte, a noite e o dia, a natureza e toda sua essência, criou a física, a química e a biologia. Criou norte, sul, leste, oeste, enfim... Se é desse deus que ele fala, então não entendo... Não me entra na cabeça tal frase, porque acredito que deus pode fazer de tudo, menos conservar coisas e pessoas. Se a vida é constante transformação, mudança a todo momento, "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", então, ao meu ver, querido galanteador, você não entende nada de deus, nada da natureza e nada da efemeridade da vida. E como se diz por aí, às vezes não prestamos atenção no que falamos e no quão infundadas são nossas frases.
Monday, August 20, 2007
A vida pensando consigo...
Se se causa polêmica sendo alguém ou deixando de ser, isso pouco importa. Na verdade somos algo que transita, instavelmente, entre o ser e o não ser. Entre o levar e o deixar-se levar. Preconceito, raiva, rancor... tudo isso só existe se em você o sentimento existe. Não é um texto de auto-ajuda, nem de obviedades, fato é que deixamos de ver, de viver, de sentir, porque estamos achando o momento inapropriado, as pessoas indesejadas, as coisas monótonas. Esquecemos que a vida é composta de tudo isso. Nunca entendi a função do chefe que acha que levar a vida a sério é ter a cara amarrada, rancorosa, de cão de guarda, que está sempre à espreita do erro do funcionário. E ele, o funcionário, vai errar! Sempre, e muito! A todo momento. Porque quando esperamos algo dos outros vamos sempre nos frustrar. E aquele homem que vejo ganhar rios de dinheiro, mas sem tempo e sem amor à vida suficientes para aproveitar, não tenho inveja, mas também não tenho pena e não perdôo.
Friday, July 27, 2007
Desafeto
Orgulho. Um dos seus maiores defeitos, ele sabia disso. Porém não adiantava dizer, assim como continua não adiantando. Caminhava altivo, com nariz empinado, seus cabelos lisos, nem curtos, nem muito compridos, caíam sobre os olhos. Ele os jogava para trás com um movimento de cabeça ou com as mãos mesmo. Não era bonito. Era baixo, franzino, dentes para fora, dizia ser descentente de índio. Apesar da aparência, sabia conquistar uma mulher, tinha seu lado Don Juan. Se envolvia de tal forma com elas que as faziam acreditar que haviam encontrado o homem de sua vida. Mas tudo era passageiro, ele gostava mesmo era de conquistar. Mas não acredito que seja um cafajeste sozinho... as mulheres tinham sua parcela de culpa. Era tão óbvio que não podia ser real, mas mulheres gostam disso, gostam de sofrer por um amor não correspondido. Mas como eu disse, seu ponto fraco era exatamente onde acreditava ser forte: seu orgulho! Dessa vez conquistou, se envolveu, mas havia uma terceira pessoa. Sim. Quantas pessoas existem num casamento? "Duas, o homem e a mulher. Não senhor, no casamento existem três pessoas, há a mulher, há o homem, e há o que chamo a terceira pessoa, a mais importante, a pessoa que é constituída pelo homem e pela mulher juntos"*. Mas parece que ele faz de tudo pra destruir essa terceira pessoa, pra ele basta viver consigo mesmo.
* A sitação em parênteses é do livro Todos os Nomes do Saramago.
* A sitação em parênteses é do livro Todos os Nomes do Saramago.
Friday, July 06, 2007
Que nome dar?
Naquele dia de sol, João pegou seu barco e foi navegar, o dia estava lindo, um mergulho não seria nada mal. Pula na água, as ondas do mar estão bem calmas. Foi nadando, nadando, mas, como as coisas mudam, de repente, chegou uma tempestade.
Pensou em voltar para o barco, mas já era tarde, o barco estava distante, ele se distraiu nadando. Foi então que teve que dar braçadas em meio a ondas gigantescas, o barco cada vez mais longe. Pelo menos ele tinha um colete salva-vidas. A tempestade fez o céu escurecer mais cedo, e ele perdeu o barquinho de vista. Tentou nadar para o litoral, desesperadamente, sua angústia aumentava, engoliu água, estava tudo escuro, teve fobia. Ondas e mais ondas, agora não conseguia dar grandes braçadas, estava esgotado, exausto.
Então abriu os olhos, agora já não tinha mais nada... nada de ondas, de água, de barco, de escuridão, nem o colete estava com ele, só a dor que aumentara. Aquela dor que nos aprisiona desde o primeiro dia de vida e que, gradualmente, aumenta no peito. Dor cruel, laciva, impossível de não doer. A dor de perder.
Pensou em voltar para o barco, mas já era tarde, o barco estava distante, ele se distraiu nadando. Foi então que teve que dar braçadas em meio a ondas gigantescas, o barco cada vez mais longe. Pelo menos ele tinha um colete salva-vidas. A tempestade fez o céu escurecer mais cedo, e ele perdeu o barquinho de vista. Tentou nadar para o litoral, desesperadamente, sua angústia aumentava, engoliu água, estava tudo escuro, teve fobia. Ondas e mais ondas, agora não conseguia dar grandes braçadas, estava esgotado, exausto.
Então abriu os olhos, agora já não tinha mais nada... nada de ondas, de água, de barco, de escuridão, nem o colete estava com ele, só a dor que aumentara. Aquela dor que nos aprisiona desde o primeiro dia de vida e que, gradualmente, aumenta no peito. Dor cruel, laciva, impossível de não doer. A dor de perder.
Thursday, June 28, 2007
Laura é uma menina legal, muito legal! Não tem papas na língua... É bonita, inteligente, engraçada, risonha. Mas é completamente maluca. Não sei se devemos chamar de maluca, mas ela vive como quer viver... Um dia estávamos num bar, um cara a paquerava, alguém disse:
- Ele tem namorada...
Ela nem ligou, tava a fim e beijou.
- O compromisso não é meu...
Um belo dia ela estava ficando com um cara, ele era amigo do primo dela, o primo dela é gay, de repente ela solta:
- Cara, você é gay?
Claro, ele ficou magoadíssimo, ela até chorou depois de vergonha. Mas se explicou com ele e são bons amigos agora. Mas o mais louco nessa menina é a espontaneidade... É, acho que é essa a palavra...
Todo mundo chapado e ela diz:
- Vou ali dar um mijão!
O pessoal continua chapado e ela:
- campeonato de arrotooooo!!! Quem começa? Ninguém se habilita? Eu começo então!
Assim, ela não é vulgar, ela é legal, mas tem uma coisa que é só dela e não liga se alguém não gostar.
- Ele tem namorada...
Ela nem ligou, tava a fim e beijou.
- O compromisso não é meu...
Um belo dia ela estava ficando com um cara, ele era amigo do primo dela, o primo dela é gay, de repente ela solta:
- Cara, você é gay?
Claro, ele ficou magoadíssimo, ela até chorou depois de vergonha. Mas se explicou com ele e são bons amigos agora. Mas o mais louco nessa menina é a espontaneidade... É, acho que é essa a palavra...
Todo mundo chapado e ela diz:
- Vou ali dar um mijão!
O pessoal continua chapado e ela:
- campeonato de arrotooooo!!! Quem começa? Ninguém se habilita? Eu começo então!
Assim, ela não é vulgar, ela é legal, mas tem uma coisa que é só dela e não liga se alguém não gostar.
Sunday, June 24, 2007
As crianças do terceiro período resolveram sentar numa roda e conversar questões existenciais. Até que uma delas resolve falar sobre um assunto muito sério: a existência de ninguém mais, ninguém menos, que Papai Noel. Mas um deles era mais esperto e disse:
- Ei, gente, quê isso! Papai Noel não existe... Mas coelhinho da páscoa... Ah, esse existe!
Pode não parecer, mas é uma discussão profundíssima!
- Ei, gente, quê isso! Papai Noel não existe... Mas coelhinho da páscoa... Ah, esse existe!
Pode não parecer, mas é uma discussão profundíssima!
Wednesday, June 13, 2007
O Devagar e o Súbito
O frio lhe doía os dedos ao tocar o piano. A professora sempre adivertiu para que fizesse o aquecimento das mãos e exercícios para a flexibilidade, porém, a necessidade de tocar era tanta, tão desesperada, que não podia perder tempo com aquilo.
Tocava com atenção, muita atenção, nota a nota, não errava uma, nenhuma lhe passava desapercebida. Ao tocar não se lembrava do passado e nem se importava com o futuro. Era apenas a vida, ela e o piano. Nota a nota, não o "do, re, do, re", mas tocava clássicos e mais clássicos, difíceis, aqueles que mexem com a alma, Bethoven, Bach, Mozart.
Não queria e nem poderia pensar naquele momento, mas no fundo sabia que se a morte viesse devagar tudo seria mais fácil. Nem era só a morte física que lhe incomodava, ela também sentia a morte que não parece morte, daquilo que não volta mais. Se tudo morresse devagar, se tudo morresse devagar, seria mais fácil. Entretanto aquela inesperada, aquela súbita, isso matava aos poucos, e era o que ela não queria para si. Que contradição, embora soubesse que morrer devagar doía menos aos outros, sabia que doía mais a si mesma. Seria egoísmo, e por isso não queria pensar naquilo, "morte lenta às coisas e pessoas, morte súbita para mim". Por esse motivo se calava e sentava ao piano, dedilhava, esquecia as pessoas, as coisas e suas mortes.
Tocava com atenção, muita atenção, nota a nota, não errava uma, nenhuma lhe passava desapercebida. Ao tocar não se lembrava do passado e nem se importava com o futuro. Era apenas a vida, ela e o piano. Nota a nota, não o "do, re, do, re", mas tocava clássicos e mais clássicos, difíceis, aqueles que mexem com a alma, Bethoven, Bach, Mozart.
Não queria e nem poderia pensar naquele momento, mas no fundo sabia que se a morte viesse devagar tudo seria mais fácil. Nem era só a morte física que lhe incomodava, ela também sentia a morte que não parece morte, daquilo que não volta mais. Se tudo morresse devagar, se tudo morresse devagar, seria mais fácil. Entretanto aquela inesperada, aquela súbita, isso matava aos poucos, e era o que ela não queria para si. Que contradição, embora soubesse que morrer devagar doía menos aos outros, sabia que doía mais a si mesma. Seria egoísmo, e por isso não queria pensar naquilo, "morte lenta às coisas e pessoas, morte súbita para mim". Por esse motivo se calava e sentava ao piano, dedilhava, esquecia as pessoas, as coisas e suas mortes.
Sunday, June 03, 2007
Friday, May 25, 2007
Insuportável
Se da boca lhe saíssem palavras doces, mas ela era só ironia e amargura. Amargura essa que a fazia inchar. Não conseguia saber o que lhe faltava, então comia para preencher o vazio. Cada vez mais gorda, cada vez comia mais. Tornava-se mais feia, mais rejeitada, comia mais um pouco então. Não bebia, talvez se bebesse seria melhor, ou então ela ficaria tão chata que nem ela mesma se suportaria.
Saturday, May 19, 2007
Pornografia na Rua Ceará.
Patrícia e Gustavo eram namorados daqueles que brigam por tudo. Qualquer coisa era motivo pra sair batendo a porta, chorar, gritar, bater, desligar o telefone na cara. Parecia romance de novela mexicana, bem tragicômico. Só que teve um dia que foi mais cômico do que trágico. Gustavo fez 18 anos dez meses antes de Patrícia, e foi logo tirando carteira de motorista. Quando ela antingiu a maioridade, ele indicou seu instrutor, dizia que era um bom profissional. Bom, aquele dia, em que Patrícia começaria a fazer as aulas de direção, era um dia especial, formatura de uns amigos, ia ser um festão. E ela estava com as horas contadas, tal horário seria a aula, depois academia, depois salão e depois a festa.
Bom, tomou seu banho como de costume e foi aprender a dirigir. Assim que entrou no carro o instrutor falou:
- Prazer em conhecê-la! Mas nossa, você é bonita! O Gustavo disse que não era...
- Ele disse isso?
E fez a aula com tanto ódio e pensando em matar o Gustavo! "Como assim, fala pros outros que a namorada é feia? Se sou feia, por que namora comigo? Ah, mas ele me paga, vou brigar demais". E assim foi, nem prestou atenção na aula, só queria saber de brigar com o namorado.
Bom, sei que eles brigaram muito e ela foi pro salão. Fez um penteado e uma maquiagem e ficou esperando o Gustavo chegar pra eles irem pra festa. Acontece que ele combinou de chegar 9 da noite e só apareceu quase 11. Ela já estava com ódio mortal, estava com vontade de dormir, mas o penteado a atrapalhava, pensou em tirar o vestido e tomar um banho, mas resolveu esperar e esperar e esperar.
Enfim ele chegou e foram pra festa discutindo, aos berros, mas com certa classe pra não estragar a maquiagem e o vestido. Ao chegarem na festa ficaram entre os amigos, era um apagando fogo daqui, outro de lá. "Ele não queria dizer que você é feia, você não é feia, ele só não queria fazer propaganda", dizia um amigo. Mas ela estava resistente, queria brigar, queria chamar a atenção do namorado de qualquer maneira. Bom, não resolveram a questão na festa, mas ela bebeu bastante, tomou um porre de uísque importado. Ele voltou dirigindo e ela começou a fazer charminho:
- Ai, estou passando mal, acho que bebi demais.
- Passando mal?
- É, estou mal, acho que vou vomitar
Era tudo mentira, mas Gustavo tinha acabado de ganhar o carro dos pais, dizem por aí que brasileiro é apaixonado por carro. Faltava um quarteirão para deixar Patrícia em casa, mas ele desesperou, ela ia vomitar no carro dele. Entraram na rua Ceará, ele deu uma freiada brusca, saiu do carro, e ela sem entender nada:
- Quê isso Gustavo?
Ele abriu a porta do passageiro.
- Você vai me deixar aqui na rua? - disse assustada.
- Ponha as pernas e a cabeça pra fora! Você tem que vomitar.
- O quê?
- Fica quieta, menina, você está falando demais!
- Eu que falo demais?
E aumentaram o volume da voz...
- Vou enfiar o dedo e você não tira!
- Não quero!
- Vou enfiar!
- Tá doendo!
- Mas é pro seu bem, vou enfiar, não tira!
- Não quero, Gustavo!
De repente, na casa da esquina, uma janela se entreabre, só uma gretinha, e eles escutam a voz rouca de uma velhinha:
- Seeeeeuuuussss pornográficos! Não vê que a menina não quer?
(Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.)
Bom, tomou seu banho como de costume e foi aprender a dirigir. Assim que entrou no carro o instrutor falou:
- Prazer em conhecê-la! Mas nossa, você é bonita! O Gustavo disse que não era...
- Ele disse isso?
E fez a aula com tanto ódio e pensando em matar o Gustavo! "Como assim, fala pros outros que a namorada é feia? Se sou feia, por que namora comigo? Ah, mas ele me paga, vou brigar demais". E assim foi, nem prestou atenção na aula, só queria saber de brigar com o namorado.
Bom, sei que eles brigaram muito e ela foi pro salão. Fez um penteado e uma maquiagem e ficou esperando o Gustavo chegar pra eles irem pra festa. Acontece que ele combinou de chegar 9 da noite e só apareceu quase 11. Ela já estava com ódio mortal, estava com vontade de dormir, mas o penteado a atrapalhava, pensou em tirar o vestido e tomar um banho, mas resolveu esperar e esperar e esperar.
Enfim ele chegou e foram pra festa discutindo, aos berros, mas com certa classe pra não estragar a maquiagem e o vestido. Ao chegarem na festa ficaram entre os amigos, era um apagando fogo daqui, outro de lá. "Ele não queria dizer que você é feia, você não é feia, ele só não queria fazer propaganda", dizia um amigo. Mas ela estava resistente, queria brigar, queria chamar a atenção do namorado de qualquer maneira. Bom, não resolveram a questão na festa, mas ela bebeu bastante, tomou um porre de uísque importado. Ele voltou dirigindo e ela começou a fazer charminho:
- Ai, estou passando mal, acho que bebi demais.
- Passando mal?
- É, estou mal, acho que vou vomitar
Era tudo mentira, mas Gustavo tinha acabado de ganhar o carro dos pais, dizem por aí que brasileiro é apaixonado por carro. Faltava um quarteirão para deixar Patrícia em casa, mas ele desesperou, ela ia vomitar no carro dele. Entraram na rua Ceará, ele deu uma freiada brusca, saiu do carro, e ela sem entender nada:
- Quê isso Gustavo?
Ele abriu a porta do passageiro.
- Você vai me deixar aqui na rua? - disse assustada.
- Ponha as pernas e a cabeça pra fora! Você tem que vomitar.
- O quê?
- Fica quieta, menina, você está falando demais!
- Eu que falo demais?
E aumentaram o volume da voz...
- Vou enfiar o dedo e você não tira!
- Não quero!
- Vou enfiar!
- Tá doendo!
- Mas é pro seu bem, vou enfiar, não tira!
- Não quero, Gustavo!
De repente, na casa da esquina, uma janela se entreabre, só uma gretinha, e eles escutam a voz rouca de uma velhinha:
- Seeeeeuuuussss pornográficos! Não vê que a menina não quer?
(Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.)
Thursday, May 17, 2007
É uma pena!
Chegou ao encontro, era um encontro a três, mas nada de amor, eram colegas de sala e faziam parte de um grupo. Dois chegaram antes, enquanto ela não vinha. O trânsito em Belo Horizonte anda complicado nesse horário, ainda mais na Av. Afonso Pena. Duas mulheres e um homem, mas por enquanto só um homem e uma mulher. A primeira mulher pergunta sobre a ex namorada. Ele diz que acabou mesmo, que se apaixonou por outra, mas que a outra tem namorado.
- Ah! Complicado... Eu acho difícil separar um casal. – diz ela.
- Que nada! Quando é assim, quando a mulher dá entrada, se você quiser, basta fazer o que ele não faz.
- Será?
- Claro!
- Mas você e sua ex não rola mais nada?
- Ela quer voltar... uma pena, não dá, estou mesmo apaixonado. Só que a outra não quer nada comigo... Também, daqui uns dias vou deixar de vê-la.
- Por quê?
- Digamos que ela é da sala...
- Ah, já tinha percebido...
- Né?
Então ela chegou, eles faziam o trabalho tranquilamente. A outra pensando nos dois: "será que daria certo? Será que ela largaria seu namorado do interior pra ficar com ele? Ela tem a boca tão gostosa... boquinha linda, sempre reparei... Ele está olhando pra boquinha dela, descaradamente. Ela nem percebe! Ou será que finge? Eu não posso olhar, ai que inveja"
E ele solta um suspiro e diz:
- É... é uma pena...
- Uma pena...
- Ah! Complicado... Eu acho difícil separar um casal. – diz ela.
- Que nada! Quando é assim, quando a mulher dá entrada, se você quiser, basta fazer o que ele não faz.
- Será?
- Claro!
- Mas você e sua ex não rola mais nada?
- Ela quer voltar... uma pena, não dá, estou mesmo apaixonado. Só que a outra não quer nada comigo... Também, daqui uns dias vou deixar de vê-la.
- Por quê?
- Digamos que ela é da sala...
- Ah, já tinha percebido...
- Né?
Então ela chegou, eles faziam o trabalho tranquilamente. A outra pensando nos dois: "será que daria certo? Será que ela largaria seu namorado do interior pra ficar com ele? Ela tem a boca tão gostosa... boquinha linda, sempre reparei... Ele está olhando pra boquinha dela, descaradamente. Ela nem percebe! Ou será que finge? Eu não posso olhar, ai que inveja"
E ele solta um suspiro e diz:
- É... é uma pena...
- Uma pena...
Wednesday, May 16, 2007
Friday, May 11, 2007
Maio, Maio, Maio
É maio em Belo Horizonte, maio, maio, maio é
Feito frio vento voarei, maio
Filmes rápidos, plágios sonharei
Sempre dispenso a esperança
Contente com a lentidão de um lugar
Que a ventania deste mês sacoleja, modifica e lança
É maio
Maio, maio, maio, maio é
Maio
Sonho sonho sonho sonharei
Talvez um monstro em maio me assuste
Porém o tempo, o devorador
Já sabe que sou em quem o degusta
Maio
E me
Sento
No chão
Olho para a Serra do Curral
Sem nem
Lembrar
Quem foi que num verão cruel
Veio, passo a passo
E seqüestrou meu coração
Mas não levou o céu
Que avisto aqui do chão
* Composição Maio, Maio, Maio de João Bosco/ Antônio Cícero / Waly Salomão. Descaradamente adaptada por Raquel para caber à realidade de Belo Horizonte.
Friday, May 04, 2007
Musiquinhas que meu pai cantava pra mim.
"Fui certa vez na casa de um japonês
E o japonês tacou cigarro no chão
A japonesa começou a reclamar
E o japonês pôs a mão no cinturão
E disse então
- Kataí, Kataí, Kataí, Katá, Kataí, Kataí, Kata, Kata, já
- Tumimanda katá, tumimanda katá, japão, kataítu, kitukitakou no chão!"
Tinha uma que ele perguntava e eu respondia:
"- Menina, tu tá comendo vridro?
- Não pai, tô chupano é preda d'água"
E tinha a introdução do hino nacional:
"Laranja da china, laranja da china, laranja da Chi-na
Abacate, limão doce e tangerina
Quando eu morrer, quero uma cova bem funda
pro tatu não beliscar a minha bunda"
'Tinha aquela clássica também:
"Papai, eu quero me casar!
- ô minha filha, você diga com quem.
- Eu quero me casar com o leiteiro.
- ô minha filha, você não casa bem.
- Por que, papai?
- O leiteiro tira o leite da vaca, e depois vai tirar docê também"
E eu amava essas musiquinhas!
E o japonês tacou cigarro no chão
A japonesa começou a reclamar
E o japonês pôs a mão no cinturão
E disse então
- Kataí, Kataí, Kataí, Katá, Kataí, Kataí, Kata, Kata, já
- Tumimanda katá, tumimanda katá, japão, kataítu, kitukitakou no chão!"
Tinha uma que ele perguntava e eu respondia:
"- Menina, tu tá comendo vridro?
- Não pai, tô chupano é preda d'água"
E tinha a introdução do hino nacional:
"Laranja da china, laranja da china, laranja da Chi-na
Abacate, limão doce e tangerina
Quando eu morrer, quero uma cova bem funda
pro tatu não beliscar a minha bunda"
'Tinha aquela clássica também:
"Papai, eu quero me casar!
- ô minha filha, você diga com quem.
- Eu quero me casar com o leiteiro.
- ô minha filha, você não casa bem.
- Por que, papai?
- O leiteiro tira o leite da vaca, e depois vai tirar docê também"
E eu amava essas musiquinhas!
Tuesday, April 24, 2007
Felicidade tem cura!
Duas moças.
Moça 1: Nossa, mas isso é sério!
Moça 2: Não é? hahahaahahhaha!!!!
Moça1: Sim, mas você não disse que ia ao médico?
Moça2: Eu fui!!! Hahahahahaha!!!
Moça1: e aí?
Moça2: Ele me perguntou qual era o problema! hahahahahhaa! E eu disse que o problema era esse!!! hahahahaha Falei: doutor, não consigo parar de rir hahahaha!
Moça1: e o que ele disse?
Moça2: Ele disse que isso não era um problema. hahahahaha, falou que era porque eu era feliz hahahahah! Mas agora estou preocupada, hahahahahha, tenho que parar com isso hahahahaha!!!
Moça 1: Nossa, mas isso é sério!
Moça 2: Não é? hahahaahahhaha!!!!
Moça1: Sim, mas você não disse que ia ao médico?
Moça2: Eu fui!!! Hahahahahaha!!!
Moça1: e aí?
Moça2: Ele me perguntou qual era o problema! hahahahahhaa! E eu disse que o problema era esse!!! hahahahaha Falei: doutor, não consigo parar de rir hahahaha!
Moça1: e o que ele disse?
Moça2: Ele disse que isso não era um problema. hahahahaha, falou que era porque eu era feliz hahahahah! Mas agora estou preocupada, hahahahahha, tenho que parar com isso hahahahaha!!!
Sunday, April 22, 2007
Defeitinhos de personalidade
Vejo que com cada amigo eu tenho uma relação diferente. Já me argumentei se isso não seria uma personalidade múltipla, mas acredito que não. É que tenho o infeliz costume político, e a percepção necessária para isso, de falar apenas o que o outro quer ouvir. Às vezes me assusto com as palavras que falo, que nada tem a ver com meu pensamento, que muitas vezes falam o contrário do que penso. Mas falo mesmo assim, minto. Enganou quem achou que sou pura verdade. Enganou quem acha que me conhece. Enganou redondamente. Me assusto com isso, muito, muito mesmo. Não que eu seja uma má pessoa. Mas sou bem egoísta. Não consigo me sensibilizar com a fome na África, ou atentados homicidas e suicidas, simplesmente não me importo com isso. Acho que somos parte da natureza e estamos aqui pra morrer mesmo. Morreu? Enterra... Nunca vamos ter um mundo perfeito, então não vou me importar com isso. Aí alguns vão dizer: "um dia acontece com você". Se acontecer comigo, eu sofro, e daí? Mais um ou menos um sofrendo no mundo... Que diferença faz?
Mas apesar de todo o egoísmo, gosto de meus amigos, mas muitas vezes não procuro. Quando a vida toma rumo diferente, na maioria das vezes, sumo. Simplesmente esqueço que aquela pessoa existiu. Não é por maldade, às vezes lembro dela com certa saudade. Mas é que não sou muito de sentir saudade, não sou muito de forçar as coisas. Família? Ah... família! Ninguém merece! Família pra mim é mãe, pai e irmã... O resto eu trato com carinho, mas não fico o tempo todo querendo saber o que estão fazendo. Ainda mais porque eles se metem demais, querem saber demais, e eu não gosto de dar muita satisfação.
Agora, quem não ligar pra esses meus defeitinhos, pode ser meu amigo. A maioria das minhas amigas dizem que sou louca, mas continuam minhas amigas, porque apesar dessa rabugisse toda, eu sou até legal. Só não gosto de discutir política e covardias ou crimes no mundo, acho perda de tempo.
Mas apesar de todo o egoísmo, gosto de meus amigos, mas muitas vezes não procuro. Quando a vida toma rumo diferente, na maioria das vezes, sumo. Simplesmente esqueço que aquela pessoa existiu. Não é por maldade, às vezes lembro dela com certa saudade. Mas é que não sou muito de sentir saudade, não sou muito de forçar as coisas. Família? Ah... família! Ninguém merece! Família pra mim é mãe, pai e irmã... O resto eu trato com carinho, mas não fico o tempo todo querendo saber o que estão fazendo. Ainda mais porque eles se metem demais, querem saber demais, e eu não gosto de dar muita satisfação.
Agora, quem não ligar pra esses meus defeitinhos, pode ser meu amigo. A maioria das minhas amigas dizem que sou louca, mas continuam minhas amigas, porque apesar dessa rabugisse toda, eu sou até legal. Só não gosto de discutir política e covardias ou crimes no mundo, acho perda de tempo.
Wednesday, April 18, 2007
Não procurei entender
Ei, moço, pode me dizer que horas são? Que mesmo sabendo que já passa do horário, posso ficar aqui? Pode me dizer que é isso que importa? Que esse é um dos momentos mais lindos que já viveu? Mesmo não sendo verdade, moço. Mesmo que não seja assim... Pode me chamar pra sair com você? Naquelas noites bonitas de lua cheia? Mesmo que não seja romântico, querido, só queria sair. Poderia novamente me dizer as horas? Elas passam tão rápido quando estou com você! Me diga que é mágico nosso momento, que nunca viu coisa igual. Pode me dizer, amigo, que nunca teve companhia assim? Mesmo que já tenha existido uma ou outra igual, mas gostaria de ouvir. Mesmo que seja desculpa, mesmo que seja só vontade. Mas diga pra mim, que é especial, que nunca sentiu algo assim.
Sunday, April 01, 2007
Marina
Se Marina fosse a menina que eu queria que ela fosse, sem dúvida me levaria pra viajar em seus pensamentos. Mas ela nunca soube me conduzir e eu sempre me perdia. Ela tinha seus amigos imaginários, eu tentava ter os meus. Mas muito realista, sempre, não conseguia dar nome a eles. O dela se chamava Escalor, e ele estava sempre no arco-íris, e como existiam arco-íris naquela época! Nina era doce, mas era uma doce muito doce, e eu não entendia sua doçura. Ela, às vezes, ria de mim, e isso doía, doía. Íamos ao clube, ao parque, à feira, e ela sempre manhosa, com sua mania de filha caçula. Eu sempre a mais velha.
Eu tinha ciúme de Escalor, ele a roubava de mim. Ela conversava com ele em noites de lua cheia, quando se formava aquele arco de luz em torno da lua, ele estava lá, e eu também, mas Marina não me via, só via a lua e seu amigo.
Marina tinha os cabelos dourados, compridos, olhos verdes. Eu morena, cabelo cacheado, cabelo e olhos castanhos. E todos diziam para ela não se pintar, que já era bonita com o que Deus lhe deu. E era mesmo.
Eu tinha ciúme de Escalor, ele a roubava de mim. Ela conversava com ele em noites de lua cheia, quando se formava aquele arco de luz em torno da lua, ele estava lá, e eu também, mas Marina não me via, só via a lua e seu amigo.
Marina tinha os cabelos dourados, compridos, olhos verdes. Eu morena, cabelo cacheado, cabelo e olhos castanhos. E todos diziam para ela não se pintar, que já era bonita com o que Deus lhe deu. E era mesmo.
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