Monday, October 12, 2009
O Vazio
Era eu, outrora, muito preocupada e interessada no conteúdo. No conteúdo das pessoas, no conteúdo dos livros, no conteúdo das letras de música, no conteúdo das conversas... Procurava sempre preencher-me. O que de bom aquilo era pra mim? Depois fui ver, que, quando se trata de existir, o conteúdo é sempre o mesmo. Existe ou não existe... Ponto. Passei a desconsiderar alguns conceitos que tinha sobre a futilidade, apesar de achar que a vida é, de certa forma, fútil. Queria conhecer pessoas que transgredissem regras sociais, que fossem modernas e que tivessem mente aberta, mas, na verdade, é apenas uma forma de eu não ter que conviver com as pessoas normais, as pessoas que existem, carne e osso, pessoas comuns, filhos de Ogum, Oxum ou sei lá o que. Era uma maneira de fugir. E o mais interessante é que ao me inserir em certo grupo, eu descobria que não era bem aquilo que eu procurava e sim uma coisa muito melhor. Um caminho novo, nunca antes navegado, um caminho único, o meu caminho. Mas nada, nada me preenchia nessa busca constante da felicidade e do existir, por isso mesmo acho que já estou, na verdade, em excesso preenchida e agora, o meu papel é esvaziar-me, esvaziar-me, esvaziar-me até eu deixar de ser.
Monday, October 05, 2009
Elvis
Ele me segurava forte, me abraçava e era tão bonito que minhas pupílas se dilatavam e minha face enrubrecia. Ele sabia disso, ele gostava de provar para si mesmo que era o sonho de várias mulheres. Era meu amigo. Infelizmente a vida tem suas contingências e aquele ano foi um ano duro para nós dois.
Ouvíamos a mesma música várias vezes ao dia. Não tínhamos muito o que fazer, é bem verdade, nosso trabalho era esperar. E nisso fumávamos um cigarro, ríamos, passávamos frio de braços dados e fomos criando uma intimidade que só verdadeiros amigos tem. Posso vê-lo só daqui a 200 anos, mesmo assim sei que será como se o tivesse encontrado ontem. Ele me fez enxergar muita coisa bonita. Me fez enxergar que eu sou bonita.
Acho que nunca me esquecerei de seu sorriso, do carinho que tinha por mim, tanto que tenho saudade dele até hoje. Tento contato, porém ele sumiu, está como eu, trabalhando muito e de verdade, não como era naquele tempo... Tempos estranhos, eu diria, terminei metendo os pés pelas mãos, tanta coisa aconteceu... Até que tentei tirar Elvis das minhas fantasias, dos sonhos de saber como seria lhe dar um beijo, o coração dele tinha dona, mesmo que ela não quisesse, era dela.
Foi então que resolvi cortar isso e ter algo real, com outro homem, pois o real estava batendo a porta e eu não podia mais esperar. E amei, de forma tão inesperada que já nem sei o que foi aquilo que senti. E quase morri quando ele me deixou. Parecia que eu ia afundar no colchão da minha cama até chegar no chão, até me sufocar em meio aos lençóis, travesseiros e edredons. Senti a dor de quem perde alguém muito especial, mas hoje o que foi aquilo que vivi?
Pra mim ficou Elvis. Elvis e seus cabelos lisos, sorriso largo, abraço quente. Elvis e sua melancolia, angustia, baixa auto-estima. Elvis e sua paixão mal-resolvida, sua galinhagem, sua mania de ser um macho alpha. Elvis e eu. Para sempre.
Ouvíamos a mesma música várias vezes ao dia. Não tínhamos muito o que fazer, é bem verdade, nosso trabalho era esperar. E nisso fumávamos um cigarro, ríamos, passávamos frio de braços dados e fomos criando uma intimidade que só verdadeiros amigos tem. Posso vê-lo só daqui a 200 anos, mesmo assim sei que será como se o tivesse encontrado ontem. Ele me fez enxergar muita coisa bonita. Me fez enxergar que eu sou bonita.
Acho que nunca me esquecerei de seu sorriso, do carinho que tinha por mim, tanto que tenho saudade dele até hoje. Tento contato, porém ele sumiu, está como eu, trabalhando muito e de verdade, não como era naquele tempo... Tempos estranhos, eu diria, terminei metendo os pés pelas mãos, tanta coisa aconteceu... Até que tentei tirar Elvis das minhas fantasias, dos sonhos de saber como seria lhe dar um beijo, o coração dele tinha dona, mesmo que ela não quisesse, era dela.
Foi então que resolvi cortar isso e ter algo real, com outro homem, pois o real estava batendo a porta e eu não podia mais esperar. E amei, de forma tão inesperada que já nem sei o que foi aquilo que senti. E quase morri quando ele me deixou. Parecia que eu ia afundar no colchão da minha cama até chegar no chão, até me sufocar em meio aos lençóis, travesseiros e edredons. Senti a dor de quem perde alguém muito especial, mas hoje o que foi aquilo que vivi?
Pra mim ficou Elvis. Elvis e seus cabelos lisos, sorriso largo, abraço quente. Elvis e sua melancolia, angustia, baixa auto-estima. Elvis e sua paixão mal-resolvida, sua galinhagem, sua mania de ser um macho alpha. Elvis e eu. Para sempre.
Wednesday, September 30, 2009
Ainda bem!
Ainda bem! Ainda bem que eu fui embora e te perdi pela distância... Ainda bem que agora estou salva aqui. E eu não te perdi pra ninguém. Eu te perdi, porque na verdade eu nunca tive. Ainda bem que aqui eu não ouço sua voz e não te vejo todos os dias, ainda bem...
E pensar que eu até acreditei que tinha achado um oásis no deserto, naquele dia que nos conhecemos melhor. Nunca sei se os homens que conheci serviram para me fortalecer ou para me desiludir de vez. E agora vejo você encontrar a "mulher da sua vida" e AINDA BEM que estou bem longe, que assim sinto a dor bem fraquinha no peito. E nem acredito nisso, não acredito mesmo, não há ninguém feito pra ninguém... Nada é eterno, e isso é mesmo o que me consola.
Eu sei, eu não sirvo pra isso, eu faço minhas loucuras, eu me jogo, eu não meço limites, eu sou uma artista e artistas nem existem, representam o tempo todo, e nem sei se essa dor que estou sentindo é mesmo minha. Tenho cansado de representar certas coisas e quero partir para outras, e já é chegada a hora. E ainda bem que já vou me embora.
E pensar que eu até acreditei que tinha achado um oásis no deserto, naquele dia que nos conhecemos melhor. Nunca sei se os homens que conheci serviram para me fortalecer ou para me desiludir de vez. E agora vejo você encontrar a "mulher da sua vida" e AINDA BEM que estou bem longe, que assim sinto a dor bem fraquinha no peito. E nem acredito nisso, não acredito mesmo, não há ninguém feito pra ninguém... Nada é eterno, e isso é mesmo o que me consola.
Eu sei, eu não sirvo pra isso, eu faço minhas loucuras, eu me jogo, eu não meço limites, eu sou uma artista e artistas nem existem, representam o tempo todo, e nem sei se essa dor que estou sentindo é mesmo minha. Tenho cansado de representar certas coisas e quero partir para outras, e já é chegada a hora. E ainda bem que já vou me embora.
Saturday, September 26, 2009
De coração para coração
"Mais uma vez bom dia! Com todo respeito, hoje você está muito bonita! As mulheres ficam muito bem quando estão vestidas de branco. Demostra um aspecto agradável...
Mas, escrevi estas palavras, não apenas para lhe elogiar e sim para lhe agradecer mais uma vez pelo consolo qe você me deu naquele dia em que não fui forte o suficiente para conter as minhas lágrimas. No momento em que você pegou nas minhas costas eu senti uma imensa segurança... foi como a mãe fazendo carinho no filho...
O que me ocorre nada mais é do que uma doença psicológica conhecida como depressão. Mas já estou tendo acompanhamento de um profissional e logo estarei livre disso. Hoje estou muito feliz, pois dês de terça-feira eu não tive nenhuma crise. Estou lendo uma revista, e na matéria encontei uma frase de um cientista britânico que diz o seguinte:
"Se acreditarmos que podemos vender, nós venceremos. A confiança é um pré-requisito para a vitória".
Tolice da minha parte, de acreditar que eu nunca seria vítima de doença psicológica... mas agora eu sei que isso é possível e que eu sou um ser humano qualquer, com sentimentos como qualquer outra pessoa.
Nessas horas é que nós percebemos quem são os nossos verdadeiros amigos. Se você quiser ler a fraso do cientista britânico, pode vir à minha máquina. Ela está em cima do meu CPU. Mais uma vez obrigado pela atenção que você me deu! E tenha certeza absoluta de que sou muito grato a isso. Obrigado!"
Fazendo faxina nos documentos da empresa achei essa carta, sem data, sem assinatura e sem destinatário, me apropriei dela, achei fantástica e resolvi colocar no blog. Transcrevi exatamente da forma que o remetente escreveu para não perder a essência. Achei muito linda, gosto de cartas, acho românticas e parece que você está ali, totalmente vulnerável, dizendo "esse estranho aí sou eu".
Mas, escrevi estas palavras, não apenas para lhe elogiar e sim para lhe agradecer mais uma vez pelo consolo qe você me deu naquele dia em que não fui forte o suficiente para conter as minhas lágrimas. No momento em que você pegou nas minhas costas eu senti uma imensa segurança... foi como a mãe fazendo carinho no filho...
O que me ocorre nada mais é do que uma doença psicológica conhecida como depressão. Mas já estou tendo acompanhamento de um profissional e logo estarei livre disso. Hoje estou muito feliz, pois dês de terça-feira eu não tive nenhuma crise. Estou lendo uma revista, e na matéria encontei uma frase de um cientista britânico que diz o seguinte:
"Se acreditarmos que podemos vender, nós venceremos. A confiança é um pré-requisito para a vitória".
Tolice da minha parte, de acreditar que eu nunca seria vítima de doença psicológica... mas agora eu sei que isso é possível e que eu sou um ser humano qualquer, com sentimentos como qualquer outra pessoa.
Nessas horas é que nós percebemos quem são os nossos verdadeiros amigos. Se você quiser ler a fraso do cientista britânico, pode vir à minha máquina. Ela está em cima do meu CPU. Mais uma vez obrigado pela atenção que você me deu! E tenha certeza absoluta de que sou muito grato a isso. Obrigado!"
Fazendo faxina nos documentos da empresa achei essa carta, sem data, sem assinatura e sem destinatário, me apropriei dela, achei fantástica e resolvi colocar no blog. Transcrevi exatamente da forma que o remetente escreveu para não perder a essência. Achei muito linda, gosto de cartas, acho românticas e parece que você está ali, totalmente vulnerável, dizendo "esse estranho aí sou eu".
Sangria Desatada
"Sangria desatada", lembro do meu pai usar essa expressão quando nós, ainda pequenas, sofríamos um pequeno acidente ou qualquer coisa de ruim nos ocorria, porque estávamos ansiosas ou correndo ou brincando. Enfim, sei que me lembrei hoje dessa expressão e, como não escrevo aqui há um tempo, pensei, "por que não fazer um post sobre isso?"
Hoje mesmo, eu, na sangria desatada de puxar a gaveta, acabei quebrando minha unha, que estava ficando linda. Agora sou mais uma mulher sem classe de unhas curtas e vermelhas.
O que você entende sobre "sangria desatada"? Pra mim, sangria desatada é desesperar-se e sair fazendo coisas sem pensar nas consequências, só para fazer logo ou para ficar livre. Meu pai é quase um sábio, as pessoas do interior parecem mais sábias, "perdem" mais tempo lendo livros que não são os da moda, vivem mais devagar, comem frutas, comem devagar, curtem o domingo com tranquilidade. Nós, das grandes cidades, vivemos nessa sangria desatada, corremos pra lá e pra cá e sentimos solidão quando ficamos algumas horas sozinhos.
Ontem li algo no blog da HStern sobre a mulher atual. Diziam que ela cobra muito de si mesma. Uma perfeição inalcansável, não aceita errar, não aceita esquecer, ou seja, vive numa sangria desatada para conseguir seu lugar ao sol, ao lado, ou talvez até à frente do homem, não é?
E o que dizer de alguns donos de empresa que estão sempre ao telefone, reclamando de algum funcionário, sendo grosseiro com as pessoas das quais ele depende? E o que dizer da dona de casa que muitas vezes vive correndo atrás dos filhos novos e vive descabelada, desarrumada e gorda? E o que dizer de nós que vivemos procurando a fama e o reconhecimento no munda da internet? E o que dizer de quem fuma um cigarro atrás do outro?
Estamos sim, numa sangria desatada!
Hoje mesmo, eu, na sangria desatada de puxar a gaveta, acabei quebrando minha unha, que estava ficando linda. Agora sou mais uma mulher sem classe de unhas curtas e vermelhas.
O que você entende sobre "sangria desatada"? Pra mim, sangria desatada é desesperar-se e sair fazendo coisas sem pensar nas consequências, só para fazer logo ou para ficar livre. Meu pai é quase um sábio, as pessoas do interior parecem mais sábias, "perdem" mais tempo lendo livros que não são os da moda, vivem mais devagar, comem frutas, comem devagar, curtem o domingo com tranquilidade. Nós, das grandes cidades, vivemos nessa sangria desatada, corremos pra lá e pra cá e sentimos solidão quando ficamos algumas horas sozinhos.
Ontem li algo no blog da HStern sobre a mulher atual. Diziam que ela cobra muito de si mesma. Uma perfeição inalcansável, não aceita errar, não aceita esquecer, ou seja, vive numa sangria desatada para conseguir seu lugar ao sol, ao lado, ou talvez até à frente do homem, não é?
E o que dizer de alguns donos de empresa que estão sempre ao telefone, reclamando de algum funcionário, sendo grosseiro com as pessoas das quais ele depende? E o que dizer da dona de casa que muitas vezes vive correndo atrás dos filhos novos e vive descabelada, desarrumada e gorda? E o que dizer de nós que vivemos procurando a fama e o reconhecimento no munda da internet? E o que dizer de quem fuma um cigarro atrás do outro?
Estamos sim, numa sangria desatada!
Wednesday, September 09, 2009
Porque era ela, porque era eu...
Ela, motivo de alguns textos meus, viveu intensamente em minha vida há algum tempo atrás, e não faz tanto tempo assim... Hoje é uma data especial. Naquele ano foi comemorada como uma grande data para nós, ríamos, desejei-lhe muitas felicidades. Mas a vida é tonta e nos iludiu, e realmente não foi um ano feliz.
Tenho mágoas sim, mas na verdade tenho mais é saudade. Saudade de quem ela era antes de eu realmente a conhecer. Amiga, doce, bela, engraçada... Tínhamos momentos de muita sintonia, ríamos das mesmas coisas, nos divertiamos tomando café, almoçando. Ai... já não sei mais, agora já acho que sinto realmente mais mágoas que saudade...
Tenho mágoas sim, mas na verdade tenho mais é saudade. Saudade de quem ela era antes de eu realmente a conhecer. Amiga, doce, bela, engraçada... Tínhamos momentos de muita sintonia, ríamos das mesmas coisas, nos divertiamos tomando café, almoçando. Ai... já não sei mais, agora já acho que sinto realmente mais mágoas que saudade...
Tuesday, July 07, 2009
Plínio Marcos Escracha
Bom, como eu disse no post anterior, resolvi ler O Abajur Lilás e Oração para um pé-de-chinelo de Plínio Marcos. Então fiz uma minipesquisa na internet e tudo que achei, gostei. Biografia do autor:
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_674.html
Eu gosto de pessoas polêmicas, que dizem pra gente se sacudir, que o mundo não é cor-de-rosa, que existem milhões de pessoas por aí e que, na maioria das vezes, são vítimas de um sistema e nada podem fazer pra mudar a situação. E no site www.pliniomarcos.com.br eu achei sitações dele que falam sobre isso:
"Não faço teatro para o povo. Faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só por isso faço teatro."
"O povão só berra da geral sem nunca influir nos resultados."
"Minhas peças são atuais porque o país não evolui."
Essa frase em particular me causou um certo êxtase, pois é realmente o que se sente ao ler as peças, são peças dos anos 60, porém atuais como nunca! A miséria, o sentimento de não ter em quem confiar nesse mundo, a forma como o marginal é visto como um nada absoluto, um ser que não deveria existir. Nunca se preocupam em curar o mal ou tentar não criar o mal. Preocupam sim, em manter-se no poder, e para isso, não importam as vidas que vão se perder no meio do caminho. E quantas já perdemos? E quantas perderemos?
Como todo bom dramaturgo, artista, jornalista, cidadão, Plínio Marcos foi perseguido pela censura e, claro, sabotado pela mídia, mas não desistiu:
“Ai, eu me organizei pro pior. E o pior veio. Muito pior do que eu imaginava: na base do maldito ninguém-me-procura. Mas, eu era mais eu. Editava meus livros, na base do crédito naturalmente. E saia vendendo. E ia tocando a catraia contra a maré.”
E quem nunca se sentiu assim, digamos, sabotado, por tentar abrir os olhos das pessoas, por tentar mostrar que esse caminho do poder não é o caminho certo?
Vou falar um pouco sobre as duas peças, o que eu senti ao ler. Mas vou deixar a história um pouco de lado, pois prefiro que vocês mesmo leiam.
O Abajur Lilás: http://www.pliniomarcos.com/dados/abajur.htm
O que eu senti lendo O Abajur Lilás foi uma mistura de angústia, um sentir-se a parte desse mundo marginal e a hipótese de que se eu fosse uma prostituta, como seria minha vida... Ao mesmo tempo que você acha que está longe desse mundo, na verdade isso é ilusório. Imaginei a angústia da mãe prostituta que entrou naquele mundo, antes era só ela, engravidou e agora não tem como sair daquilo, ou não sabe como sair, não conhece outra realidade. Lembrei de quando eu participava de um grupo de voluntários da igreja que davam sopa na rua nas sexta-feiras à noite em BH. Uma vez eu carreguei uma criança com cerca de 1 ano, era um menina. Ela se agarrava a mim e tinha um choro sentido, um choro de "não me abandone", e isso foi uma das coisas que me fez desistir de trabalhar com aquilo, é muito pro meu coração. Essa criança ficava na rua com estranhos enquanto a mãe se prostituía. Um senhor, que cuidava dela naquela noite, me disse que sabe-se lá o que outros faziam com ela. Que a mãe deixava com qualquer um porque precisava trabalhar. Tive uma vontade enorme de levar aquela criança pra minha casa e nunca mais a deixar abandonada na rua, meu coração doeu, aquele foi um dia triste pra mim. Abandonei o projeto não pela dor que me causou, mas sim porque acho que é uma medida paleativa e não uma solução para o problema. Atualmente quero voltar a trabalhar com isso, mas de uma forma que eu realmente vá ajudar o próximo.
Lendo a peça, senti também a fraqueza da carne, como somos fracos sobre tortura e como só os fortes conseguem passar por uma tortura sem denunciar ninguém, ou então só se for um amor muito forte e verdadeiro, onde você prefira morrer torturado a denunciar o outro.
Oração para um pé-de-chinelo: http://www.overmundo.com.br/overblog/oracao-pro-pe-de-chinelo
Achei interessante o título, porque de alguma forma liga esta peça à primeira (só vai entender quem ler). São peças bem parecidas, mas com desfechos diferentens.
As duas peças passam uma sensação de não ter o que fazer, não ter como escapar, como se a vida fosse só deixar o curso seguir, com tudo praticamente premeditado, dia após dia. A falta de confiança no outro, estar sozinho no mundo, não confiar em ninguém, não ter amigos.
É muito interessante também como ele faz uma linguagem marginal, os palavrões, a forma de falar malandra. "Que merda! Que merda! Que merda!" ou "Eu não matei meu pai a soco!"
Gostei muito de ler essas peças e recomendo aos amantes da arte. Embora eu acredite e tenha amizades verdadeiras, em quem confiar e a quem amar.
Bom, sem mais por enquanto. Próximo livro: Ai de ti Copacabana - Rubem Braga
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_674.html
Eu gosto de pessoas polêmicas, que dizem pra gente se sacudir, que o mundo não é cor-de-rosa, que existem milhões de pessoas por aí e que, na maioria das vezes, são vítimas de um sistema e nada podem fazer pra mudar a situação. E no site www.pliniomarcos.com.br eu achei sitações dele que falam sobre isso:
"Não faço teatro para o povo. Faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só por isso faço teatro."
"O povão só berra da geral sem nunca influir nos resultados."
"Minhas peças são atuais porque o país não evolui."
Essa frase em particular me causou um certo êxtase, pois é realmente o que se sente ao ler as peças, são peças dos anos 60, porém atuais como nunca! A miséria, o sentimento de não ter em quem confiar nesse mundo, a forma como o marginal é visto como um nada absoluto, um ser que não deveria existir. Nunca se preocupam em curar o mal ou tentar não criar o mal. Preocupam sim, em manter-se no poder, e para isso, não importam as vidas que vão se perder no meio do caminho. E quantas já perdemos? E quantas perderemos?
Como todo bom dramaturgo, artista, jornalista, cidadão, Plínio Marcos foi perseguido pela censura e, claro, sabotado pela mídia, mas não desistiu:
“Ai, eu me organizei pro pior. E o pior veio. Muito pior do que eu imaginava: na base do maldito ninguém-me-procura. Mas, eu era mais eu. Editava meus livros, na base do crédito naturalmente. E saia vendendo. E ia tocando a catraia contra a maré.”
E quem nunca se sentiu assim, digamos, sabotado, por tentar abrir os olhos das pessoas, por tentar mostrar que esse caminho do poder não é o caminho certo?
Vou falar um pouco sobre as duas peças, o que eu senti ao ler. Mas vou deixar a história um pouco de lado, pois prefiro que vocês mesmo leiam.
O Abajur Lilás: http://www.pliniomarcos.com/dados/abajur.htm
O que eu senti lendo O Abajur Lilás foi uma mistura de angústia, um sentir-se a parte desse mundo marginal e a hipótese de que se eu fosse uma prostituta, como seria minha vida... Ao mesmo tempo que você acha que está longe desse mundo, na verdade isso é ilusório. Imaginei a angústia da mãe prostituta que entrou naquele mundo, antes era só ela, engravidou e agora não tem como sair daquilo, ou não sabe como sair, não conhece outra realidade. Lembrei de quando eu participava de um grupo de voluntários da igreja que davam sopa na rua nas sexta-feiras à noite em BH. Uma vez eu carreguei uma criança com cerca de 1 ano, era um menina. Ela se agarrava a mim e tinha um choro sentido, um choro de "não me abandone", e isso foi uma das coisas que me fez desistir de trabalhar com aquilo, é muito pro meu coração. Essa criança ficava na rua com estranhos enquanto a mãe se prostituía. Um senhor, que cuidava dela naquela noite, me disse que sabe-se lá o que outros faziam com ela. Que a mãe deixava com qualquer um porque precisava trabalhar. Tive uma vontade enorme de levar aquela criança pra minha casa e nunca mais a deixar abandonada na rua, meu coração doeu, aquele foi um dia triste pra mim. Abandonei o projeto não pela dor que me causou, mas sim porque acho que é uma medida paleativa e não uma solução para o problema. Atualmente quero voltar a trabalhar com isso, mas de uma forma que eu realmente vá ajudar o próximo.
Lendo a peça, senti também a fraqueza da carne, como somos fracos sobre tortura e como só os fortes conseguem passar por uma tortura sem denunciar ninguém, ou então só se for um amor muito forte e verdadeiro, onde você prefira morrer torturado a denunciar o outro.
Oração para um pé-de-chinelo: http://www.overmundo.com.br/overblog/oracao-pro-pe-de-chinelo
Achei interessante o título, porque de alguma forma liga esta peça à primeira (só vai entender quem ler). São peças bem parecidas, mas com desfechos diferentens.
As duas peças passam uma sensação de não ter o que fazer, não ter como escapar, como se a vida fosse só deixar o curso seguir, com tudo praticamente premeditado, dia após dia. A falta de confiança no outro, estar sozinho no mundo, não confiar em ninguém, não ter amigos.
É muito interessante também como ele faz uma linguagem marginal, os palavrões, a forma de falar malandra. "Que merda! Que merda! Que merda!" ou "Eu não matei meu pai a soco!"
Gostei muito de ler essas peças e recomendo aos amantes da arte. Embora eu acredite e tenha amizades verdadeiras, em quem confiar e a quem amar.
Bom, sem mais por enquanto. Próximo livro: Ai de ti Copacabana - Rubem Braga
Faxina na Biblioteca
Meus pais são duas figuras... Apegados demais com certas coisas e desapegados demais com coisas que geralmente consideramos importantes. Desde pequena vivi numa casa com muitos livros, desde pequena li vários autores, vários livros históricos, vários livros técnicos e, confesso, alguns livros esotéricos.
Antes do meu suspeito ateísmo eu era, de certa forma, um tanto mística. Fato é que ainda sou, ainda acredito que eu tenho uma visão além do alcance (olho de Tandera). Mas eu não tento mais explicar isso, eu parei de ler esses livros que, em geral, são livros de auto-ajuda.
Uma das coisas que meus pais se apegam são livros, em alguns casos eu concordo, outros não. E hoje eu sou adepta do e-book, acho prático, podemos riscar, podemos utilizar mais facilmente citações em nossos trabalhos, e, a melhor coisa do e-book: não acumulam poeira e não ocupam espaço.
Para uma pessoa alérgica como eu, ter uma mini biblioteca no quarto é suicídio, mas eu tenho. Culpa de não ter espaço suficiente em outros locais da casa, culpa minha também, por ter desenvolvido essa alergia só depois de mais velha.
Bom, sei que fui fazer uma faxina na estante, tirei todos os livros, separei por temas: os de administração (livros que li ou tentei ler durante o período de faculdade), os de psicologia ou "psicologia" (porque alguns, como os do Jung, não são aceitos pelo CRP), as enciclopédias (pra mim é um grande elefante branco, não servem para muita coisa, morro de alergia, prefiro pesquisar no google, mas não posso doar, pois meus pais são apegados e tal), e, enfim, os romances, bibliografias, peças de dramaturgia, ou seja, a fatia gostosa do bolo.
Na minha grande neurose, pensando que a mente precisa de um lugar organizado para se organizar, querendo "limpar as energias" do meu quarto e melhorar, assim, minha vida. Resolvi colocar os livros na estante em ordem alfabética de título. E agora, minha meta é ler um a um e provar que se os livros existem, devem ser lidos. O primeiro da lista é uma peça de teatro chamada Abajur Lilás, O - Plínio Marcos, no mesmo livro e em seguida tem outra peça: Oração para um pé-de-chinelo. Vou ler e pesquisar sobre o dramaturgo e este será o próximo tópico do meu blog. Divirtam-se com a minha falta do que fazer!
Antes do meu suspeito ateísmo eu era, de certa forma, um tanto mística. Fato é que ainda sou, ainda acredito que eu tenho uma visão além do alcance (olho de Tandera). Mas eu não tento mais explicar isso, eu parei de ler esses livros que, em geral, são livros de auto-ajuda.
Uma das coisas que meus pais se apegam são livros, em alguns casos eu concordo, outros não. E hoje eu sou adepta do e-book, acho prático, podemos riscar, podemos utilizar mais facilmente citações em nossos trabalhos, e, a melhor coisa do e-book: não acumulam poeira e não ocupam espaço.
Para uma pessoa alérgica como eu, ter uma mini biblioteca no quarto é suicídio, mas eu tenho. Culpa de não ter espaço suficiente em outros locais da casa, culpa minha também, por ter desenvolvido essa alergia só depois de mais velha.
Bom, sei que fui fazer uma faxina na estante, tirei todos os livros, separei por temas: os de administração (livros que li ou tentei ler durante o período de faculdade), os de psicologia ou "psicologia" (porque alguns, como os do Jung, não são aceitos pelo CRP), as enciclopédias (pra mim é um grande elefante branco, não servem para muita coisa, morro de alergia, prefiro pesquisar no google, mas não posso doar, pois meus pais são apegados e tal), e, enfim, os romances, bibliografias, peças de dramaturgia, ou seja, a fatia gostosa do bolo.
Na minha grande neurose, pensando que a mente precisa de um lugar organizado para se organizar, querendo "limpar as energias" do meu quarto e melhorar, assim, minha vida. Resolvi colocar os livros na estante em ordem alfabética de título. E agora, minha meta é ler um a um e provar que se os livros existem, devem ser lidos. O primeiro da lista é uma peça de teatro chamada Abajur Lilás, O - Plínio Marcos, no mesmo livro e em seguida tem outra peça: Oração para um pé-de-chinelo. Vou ler e pesquisar sobre o dramaturgo e este será o próximo tópico do meu blog. Divirtam-se com a minha falta do que fazer!
Friday, July 03, 2009
Arroz para Sushi
Ingredientes:
1kg de arroz japonês
10 colheres de sopa de vinagre de arroz
4 colheres de chá de sal
4 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de saquê (para cozinha)
7 xícaras de chá de água
2 unidades de Kombu(alga) em tiras
Lavar o arroz até que a água fique clara (e isso demora, demora, demora...)
Despejar numa panela grossa.
Acrescentar água fria e o kombu, tampar e descansar por 30 min a 1 hora.
Cozinhar até ferver, baixar o fogo até a água secar.
À parte
Levar ao fogo brando o vinagre de arroz, com o sal, o açúcar e o saquê (lembrando que é o para cozinhar). Mexa até que o sal e o açúcar derreta.
Deixe o arroz pronto na panela tampada por 10 minutos. Após isso passar o arroz para uma bacia de plástico. Colocar o tempero da panela. Cortar o arroz em cruz. Resfriar o arroz rapidamente dando nele um choque térmico.
Cobrir o arroz com pano úmido até usá-lo.
Eu já fiz diversas vezes essa receita, vale a pena? Se você quiser sofrer, vale. Demora pra caramba e depois tem que enrolar, cortar o peixe e montar o sushi. Eu voto no sashimi ou no tradicional japonês a quilo mesmo. Mas pra quem quiser, taí! Enjoy it! ;)
1kg de arroz japonês
10 colheres de sopa de vinagre de arroz
4 colheres de chá de sal
4 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de saquê (para cozinha)
7 xícaras de chá de água
2 unidades de Kombu(alga) em tiras
Lavar o arroz até que a água fique clara (e isso demora, demora, demora...)
Despejar numa panela grossa.
Acrescentar água fria e o kombu, tampar e descansar por 30 min a 1 hora.
Cozinhar até ferver, baixar o fogo até a água secar.
À parte
Levar ao fogo brando o vinagre de arroz, com o sal, o açúcar e o saquê (lembrando que é o para cozinhar). Mexa até que o sal e o açúcar derreta.
Deixe o arroz pronto na panela tampada por 10 minutos. Após isso passar o arroz para uma bacia de plástico. Colocar o tempero da panela. Cortar o arroz em cruz. Resfriar o arroz rapidamente dando nele um choque térmico.
Cobrir o arroz com pano úmido até usá-lo.
Eu já fiz diversas vezes essa receita, vale a pena? Se você quiser sofrer, vale. Demora pra caramba e depois tem que enrolar, cortar o peixe e montar o sushi. Eu voto no sashimi ou no tradicional japonês a quilo mesmo. Mas pra quem quiser, taí! Enjoy it! ;)
Tempestade
Agora, nesse momento, a chuva aqui onde moro está muito forte. Eu adoro chuva, mas apenas quando estou abrigada. Covardia? Talvez seja.
Quando chove assim, forte e intenso, gosto de olhar pela janela. Às vezes imagino que as gotas nos vidros da janela são lágrimas e, se tenho vontade, choro junto com elas, como se eu não chorasse sozinha.
A água não para de cair, tudo se inunda, inclusive minha cabeça de lembranças e pensamentos. Quando pequena me sentia muito só, sempre fui, desde criança, uma pessoa sozinha. Detestava domingos, ainda mais se chovesse. Mas essa chuva, contraditório ou não, que tanto adoro, me remete à minha solidão. Sem a qual não viveria bem. Gosto de ter amigos, sair, conversar, mas o que realmente gosto é de estar só. Quando chove sempre estou sozinha, a chuva nos isola dos outros. Assim fico eu e ela, a tempestade. Por algum tempo somos uma só. Nossa intimidade é tanta que ela se atreve a entrar em meu quarto e molhar meus papéis. Fico furiosa, brigamos, mas logo eu a perdoo, não vivo sem ela.
Quando chove assim, forte e intenso, gosto de olhar pela janela. Às vezes imagino que as gotas nos vidros da janela são lágrimas e, se tenho vontade, choro junto com elas, como se eu não chorasse sozinha.
A água não para de cair, tudo se inunda, inclusive minha cabeça de lembranças e pensamentos. Quando pequena me sentia muito só, sempre fui, desde criança, uma pessoa sozinha. Detestava domingos, ainda mais se chovesse. Mas essa chuva, contraditório ou não, que tanto adoro, me remete à minha solidão. Sem a qual não viveria bem. Gosto de ter amigos, sair, conversar, mas o que realmente gosto é de estar só. Quando chove sempre estou sozinha, a chuva nos isola dos outros. Assim fico eu e ela, a tempestade. Por algum tempo somos uma só. Nossa intimidade é tanta que ela se atreve a entrar em meu quarto e molhar meus papéis. Fico furiosa, brigamos, mas logo eu a perdoo, não vivo sem ela.
Monday, June 29, 2009
Que destino!
Mas morrer é sempre bom. Nunca ouvi ninguém reclamar. E os que ficam, exclamam:
- Oh! Que vida é essa?!
- Oh! Que vida é essa?!
Ballet atômico
Ele errou mais uma vez, como era de se esperar. E eu aqui, pensando em mil coisas, pensando que não poderia ter sido diferente e que ele nem era tão bom assim. Medo da solidão? Coisa mais ridícula! Deveríamos ter medo de nunca mais ficarmos sozinhos, com tanta gente no mundo, 6 bilhões de pessoas estranhas. Na minha cidade são 2,5 milhões de pessoas, não há mesmo como ficar sozinho.
Agora, daquelas reflexões malucas sobre a vida... O que estamos fazendo aqui, o que é tudo isso? Uma dança de átomos que insistem em cada dia ser uma coisa diferente? Um ballet atômico? Ou foi Deus que deu um grito e tudo se fez? E como ele fez tudo isso a partir da não existência? Perguntas que dançarão por entre lugares vazios, por entre a extinção do homem.
E sobre catástrofes e fim do mundo? Eu acharia ótimo... Tudo deixar de existir, um espetáculo lindo de se ver. A explosão de tudo, o fim de tudo. Mas se chegou ao fim é tempo de um novo início. Vai ser melhor que antes? Vai ser igual?
Agora, daquelas reflexões malucas sobre a vida... O que estamos fazendo aqui, o que é tudo isso? Uma dança de átomos que insistem em cada dia ser uma coisa diferente? Um ballet atômico? Ou foi Deus que deu um grito e tudo se fez? E como ele fez tudo isso a partir da não existência? Perguntas que dançarão por entre lugares vazios, por entre a extinção do homem.
E sobre catástrofes e fim do mundo? Eu acharia ótimo... Tudo deixar de existir, um espetáculo lindo de se ver. A explosão de tudo, o fim de tudo. Mas se chegou ao fim é tempo de um novo início. Vai ser melhor que antes? Vai ser igual?
Monday, June 22, 2009
Noivas
Por que as mulheres se vestem de noiva e vão tirar fotos no meio do mato? Não é, assim por dizer, uma coisa estranha? É como se noivas estivessem sempre entre laguinhos, patos, casarões antigos e cavalos...
Será que um dia eu vou "pagar esse mico"?
Será que um dia eu vou "pagar esse mico"?
Sunday, June 21, 2009
A Outra
Talvez ele não entenda porque eu aceito para mim o que eu aceito para mim. Ele é meu amigo, me quer bem, se importa comigo e diz que se não fosse por ela, quem sabe, não poderia sonhar comigo? Eu e ele, juntos, e ela no calcanhar.
Patricinhas
E elas passeiam indomavelmente com seus cachorrinhos magrelos, colocam neles uma coleira escrita "segurança". Realmente é um cachorro seguro. Se ele te morder, basta lhe dar um chute e pronto, jaz morto!
Perseguida
Um frio danado, pessoas passeiam com seus cachorros, adolescentes latem e eu, claro, sou mais uma vez perseguida por leitores assíduos da bíblia. Eles olham para mim e pensam: "presa fácil". Talvez seja o significado do meu nome: "calma como uma ovelha", ou um imã invisível que faz a minha mente ser atraída pela deles. Talvez eu tenha um chip implantado e eles, caçadores de pessoas carentes, imediatamente me rastreiam e:
- É aquela ali! Dê um livrinho de como Deus criou o mundo em 7 dias pra ela!
- É aquela ali! Dê um livrinho de como Deus criou o mundo em 7 dias pra ela!
Paz!
A unha roxa de tanto frio, a folha se acabando, a necessidade de escrever. A espera, a bela praça, a paz em meio ao caos. Acho que é só assim memo que a paz acontece, no olho do furacão.
Mãe Evangélica
Ao acordar ouvi uma mãe gritar:
- Vou dar um bicudo nesse menino que eu vou jogar ele lá dentro da igreja!
Como são boas mães essas evangélicas!
- Vou dar um bicudo nesse menino que eu vou jogar ele lá dentro da igreja!
Como são boas mães essas evangélicas!
Monday, May 04, 2009
Máscara
Está aí o motivo pelo qual acho que não gosto de grandes festas, de muita euforia, de carnaval: não gosto de máscaras, nunca gostei e quase não as uso. Quando tinha 17 anos escrevi uma poesia para um livro que seria publicado no meu colégio, um livro só com poesia dos alunos, era a seguinte:
"Lutar e vencer
ou amar e viver?
tem que haver escolha
na primeira ganharei uma máscara
na segunda me transformarei"
Desde muito nova sempre fui angustiada com o existir, com o ser. E sempre tentei ser autêntica, não pelo outro, mas por mim mesma, porque "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". É muito difícil uma pessoa mentir para mim e eu não desconfiar. Porém sou um tanto Sherlock Homes e não me sinto em paz enquanto não decifrar toda a mentira, toda a trama...
No entanto, vejo que talvez isso não seja mais necessário, que não é isso que vai me fazer menos ou mais feliz, satisfeita. Não é necessário saber o porque da mentira alheia e nem saber porque você é o alvo. Acho que a vida é bem mais simples. Você pode escolher entre ser realista ou acreditar na ilusão que querem que você acredite. Ser realista é lindo! É ver o mundo como ele realmente é, pelo menos através da sua visão. "É não ser adaptável as normas da vida" como diria Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos.
Assim acabo me sentindo como se vivesse num mundo à parte, mas não quero ser o centro das atenções, meu nome não é Umbigo. Simplesmente vejo que não há mais o que acreditar, é como se eu tivesse que aceitar a vida como é, sem ilusões, sem "estéticas com o coração"!
Para quem nunca ouviu o poema "Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa" de Álvaro de Campos, declamado por Jô Soares, vale a pena ouvir no youtube:
"Lutar e vencer
ou amar e viver?
tem que haver escolha
na primeira ganharei uma máscara
na segunda me transformarei"
Desde muito nova sempre fui angustiada com o existir, com o ser. E sempre tentei ser autêntica, não pelo outro, mas por mim mesma, porque "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". É muito difícil uma pessoa mentir para mim e eu não desconfiar. Porém sou um tanto Sherlock Homes e não me sinto em paz enquanto não decifrar toda a mentira, toda a trama...
No entanto, vejo que talvez isso não seja mais necessário, que não é isso que vai me fazer menos ou mais feliz, satisfeita. Não é necessário saber o porque da mentira alheia e nem saber porque você é o alvo. Acho que a vida é bem mais simples. Você pode escolher entre ser realista ou acreditar na ilusão que querem que você acredite. Ser realista é lindo! É ver o mundo como ele realmente é, pelo menos através da sua visão. "É não ser adaptável as normas da vida" como diria Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos.
Assim acabo me sentindo como se vivesse num mundo à parte, mas não quero ser o centro das atenções, meu nome não é Umbigo. Simplesmente vejo que não há mais o que acreditar, é como se eu tivesse que aceitar a vida como é, sem ilusões, sem "estéticas com o coração"!
Para quem nunca ouviu o poema "Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa" de Álvaro de Campos, declamado por Jô Soares, vale a pena ouvir no youtube:
Tuesday, April 14, 2009
Continuo fechada
Talvez seja um tanto perplexa e um outro tanto traumatizada que escrevo isso aqui. Não sei se deveria, mas acho que é interessante para outras mulheres que passam o mesmo que eu.
Seguindo os conselhos de um amigo, que tenho em mais alta estima, resolvi me "fechar para balanço" até ouvir dentro de mim qual era a realidade do meu sentimento, o que eu realmente queria de um relacionamento. Durante esse tempo não apareceu ninguém que mexesse comigo, mas apareceram algumas paquerinhas, olhares, coisas do tipo.
É bom lembrar, que pouco antes de me "fechar", conheci um esquizofrênico, obviamente, eu não sabia que era doente. Esse cara se apaixonou por mim e queria algo "sério". Mas por ele ter se revelado esquizo, não tive coragem nem de avançar meio passo. Sorte minha da honestidade dele.
Agora fico pensando o porque isso vem acontecendo incessantemente comigo: estamos todos doentes? Existe mesmo a tal lei da atração? Tenho que fazer uma terapia para conseguir identificar o que eu faço para atrair isso pra mim e conseguir identificar meu erro e corrigir? O que devo fazer?
Estava eu, sossegada, vivendo minha vidinha, que hora é besta e hora é a melhor do mundo. Me aparece um sujeito que me fez acreditar novamente. Me contou histórias de uma vida que hoje vejo ser pura farça. Mais um farçante, mais um esquizo?! Sem preconceito, que me perdoem os esquizofrênicos que lerem isso. Não é essa a questão. A questão é toda minha, porque atraio isso pra mim, ainda mais sendo tão transparente.
Vocês não imaginam minha fobia e espanto ao escrever tudo isso e ir lembrando detalhe a detalhe, que não vou relatar aqui. Como ele me envolveu na teia de mentiras e como eu caí novamente. Não estou me colocando como vítima indefesa, é apenas muito triste saber que algumas pessoas nos mentem olhando nos olhos e por nada, gratuitamente.
Seguindo os conselhos de um amigo, que tenho em mais alta estima, resolvi me "fechar para balanço" até ouvir dentro de mim qual era a realidade do meu sentimento, o que eu realmente queria de um relacionamento. Durante esse tempo não apareceu ninguém que mexesse comigo, mas apareceram algumas paquerinhas, olhares, coisas do tipo.
É bom lembrar, que pouco antes de me "fechar", conheci um esquizofrênico, obviamente, eu não sabia que era doente. Esse cara se apaixonou por mim e queria algo "sério". Mas por ele ter se revelado esquizo, não tive coragem nem de avançar meio passo. Sorte minha da honestidade dele.
Agora fico pensando o porque isso vem acontecendo incessantemente comigo: estamos todos doentes? Existe mesmo a tal lei da atração? Tenho que fazer uma terapia para conseguir identificar o que eu faço para atrair isso pra mim e conseguir identificar meu erro e corrigir? O que devo fazer?
Estava eu, sossegada, vivendo minha vidinha, que hora é besta e hora é a melhor do mundo. Me aparece um sujeito que me fez acreditar novamente. Me contou histórias de uma vida que hoje vejo ser pura farça. Mais um farçante, mais um esquizo?! Sem preconceito, que me perdoem os esquizofrênicos que lerem isso. Não é essa a questão. A questão é toda minha, porque atraio isso pra mim, ainda mais sendo tão transparente.
Vocês não imaginam minha fobia e espanto ao escrever tudo isso e ir lembrando detalhe a detalhe, que não vou relatar aqui. Como ele me envolveu na teia de mentiras e como eu caí novamente. Não estou me colocando como vítima indefesa, é apenas muito triste saber que algumas pessoas nos mentem olhando nos olhos e por nada, gratuitamente.
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